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As cidades mais pobres do Brasil: onde a renda por habitante é 100 vezes menor que no topo do país

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Se dez cidades concentram um quarto de toda a riqueza do Brasil, o outro extremo do mapa conta uma história muito diferente. Na base da pirâmide econômica está Manari, no sertão de Pernambuco: em 2023, o município teve o menor PIB por habitante do país, R$ 7.201,70 — cerca de 100 vezes menos que o topo do ranking e sete vezes e meia abaixo da média nacional, de R$ 53,9 mil. Os dados são da mesma pesquisa PIB dos Municípios 2022-2023 do IBGE, divulgada em dezembro de 2025.

⚠️ ANTES DA LISTA, UMA RESSALVA IMPORTANTE: PIB per capita não é sinônimo de pobreza, nem mede diretamente a renda das famílias. Ele divide toda a riqueza produzida no município pelo número de habitantes. Um lugar sem indústria, sem grande comércio e sem serviços movimenta pouco dinheiro no papel — mas isso descreve a economia local, não necessariamente as condições de vida de cada morador, que dependem também de aposentadorias, Bolsa Família e outras transferências que o indicador não captura por completo.

Os 5 menores PIBs per capita do Brasil (2023)

Estes são os cinco municípios com a menor renda por habitante do país divulgados pelo IBGE, do menor para o maior:

1️⃣ Manari (PE) — R$ 7.201,70
O menor PIB por habitante do Brasil. Localizado no sertão do Moxotó, em Pernambuco, é historicamente citado entre os municípios de menor desenvolvimento do país.

2️⃣ Nina Rodrigues (MA) — R$ 7.701,32
Primeiro dos quatro maranhenses na base do ranking nacional.

3️⃣ Matões do Norte (MA) — R$ 7.722,89
Segundo município do Maranhão entre os cinco menores.

4️⃣ Cajapió (MA) — R$ 8.079,74
Terceiro maranhense na lista.

5️⃣ São João Batista (MA) — R$ 8.246,12
Fecha o grupo dos cinco menores, o quarto do Maranhão.

O padrão salta aos olhos: quatro dos cinco municípios com menor PIB per capita do Brasil estão no Maranhão, e o único de fora, Manari, fica em Pernambuco. Todos no Nordeste, todos muito abaixo da média nacional.

Por que o AlexNews mostra 5, e não 10

Uma questão de transparência com o leitor: o IBGE, na divulgação da pesquisa, destacou nominalmente os cinco municípios com menor PIB per capita — não uma lista fechada de dez. Poderíamos preencher as posições de 6 a 10 com garimpo em bases secundárias, mas isso abriria margem para erro num tema sensível, que envolve o nome de cidades reais e de seus moradores. Preferimos publicar apenas o que a fonte oficial confirmou de forma inequívoca. Quando o IBGE disponibilizar o detalhamento completo, atualizamos esta reportagem.

O abismo em números

A distância entre os extremos do Brasil é difícil de imaginar. Enquanto Manari produziu R$ 7.201,70 por habitante em 2023, Saquarema (RJ), no topo do país, chegou a R$ 722,4 mil — puxada pelos royalties do petróleo. É uma diferença de cem vezes entre o maior e o menor PIB por habitante do território nacional. Entre as capitais, Brasília liderou com R$ 129.790,44; na outra ponta das capitais, Belém teve R$ 31,1 mil, o menor entre elas.

O que essas cidades têm em comum

Segundo o IBGE, os municípios com menor PIB por habitante compartilham um mesmo conjunto de características estruturais: baixa diversificação econômica, forte dependência de transferências públicas e acesso limitado a atividades produtivas de maior valor agregado. Em outras palavras, são economias sem indústria relevante, com agricultura de subsistência ou de baixa escala, comércio pequeno e poucos serviços — o que resulta em pouca riqueza gerada localmente, ainda que a renda das famílias seja parcialmente sustentada por benefícios sociais e aposentadorias.

Esse mesmo padrão ajuda a entender por que o Maranhão aparece com tanto peso nessa faixa. O estado combina, em muitos de seus municípios, economias pouco diversificadas com forte dependência do setor público — o retrato que o próprio instituto associa aos menores índices.

A desigualdade regional que o dado escancara

O contraste dentro do próprio Nordeste é ilustrativo. A mesma região que abriga os menores PIBs per capita do país tem, em Fortaleza, o maior PIB municipal nordestino — R$ 86,9 bilhões em 2023. Ou seja: a desigualdade brasileira não é só entre regiões, mas também dentro delas. Enquanto capitais e polos industriais concentram riqueza, municípios do interior com baixa densidade econômica ficam à margem — muitas vezes a poucas centenas de quilômetros de distância.

É o outro lado da história que as cidades mais ricas do Brasil contam: o mesmo país que tem um município produzindo R$ 1 trilhão por ano tem outros onde a economia inteira, dividida por morador, não chega a R$ 8 mil.

Um lembrete final sobre o número

Vale reforçar o que abre esta reportagem: uma cidade com PIB per capita baixo não é, automaticamente, uma cidade “mais pobre” em qualidade de vida do que outra com índice um pouco maior. O indicador mede geração de riqueza econômica, não bem-estar. Para avaliar condições de vida, é preciso olhar também para índices como o IDH municipal, cobertura de saneamento, acesso a saúde e educação — dados que o PIB, sozinho, não revela. Ainda assim, quando um município gera cem vezes menos riqueza por habitante que outro, o número diz algo real sobre as oportunidades disponíveis ali.


📰 Fonte: IBGE — pesquisa Produto Interno Bruto dos Municípios 2022-2023, divulgada em 19 de dezembro de 2025, referente ao ano de 2023. O instituto destacou nominalmente os cinco municípios com menor PIB per capita; esta reportagem se limita a esses dados oficiais. Valores conforme divulgação do IBGE. Este texto trata de PIB por habitante, indicador econômico que não deve ser confundido com medidas diretas de pobreza ou de desenvolvimento humano.

📌 Terceira reportagem da série “O Brasil em 10” do AlexNews. Na próxima segunda-feira: as menores cidades do país em população — municípios com menos habitantes que um prédio de São Paulo.

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