⏳ Áudio em breve
Aos 62 anos, Brad Pitt acaba de viver o melhor momento comercial de meio século de carreira: “F1” ultrapassou US$ 630 milhões e virou a maior bilheteria da vida dele — e em novembro vem o evento que junta três lendas numa tacada só: “As Aventuras de Cliff Booth”, com Pitt de volta ao papel que lhe deu o Oscar, roteiro de Quentin Tarantino e direção de David Fincher. No terceiro capítulo da série Filmografia Completa do AlexNews, a trajetória inteira do garoto do Missouri que largou a faculdade de jornalismo faltando dois créditos, vestiu fantasia de frango em lanchonete — e virou o último astro de cinema à moda antiga: fase por fase, com a checklist cronológica integral para marcar o que você já viu.
🎭 QUEM É: William Bradley Pitt nasceu em 18 de dezembro de 1963 em Shawnee, Oklahoma, e cresceu em Springfield, Missouri. Largou o curso de jornalismo da Universidade do Missouri a duas matérias do diploma e dirigiu para Los Angeles com US$ 325 no bolso. Duas estatuetas do Oscar (ator coadjuvante por “Era Uma Vez em… Hollywood”; produtor por “12 Anos de Escravidão”) — e, pela sua produtora Plan B, o dedo em três vencedores de Melhor Filme: “Os Infiltrados”, “12 Anos de Escravidão” e “Moonlight”. Apaixonado por arquitetura, escultura e velocidade — a ponto de treinar pilotagem de verdade para “F1”.
Fase 1 — O rosto que parou “Thelma & Louise” (1987–1993)
Depois de bicos surreais em LA — motorista de limusine, entregador de geladeiras e, sim, mascote fantasiado de frango na porta da lanchonete El Pollo Loco —, vieram pontas na TV (“Dallas”, “Growing Pains”) e filmes menores como “Cutting Class” (1989). Aí aconteceram os famosos 14 minutos de tela em “Thelma & Louise” (1991): o caubói J.D. roubou o filme, o coração da plateia e a manchete de “novo astro”. Ridley Scott, o diretor, o reencontraria décadas depois. A fase fechou com o elogiado “Nada É Para Sempre” (1992, de Robert Redford — a quem Hollywood inteira o comparava), o serial killer de “Kalifornia” (1993) e o inesquecível chapado Floyd de “Amor à Queima-Roupa” (1993).
Fase 2 — O astro total dos anos 90 (1994–1999)
Poucos atores emendaram uma sequência assim: o vampiro Louis de “Entrevista com o Vampiro” (1994), o Tristan de “Lendas da Paixão” (1994) — o cabelo mais influente da década —, o detetive Mills de “Se7en — Os Sete Crimes Capitais” (1995, o primeiro encontro com David Fincher e um dos finais mais devastadores do cinema), o surtado Jeffrey Goines de “Os 12 Macacos” (1995) — Globo de Ouro e primeira indicação ao Oscar —, “Sleepers” (1996), “Sete Anos no Tibet” (1997), “Inimigo Íntimo” (1997), a Morte apaixonada de “Encontro Marcado” (1998) e, para fechar o século com um soco: Tyler Durden em “Clube da Luta” (1999) — de novo com Fincher, o personagem que virou pôster de dormitório, filosofia de boteco e advertência mal compreendida, tudo ao mesmo tempo.
Fase 3 — O rei da matilha: Ocean’s, Troia e o casal do século (2000–2007)
O Mickey de dicção impossível em “Snatch” (2000) provou o humor; “Onze Homens e um Segredo” (2001) — e as sequências de 2004 e 2007 — provaram o charme em modo coletivo, com Rusty Ryan comendo em cada cena (literalmente: repare, ele está sempre mastigando). Em 2004, a armadura: Aquiles em “Troia”, o semideus que duela com o Heitor de Eric Bana — e aqui a nossa série se cruza: como contamos na Filmografia Completa do Bana, os dois apostaram multas por golpe acidental no duelo, e Pitt terminou as filmagens devendo centenas de dólares ao “Heitor”; Bana, nada. Em 2005, “Sr. & Sra. Smith” mudou a vida pessoal (e o noticiário mundial por uma década); em 2006, “Babel” trouxe peso dramático; e em 2007, a obra-prima subestimada: “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford”, prêmio de melhor ator no Festival de Veneza — para muitos fãs, a atuação mais fina da carreira.
