📅 quarta-feira, 8 de julho de 2026
Esportes

O México e as Copas: por que o país-sede sempre para nas oitavas — e como 2026 quase mudou a história

Poucos países vivem o futebol com a intensidade do México — e poucos carregam uma relação tão particular com a Copa do Mundo. Sede em 1970, 1986 e agora, em 2026, o país é um dos organizadores mais experientes da história do torneio. Mas há um paradoxo: essa tradição de anfitrião nunca se traduziu em uma campanha de protagonismo dentro de campo. A eliminação para a Inglaterra, no domingo (5), reacendeu o debate.

Um país que sabe receber a Copa

O México é o primeiro país a sediar três Copas do Mundo masculinas. Em 1970, o Estádio Azteca foi palco de um dos torneios mais míticos da história, coroado pelo tricampeonato do Brasil de Pelé. Em 1986, o país assumiu a organização às pressas (após a Colômbia desistir) e entregou um Mundial memorável, imortalizado pela “Mão de Deus” e pelo gol de placa de Maradona contra a Inglaterra — no mesmo Azteca. Em 2026, o México divide a organização com Estados Unidos e Canadá, na primeira Copa com três países-sede e 48 seleções.

A “maldição do quinto jogo”

Apesar da tradição como anfitrião, a seleção mexicana convive com uma barreira histórica que os torcedores apelidaram de “maldição do quinto jogo”: a dificuldade de passar das oitavas de final. O melhor desempenho do país em Copas foram as quartas de final de 1970 e 1986 — nas duas vezes, jogando em casa. Fora do México, a seleção acumulou uma sequência de quedas na primeira fase do mata-mata, edição após edição, transformando as oitavas numa espécie de teto invisível.

2026: perto de quebrar o tabu

Nesta Copa, o México chegou embalado. Fez a melhor fase de grupos de sua história — nove pontos em nove possíveis, com três vitórias e nenhum gol sofrido, superando África do Sul, Tchéquia e Coreia do Sul. Depois, bateu o Equador nos 16-avos e, enfim, voltou a disputar o “quinto jogo” pela primeira vez desde 1986. A expectativa da torcida no Azteca era enorme: a chance de igualar a melhor campanha da história parecia real.

A queda diante da Inglaterra

Mas a história não se repetiu. No domingo (5), diante da Inglaterra de Thomas Tuchel, o México perdeu por 3 a 2, num jogo dramático que começou com uma hora de atraso por causa de uma tempestade sobre a Cidade do México. Os anfitriões dominaram — terminaram com 66% de posse de bola —, mas sofreram dois gols de Bellingham ainda no primeiro tempo. Mesmo com a Inglaterra reduzida a dez jogadores no segundo tempo (expulsão de Quansah), e com um pênalti convertido por Raúl Jiménez que reacendeu a esperança, o time de Javier Aguirre não conseguiu o empate. Foi a primeira derrota do México no Estádio Azteca em toda a história das Copas do Mundo — um dado que resume o tamanho da decepção. O atacante Quiñones, com quatro gols, igualou um recorde mexicano numa única edição, mas o brilho individual não bastou.

O que fica

A eliminação nas oitavas mantém, por ora, a “maldição” de pé — mas a campanha de 2026 deixou sinais de evolução: a solidez defensiva na fase de grupos e a competitividade contra uma seleção de peso mostram um México menos frágil. Para um país que respira futebol e que volta a ser vitrine mundial, o desafio segue o mesmo de sempre: transformar a paixão das arquibancadas e a experiência de organizar Copas em resultado dentro das quatro linhas.

Fontes: FIFA, Exame, CNN Brasil e imprensa esportiva, consultados em 6 de julho de 2026. Dados históricos das Copas de 1970, 1986 e 2026.

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