⏳ Áudio em breve
O Brasil tem 5.570 municípios — e apenas dez deles produzem um quarto de tudo o que o país gera de riqueza. É o que mostra a pesquisa PIB dos Municípios 2022-2023, do IBGE, divulgada em dezembro de 2025 com os dados mais recentes disponíveis. São Paulo, sozinha, responde por 9,7% da economia nacional. E a maior surpresa do ranking é uma cidade de pouco mais de 200 mil habitantes que, em um único ano, saltou da 354ª posição para a quarta.
📊 O QUE É O PIB MUNICIPAL: é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos dentro do município em um ano. Não é o dinheiro no caixa da prefeitura, nem a renda dos moradores — é o tamanho da economia daquele território. Os dados são do IBGE, referentes a 2023, elaborados em parceria com os órgãos estaduais de estatística.
O ranking dos 10 maiores PIBs do Brasil
1️⃣ São Paulo (SP) — 9,7% do PIB nacional
Com cerca de R$ 1,067 trilhão, a capital paulista produz sozinha quase um décimo de toda a economia brasileira. Foi também a cidade que mais ganhou participação entre 2022 e 2023 (+0,4 ponto percentual), impulsionada pelo setor de serviços.
2️⃣ Rio de Janeiro (RJ) — 3,8%
Aproximadamente R$ 418 bilhões. Junto com São Paulo e Brasília, ocupa o topo da lista desde o início da série histórica, em 2002.
3️⃣ Brasília (DF) — 3,3%
Cerca de R$ 366 bilhões, sustentados em boa parte pela administração pública e pelos serviços.
4️⃣ Maricá (RJ) — 1,2%
A grande história do ranking: a cidade fluminense é a primeira não capital da lista e ocupava a 354ª posição em 2022. O salto tem nome — petróleo. Os royalties da exploração na Bacia de Campos transformaram a economia municipal.
5️⃣ Belo Horizonte (MG) — 1,2%
A capital mineira mantém-se entre as maiores economias urbanas do país.
6️⃣ Manaus (AM) — 1,2%
Única cidade do Norte no top 10, puxada pelo polo industrial da Zona Franca.
7️⃣ Curitiba (PR) — 1,1%
Cerca de R$ 120 bilhões, o melhor resultado da Região Sul.
8️⃣ Osasco (SP) — 1,1%
A segunda não capital da lista, sede de grandes empresas e instituições financeiras.
9️⃣ Porto Alegre (RS) — 1,0%
Uma das capitais que ganharam participação no período (+0,1 p.p.).
🔟 Guarulhos (SP) — 0,9%
Fecha a lista com o peso do aeroporto internacional e do parque industrial.
Três estados, dez cidades
O recorte geográfico do ranking é revelador: São Paulo tem três representantes (a capital, Osasco e Guarulhos), o Rio de Janeiro, dois (a capital e Maricá), e os demais estados, um cada. Ampliando o alcance, o desequilíbrio fica ainda mais nítido: dos 100 municípios com maior PIB do país, 35 estão em São Paulo, seguidos por 10 no Rio de Janeiro.
A concentração está diminuindo — e isso é notícia
Aqui está o dado mais interessante do estudo, e o que a maioria das listas não conta: a economia brasileira está menos concentrada do que era. Em 2002, no início da série histórica, bastavam quatro cidades — São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte — para somar os mesmos 24,5% que hoje exigem dez municípios.
Ampliando o recorte, 25 municípios respondem por 34,2% do PIB nacional e 100 municípios, por 52,9% — ou seja, pouco menos de 2% das cidades brasileiras produzem mais da metade da riqueza do país. Ainda é muita concentração, mas menos do que duas décadas atrás.
O efeito petróleo: sobe rápido, desce rápido
A entrada meteórica de Maricá vem acompanhada de um alerta embutido nos próprios dados. Entre 2022 e 2023, os cinco municípios que mais perderam participação no PIB nacional tinham economia ligada à exploração de petróleo: Maricá (-0,3 p.p.), Niterói e Saquarema (-0,2 p.p. cada), Ilhabela e Campos dos Goytacazes (-0,1 p.p. cada). Das 30 cidades que mais recuaram, sete tinham perda associada à extração petrolífera.
É a face menos comentada dessas listas: economias apoiadas em uma única commodity oscilam com o preço internacional dela. Estruturas produtivas diversificadas tendem a ser mais estáveis ao longo do tempo — e é por isso que as três primeiras posições praticamente não mudam desde 2002.
PIB grande não é o mesmo que gente rica
Uma distinção fundamental: PIB total mede o tamanho da economia; PIB per capita divide essa riqueza pelo número de habitantes. E os dois rankings quase não se conversam. O maior PIB per capita do Brasil em 2023 foi o de Saquarema (RJ), com R$ 722,4 mil por habitante — uma cidade que não aparece entre os dez maiores PIBs absolutos. A média nacional foi de R$ 53,9 mil.
Entre as capitais, Brasília lidera com R$ 129.790,44 — 2,41 vezes a média do país —, seguida por Manaus (R$ 61.855,15). São as únicas duas capitais acima da média nacional nesse indicador. Na outra ponta, Belém teve o menor PIB per capita entre as capitais: R$ 31,1 mil, o equivalente a 0,58 da média.
E vale a ressalva metodológica: PIB per capita é uma média estatística, não uma medida de bem-estar. Uma cidade pequena com uma refinaria ou uma grande mineradora pode ter renda por habitante altíssima no papel e população com condições de vida modestas — porque a riqueza produzida ali não fica necessariamente ali.
📰 Fonte: IBGE — pesquisa Produto Interno Bruto dos Municípios 2022-2023, divulgada em 19 de dezembro de 2025, elaborada em parceria com órgãos estaduais de estatística e a Suframa. Os dados referem-se ao ano de 2023, o mais recente disponível na série municipal, que é publicada com dois anos de defasagem. Percentuais de participação conforme divulgação oficial do instituto.
📌 Esta reportagem abre a série “O Brasil em 10”, do AlexNews, que publica às segundas e sextas-feiras rankings municipais construídos a partir de dados oficiais. Na próxima edição: as 10 cidades mais populosas do Brasil.
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