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Greve da CPTM: a cronologia da crise e os números que governo e sindicato não fecham

Alex News — Greve da CPTM: a cronologia da crise e os números que governo e sindicato não fecham — Cidades

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A greve que parou parte das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade nesta terça-feira (4) não é um episódio isolado. É o capítulo mais recente de uma crise que começou num leilão em março de 2025, passou por um incêndio dentro de um vagão e chegou a um impasse em que governo e sindicato divergem até sobre quantos empregos estão realmente em risco.

Enquanto os passageiros da Zona Leste e da Grande São Paulo procuravam alternativas, os ferroviários se reuniram em nova assembleia na tarde desta terça para decidir se mantinham a paralisação. A categoria condicionou a decisão à apresentação de uma proposta formal pelo Governo do Estado.

Como se chegou até aqui

A cronologia ajuda a entender por que a paralisação estourou agora, e não antes.

Março de 2025 — O Governo de São Paulo leiloa as três linhas. O Grupo Comporte Participações vence o certame com a promessa de investir R$ 14,3 bilhões em modernização e novas estações, num contrato de 25 anos.

21 de julho de 2026 — Depois de uma transferência gradual, a concessionária Trivia Trens assume integralmente a operação dos três ramais.

23 de julho — Um curto-circuito provoca incêndio em um vagão da Linha 12-Safira. O episódio se soma a atrasos sucessivos registrados nos primeiros dias de operação privada.

24 de julho — A Artesp, agência reguladora dos transportes paulistas, intervém e determina que a CPTM retome o controle das três linhas por 90 dias, para ajustes de segurança.

3 de agosto — Reunião entre sindicato e governo termina sem acordo. Em assembleia à noite, a categoria aprova a greve.

4 de agosto, 0h — A paralisação começa.

É essa reversão temporária — a operação de volta às mãos da estatal, mas por prazo determinado — que criou o clima de insegurança. Os trabalhadores estão sob gestão pública hoje, sem saber o que acontece quando os 90 dias acabarem.

Os números que não fecham

Aqui está o ponto mais delicado da cobertura desta greve: as duas partes apresentam números diferentes sobre a mesma realidade. O AlexNews registra os dois lados, sem escolher um.

Quantos empregos estão em risco. O sindicato fala em 4.700 empregados ameaçados. O Governo do Estado informa que havia 4.648 funcionários em junho de 2026 e afirma que não há demissões em curso.

Onde estão esses trabalhadores. Segundo a nota oficial do governo, dos 4.648: 2.171 seguem na Linha 10-Turquesa; 475 permanecem nas linhas 11, 12 e 13, agora sob gestão da CPTM; 450 estão no Metrô; 177 negociam realocação para a Artesp e outros órgãos; 522 estão à disposição para novas cessões; e 853 atuam em áreas administrativas.

Quantos foram para a concessionária. O sindicato afirma que apenas 11% dos funcionários operacionais foram transferidos para a nova empresa. A Trivia Trens, por sua vez, sustenta ter renovado 90% dos profissionais nas frentes de operação e manutenção, com mais de 1.300 horas de treinamento para as novas equipes.

Quantos passageiros são afetados. Levantamentos citam cerca de 786,5 mil passageiros por dia nas três linhas somadas. A nota do governo fala em “quase 1 milhão”.

O projeto de lei no centro da disputa

Das três reivindicações da categoria, a mais concreta é a aprovação do Projeto de Lei nº 730/2025, em tramitação na Assembleia Legislativa de São Paulo.

O texto estabelece que empregados de estatais possam ser absorvidos por órgãos da administração direta ou indireta quando houver concessão, permissão ou parceria público-privada. Na prática, seria a garantia legal de que o ferroviário não fica sem emprego quando sua linha vai para a iniciativa privada.

As outras duas pautas são o cancelamento da concessão à Trivia Trens, com retorno definitivo das linhas ao Estado, e a manutenção de todos os postos de trabalho.

O diretor-executivo do sindicato, Luiz Barbosa Neto Júnior, resumiu por que a proposta do governo foi recusada na segunda-feira: a oferta era de mais 60 dias de conversa sobre a garantia de emprego, e a categoria não aceitou.

Governo trata a greve como política

O governador Tarcísio de Freitas adotou tom duro. Classificou a paralisação como “instrumentalização política” e afirmou que a “aposta na baderna” não vai intimidar a gestão estadual.

Na nota oficial, o Governo do Estado sustenta que a greve se baseia em desinformação, que a manutenção dos empregos foi garantida e comunicada ao sindicato na véspera, e que não há demissões em andamento — o que, na avaliação da gestão, retira o fundamento trabalhista do movimento.

O governo acusa ainda o sindicato de descumprir a liminar do Tribunal Regional do Trabalho, que exigia 80% do efetivo nos horários de pico e 60% nos demais períodos, sob multa diária de R$ 400 mil. O presidente da CPTM, Michael Cerqueira, afirmou que o número de trabalhadores em atividade ficou abaixo do mínimo determinado.

O sindicato responde que as propostas apresentadas não oferecem garantias concretas e que a greve é a última medida disponível para defender os postos de trabalho.

O tamanho do estrago no trânsito

Com o rodízio suspenso e os trens parciais, a manhã desta terça registrou pico de mais de 720 quilômetros de congestionamento na capital, segundo dados citados pelo próprio governo estadual.

O Estado acionou o Paese e disponibilizou 128 ônibus nos trechos mais críticos — entre Estudantes e Corinthians-Itaquera, e entre São Miguel Paulista e Calmon Viana. O Metrô antecipou a abertura de quatro linhas para as 4h e reforçou a circulação na Linha 3-Vermelha. A Polícia Militar aumentou o policiamento nos terminais de maior movimento.

Uma divergência sobre a Linha 13-Jade

Ao longo do dia, as informações sobre esse ramal não bateram entre si: parte dos boletins indicava operação suspensa, enquanto outros registravam circulação em todo o trajeto com velocidade reduzida. A situação pode ter mudado durante o dia. Antes de sair de casa, consulte os canais oficiais da CPTM.

O que observar a partir de agora

Três pontos definem os próximos dias.

A decisão da assembleia. Se a greve for mantida, a Prefeitura precisa emitir nova nota para que o rodízio siga suspenso na quarta-feira (5) — a suspensão de terça não se estende automaticamente. Quem tem placa final 5 ou 6 deve conferir antes de sair.

O projeto na Alesp. Enquanto o PL 730/2025 não for votado, a insegurança que motiva o movimento continua de pé, independentemente de acordo pontual.

O fim dos 90 dias. A operação emergencial da CPTM tem prazo. Quando ele terminar, a discussão sobre quem opera as linhas — e com quais trabalhadores — volta ao centro.

Fontes: Governo do Estado de São Paulo, CPTM, Artesp, Prefeitura de São Paulo, Tribunal Regional do Trabalho, Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil, Trivia Trens e imprensa especializada em transporte. Levantamento fechado às 19h de 4 de agosto de 2026. Onde governo e sindicato apresentam números diferentes, ambos foram registrados com sua atribuição.

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#CPTM#Greve#Rodízio SP#Transporte público#Trivia Trens