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O mapa dos 1.214 vulcões ativos do mundo — e a cada momento, entre 40 e 50 deles estão em erupção

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Existem 1.214 vulcões ativos no planeta, distribuídos por 88 países — e a cada momento, entre 40 e 50 deles estão em erupção. Agora, enquanto você lê esta frase.

Os números vêm do Global Volcanism Program, catálogo mantido pelo Instituto Smithsonian que documenta a atividade vulcânica dos últimos 12 mil anos. O AlexNews baixou a base completa — os 1.214 vulcões e as 9.918 erupções catalogadas — e montou o mapa que está nesta reportagem.

Mas o dado mais interessante do levantamento não é quantos vulcões existem. É o que acontece quando se compara o número de erupções registradas ao longo dos séculos com a intensidade delas.

1.214Vulcões ativoscom atividade nos últimos 12 mil anos
88Paísesabrigam ao menos um vulcão ativo
438Entraram em erupção desde 1900os mais monitorados hoje
9.918Erupções catalogadasregistro histórico e geológico

O mapa dos vulcões ativos

Cada ponto é um vulcão com atividade comprovada no Holoceno — os últimos 12 mil anos. A cor indica quando foi a última erupção conhecida, do vermelho, para os que entraram em erupção desde 1900, ao cinza, para aqueles cuja data não pôde ser determinada.

Use a busca para encontrar um vulcão ou um país, e clique em qualquer ponto para ver tipo, altitude, região vulcânica e a maior explosão já registrada ali.

Carregando o mapa dos vulcões…

Atenção a uma armadilha de linguagem. No catálogo do Smithsonian, “vulcão ativo” significa que houve erupção nos últimos 12 mil anos — não que ele esteja prestes a entrar em erupção. Um vulcão cuja última atividade foi no ano 3000 antes de Cristo aparece no mapa como ativo, e isso é tecnicamente correto. Dos 1.214, 438 entraram em erupção desde 1900: esses são os efetivamente monitorados hoje.

O gráfico que responde à pergunta errada

Quando se olha o número de erupções catalogadas por século, o resultado parece assustador. Foram 247 no século 16, 499 no século 18, e 2.957 no século 20 — quase doze vezes mais.

A conclusão intuitiva seria que o planeta está mais instável. Só que há um segundo número na mesma série que desmonta essa leitura.

Mais erupções registradas, erupções menores

Barras: erupções catalogadas por século · Linha: intensidade média (VEI) das que tiveram medição

Século 16: 247 erupções, VEI médio 2.41247séc. 16Século 17: 337 erupções, VEI médio 2.36337séc. 17Século 18: 499 erupções, VEI médio 2.1499séc. 18Século 19: 1.502 erupções, VEI médio 1.951.502séc. 19Século 20: 2.957 erupções, VEI médio 1.742.957séc. 20Século 21: 947 erupções, VEI médio 1.63947séc. 21VEI médio 2.412.41VEI médio 2.362.36VEI médio 2.12.1VEI médio 1.951.95VEI médio 1.741.74VEI médio 1.631.63
erupções registradasintensidade média (VEI)

O VEI é o Índice de Explosividade Vulcânica, escala de 0 a 8. A queda da média conforme os registros aumentam indica que passaram a ser catalogadas erupções pequenas que antes não eram observadas — e não que os vulcões tenham enfraquecido.

Enquanto o volume de registros disparava, a intensidade média das erupções caiu: de 2,41 no século 16 para 1,63 no século 21, na escala de explosividade vulcânica.

Se os vulcões estivessem realmente mais ativos, seria de esperar que a intensidade média se mantivesse ou crescesse. O que os dados mostram é o contrário — e a explicação é simples: passamos a registrar as erupções pequenas.

Uma erupção de nível 1 ou 2 numa ilha remota do Pacífico, em 1650, não entrava em catálogo nenhum. Hoje é detectada por satélite, fotografada e reportada em horas. As grandes sempre foram registradas, porque escureciam o céu e matavam gente. As pequenas só passaram a existir estatisticamente quando ganhamos instrumentos para vê-las.

O Smithsonian responde à pergunta de forma direta em seu próprio site: a atividade vulcânica está aumentando? Não.

É o mesmo fenômeno que o AlexNews já havia identificado ao mapear os tornados no Brasil: mais registros não significam mais eventos. Significam mais olhos.

Onde estão os vulcões

A distribuição não é aleatória. Os vulcões se concentram nas bordas das placas tectônicas, e o Cinturão de Fogo do Pacífico — o arco que vai do Chile ao Alasca, atravessa a Ásia e desce até a Nova Zelândia — reúne sozinho cerca de 57% dos vulcões ativos do mundo, distribuídos por 41 regiões vulcânicas.