Fase 4 — O ator dos autores (2008–2015)
A fase madura foi um desfile de grandes diretores: os irmãos Coen na comédia “Queime Depois de Ler” (2008), o Fincher da delicadeza em “O Curioso Caso de Benjamin Button” (2008, segunda indicação ao Oscar), o Tarantino de “Bastardos Inglórios” (2009) — o tenente Aldo Raine e seu italiano inesquecível —, o Malick contemplativo de “A Árvore da Vida” (2011, Palma de Ouro em Cannes), e o Bennett Miller de “O Homem Que Mudou o Jogo” (Moneyball, 2011, terceira indicação ao Oscar) — Pitt transformando estatística de beisebol em drama shakespeariano. Ainda: “O Homem da Máfia” (2012), o blockbuster “Guerra Mundial Z” (2013), o tanque de “Corações de Ferro” (2014), “À Beira-Mar” (2015) e a ponta certeira em “A Grande Aposta” (2015). E em 2013, o marco como produtor: “12 Anos de Escravidão” venceu o Oscar de Melhor Filme com Pitt entre os produtores premiados — a Plan B deixava de ser hobby de astro para virar potência.
Fase 5 — O Oscar, o espaço e o recorde (2016–hoje)
Depois de “Aliados” (2016), “Máquina de Guerra” (2017) e do cameo suicida mais caro por segundo da história (o Desvanecedor de “Deadpool 2”, 2018), veio o ano perfeito: em 2019, o astronauta existencial de “Ad Astra” e o dublê Cliff Booth de “Era Uma Vez em… Hollywood” — finalmente, aos 56, o Oscar de ator, por um personagem que conserta antena sem camisa e enfrenta a Família Manson com um cachorro e uma lata de ração. Os anos 2020 trouxeram o assassino azarado de “Trem-Bala” (2022), o astro decadente de “Babilônia” (2022), a dobradinha com Clooney em “Wolfs” (2024) — e então o fenômeno: “F1” (2025), de Joseph Kosinski, filmado dentro dos fins de semana reais de GPs, que arrecadou mais de US$ 630 milhões (a maior bilheteria da carreira e o maior filme original do ano), levou 4 indicações ao Oscar — incluindo Melhor Filme — e venceu a estatueta de Melhor Som. Aos 60 e poucos, Pitt treinou pilotagem de verdade e entregou seu maior sucesso comercial. O terceiro ato está só esquentando.
📋 A filmografia completa — marque o que você já viu
1989–1993 — a revelação
▫️ 1989 — Cutting Class — Dwight
▫️ 1991 — Thelma & Louise — J.D. · Johnny Suede — Johnny
▫️ 1992 — Nada É Para Sempre — Paul Maclean · Coração Selvagem de Juventude (Cool World) — Frank
▫️ 1993 — Kalifornia — Early Grayce · Amor à Queima-Roupa — Floyd
1994–1999 — o astro total
▫️ 1994 — Entrevista com o Vampiro — Louis · Lendas da Paixão — Tristan
▫️ 1995 — Se7en: Os Sete Crimes Capitais — Det. Mills · Os 12 Macacos — Jeffrey Goines ⭐ indicação ao Oscar
▫️ 1996 — Sleepers: A Vingança Adormecida — Michael
▫️ 1997 — Sete Anos no Tibet — Heinrich Harrer · Inimigo Íntimo — Rory
▫️ 1998 — Encontro Marcado — Joe Black
▫️ 1999 — Clube da Luta — Tyler Durden
2000–2007 — o rei da matilha
▫️ 2000 — Snatch: Porcos e Diamantes — Mickey
▫️ 2001 — O Mexicano — Jerry · Jogo de Espiões — Tom Bishop · Onze Homens e um Segredo — Rusty Ryan
▫️ 2003 — Simbad: A Lenda dos Sete Mares — voz de Simbad
▫️ 2004 — Troia — Aquiles · Doze Homens e Outro Segredo — Rusty
▫️ 2005 — Sr. & Sra. Smith — John Smith
▫️ 2006 — Babel — Richard
▫️ 2007 — Treze Homens e um Novo Segredo — Rusty · O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford — Jesse James 🏅 melhor ator em Veneza
2008–2015 — o ator dos autores
▫️ 2008 — Queime Depois de Ler — Chad · O Curioso Caso de Benjamin Button — Benjamin ⭐ indicação ao Oscar
▫️ 2009 — Bastardos Inglórios — Ten. Aldo Raine
▫️ 2010 — Megamente — voz de Metro Man
▫️ 2011 — A Árvore da Vida — Sr. O’Brien · O Homem Que Mudou o Jogo — Billy Beane ⭐ indicação ao Oscar
▫️ 2012 — O Homem da Máfia — Jackie Cogan
▫️ 2013 — Guerra Mundial Z — Gerry Lane · 12 Anos de Escravidão — Bass 🏆 OSCAR DE MELHOR FILME (produtor) · O Conselheiro do Crime — Westray
▫️ 2014 — Corações de Ferro — Wardaddy