Os países com mais vulcões ativos

Vulcões com atividade no Holoceno

Estados Unidos165
Japão105
Indonésia101
Rússia95
Chile66
Etiópia45
Papua-Nova Guiné39
Equador35
Islândia35
México29
Canadá24
Nova Zelândia23

Os Estados Unidos lideram a lista, mas por uma razão geográfica específica: o Alasca, com sua longa cadeia de ilhas Aleutas, concentra a maior parte deles. Japão, Indonésia, Rússia e Chile completam o topo — todos sobre o Cinturão de Fogo.

A Etiópia aparece em sexto por outro motivo: o Vale do Rift, onde a placa africana está literalmente se partindo em duas, num processo que ao longo de milhões de anos deve criar um novo oceano.

Mais da metade dos vulcões catalogados são estratovulcões — aquele formato cônico clássico, construído por camadas sucessivas de lava e cinza. São também os mais perigosos: a lava viscosa entope o conduto e a pressão se acumula até a explosão.

As erupções que mudaram o clima do planeta

A escala usada para medir erupções é o Índice de Explosividade Vulcânica, o VEI, que vai de 0 a 8. Ela é logarítmica: cada ponto representa cerca de dez vezes mais material expelido.

As maiores erupções catalogadas

Erupções de VEI 6 ou mais no registro do Holoceno

VulcãoAnoVEI
Tambora18127
Rinjani12577
Santorini1610 a.C.7
Blanco, Cerro2300 a.C.7
Kikai4350 a.C.7
Crater Lake5680 a.C.7
Kurile Lake6440 a.C.7
Pinatubo19916
Novarupta19126
Santa Maria19026
Krakatau18836
Long Island16606

Cada ponto do VEI representa cerca de dez vezes mais material expelido. Erupções de VEI 8, as chamadas supererupções, não ocorrem há dezenas de milhares de anos.

No catálogo do Holoceno inteiro, apenas sete erupções alcançaram VEI 7. A mais recente foi a do Tambora, na Indonésia, em 1815 — e suas consequências entraram para a história por um apelido: o ano sem verão.

A quantidade de material lançado na atmosfera bloqueou parte da radiação solar e derrubou as temperaturas no hemisfério norte em 1816. Houve neve em junho na Nova Inglaterra, quebra de safra na Europa, fome e migração em massa. Foi durante aquele verão sombrio, preso dentro de casa na Suíça, que Mary Shelley escreveu Frankenstein.

Antes dele, o Rinjani, em 1257, também indonésio, produziu outro VEI 7 associado a anomalias climáticas registradas em crônicas medievais europeias.

Entre as erupções do século 20, a mais forte foi a do Pinatubo, nas Filipinas, em 1991, um VEI 6 que reduziu a temperatura média global em cerca de meio grau por dois anos.

E os supervulcões?

O termo aparece com frequência em manchetes alarmistas, e merece precisão.

Supervulcão é o nome informal dado a estruturas capazes de produzir uma erupção de VEI 8 — o topo da escala, com mais de mil quilômetros cúbicos de material expelido. Yellowstone, nos Estados Unidos, Toba, na Indonésia, e Taupo, na Nova Zelândia, estão entre os mais conhecidos.

Duas informações precisam acompanhar qualquer menção a eles.

A primeira: não há registro de erupção VEI 8 no Holoceno. A última supererupção conhecida ocorreu em Taupo, há cerca de 26 mil anos. A de Toba, há aproximadamente 74 mil anos, é apontada por alguns pesquisadores como tendo reduzido drasticamente a população humana da época — hipótese debatida, não consenso.

A segunda: a presença de uma caldeira gigante não indica erupção iminente. Yellowstone é monitorado continuamente pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos, que mantém posição pública clara de que não há sinal de erupção próxima. O intervalo entre suas grandes erupções é medido em centenas de milhares de anos.

No mapa desta reportagem, os vulcões que já produziram erupções de escala colossal aparecem com contorno escuro e marcação própria. São doze — e nenhum deles está em atividade eruptiva de grande porte hoje.

O que a ciência consegue prever

Diferentemente dos terremotos, erupções vulcânicas costumam dar sinais antes. Aumento da sismicidade local, deformação do solo, mudança na composição dos gases emitidos e alterações no campo magnético são indicadores que os observatórios acompanham.

Isso permite evacuações que salvam milhares de vidas. No Pinatubo, em 1991, o monitoramento antecipado permitiu retirar dezenas de milhares de pessoas antes da erupção principal.

O que a vulcanologia ainda não consegue é precisar quando e com que intensidade. Um vulcão pode dar sinais de inquietação por meses e voltar a se acalmar sem erupção — o que torna a decisão de evacuar sempre difícil, com custo alto tanto no erro para mais quanto no erro para menos.

Fonte: Global Volcanism Program, 2026. Volcanoes of the World, Smithsonian Institution. Base de vulcões e de erupções do Holoceno consultada em 11 de agosto de 2026. O catálogo é atualizado continuamente pela instituição; os números desta reportagem refletem a versão consultada nessa data. A classificação por período da última erupção foi feita pelo AlexNews a partir do campo de última erupção conhecida do catálogo original.

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