▫️ 2015 — À Beira-Mar — Roland · A Grande Aposta — Ben Rickert
2016–hoje — o Oscar e o recorde
▫️ 2016 — Aliados — Max Vatan
▫️ 2017 — Máquina de Guerra — Gen. McMahon
▫️ 2018 — Deadpool 2 — o Desvanecedor (cameo)
▫️ 2019 — Era Uma Vez em… Hollywood — Cliff Booth 🏆 OSCAR DE ATOR COADJUVANTE · Ad Astra: Rumo às Estrelas — Roy McBride
▫️ 2022 — Trem-Bala — Ladybug · Babilônia — Jack Conrad
▫️ 2024 — Wolfs — o “faz-tudo” (com George Clooney)
▫️ 2025 — F1: O Filme — Sonny Hayes 🏆 maior bilheteria da carreira (US$ 630+ mi) · Oscar de Melhor Som · indicação a Melhor Filme
🔜 25/11/2026 — As Aventuras de Cliff Booth — o evento do ano: roteiro de Tarantino (o primeiro dele desde 2019), direção de David Fincher (a quarta parceria com Pitt, depois de Se7en, Clube da Luta e Benjamin Button), US$ 200 milhões de orçamento — o mais caro da carreira dos dois. Ambientado em 1977, oito anos depois do original, com Cliff virando “faz-tudo” dos estúdios; teaser revelado de surpresa no Super Bowl. Estreia exclusiva em IMAX por duas semanas antes de chegar à Netflix em 23/12.
🔜 Heart of the Beast — reencontro com David Ayer (de Corações de Ferro), ao lado de J.K. Simmons, previsto ainda para 2026.
🧠 Curiosidades de fã para fã
1) O jornalista que faltou dois créditos. Pitt cursou jornalismo com foco em publicidade no Missouri e abandonou tudo a duas matérias do diploma — trocou a redação pela estrada para LA. O AlexNews, portal tocado por um estudante de jornalismo, registra com simpatia de colega de curso: a profissão perdeu um repórter, mas o cinema agradece.
2) A aposta de Troia (revisitada). O trato com Eric Bana no duelo Aquiles × Heitor — multa em dólar por golpe acidental, sem dublês entre eles — terminou com o placar mais honroso da carreira do australiano: Pitt pagou, Bana saiu ileso e sem dever um centavo. O duelo, aliás, segue como referência de combate corpo a corpo — nossa filmografia do Bana conta a história completa.
3) A Plan B vale um museu. Poucos sabem, mas o maior legado de Pitt pode ser atrás das câmeras: sua produtora emplacou três vencedores do Oscar de Melhor Filme (Os Infiltrados, 12 Anos de Escravidão e Moonlight) e uma prateleira de obras essenciais — Selma, A Grande Aposta, Minari, She Said, Entre Mulheres. O galã virou o curador mais influente de Hollywood.
4) Rusty está sempre comendo. A piada interna da trilogia Ocean’s é real: Pitt sugeriu que seu personagem estivesse comendo em praticamente todas as cenas, porque num esquema daqueles ninguém teria tempo de parar para uma refeição. Reveja e repare: camarão, espetinho, sorvete…
5) O piloto sexagenário. Para “F1”, Pitt passou por meses de treinamento real de pilotagem e dirigiu carros de corrida adaptados dentro de fins de semana reais de Grande Prêmio, com as câmeras embarcadas — aos 60+. O resultado: crítica e público renderam-se, e o Oscar de Melhor Som coroou o filme que colocou o espectador dentro do cockpit.
Por onde começar (ou continuar)
O essencial noventista é a sessão dupla Se7en + Clube da Luta (a dupla Pitt-Fincher em estado bruto); a atuação para descobrir é O Assassinato de Jesse James; o Oscar se explica em Era Uma Vez em… Hollywood; o fenômeno atual, F1, está no streaming da Apple — e novembro guarda o evento Cliff Booth pra fechar o ano. Enquanto isso, complete a coleção da série: Eric Bana e Charlize Theron já estão na estante. Tem um nome pra próxima? Manda pra gente.
📰 Fontes: filmografia consolidada a partir dos registros públicos da carreira; Wikipedia, Rolling Stone Brasil, Cinebuzz e Collider (produção, orçamento e datas de As Aventuras de Cliff Booth; bilheteria e premiações de F1); Deadline (declarações de Pitt e Tarantino); histórico da Plan B Entertainment. Terceiro artigo da série Filmografia Completa do AlexNews. Publicado em 14 de julho de 2026.
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