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Você vai votar em dois senadores em outubro: as 54 vagas que redefinem o Senado

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Em 4 de outubro, o eleitor brasileiro vai votar em dois nomes para o Senado — e não em um, como aconteceu na eleição passada.
São 54 cadeiras em disputa, dois terços da Casa, na maior renovação possível do Senado Federal em uma única eleição.

É um detalhe do calendário eleitoral que passa despercebido a cada oito anos e que tem consequência direta sobre a governabilidade do próximo presidente, seja ele quem for.

Por que dois e não um

A Constituição estabelece que cada estado e o Distrito Federal elegem três senadores, com mandatos de oito anos. Como as eleições gerais acontecem a cada quatro, a renovação é alternada: numa eleição vai um terço da Casa, na seguinte vão dois terços.

Em 2022, o eleitor escolheu um senador por estado — 27 vagas. Em 2026, escolhe dois — 54 vagas, com 81 senadores no total.

Na prática, isso significa que a maioria absoluta do Senado será redefinida nesta eleição. E como o mandato é de oito anos, quem for eleito agora fica até 2035.

O que o Senado decide e o presidente não

A relevância dessas 54 cadeiras vai além da aritmética. O Senado tem atribuições que nenhuma outra instância da República exerce.

Aprova ministros do Supremo. Toda indicação ao STF passa por sabatina e votação no Senado. Um presidente sem maioria ali tem dificuldade real de compor a Corte.

Julga pedidos de impeachment de ministros do Supremo e do próprio presidente da República.

Aprova indicações para o Banco Central, agências reguladoras, tribunais superiores e embaixadas.

Autoriza operações de crédito externo dos estados e da União.

É por isso que os dois principais campos da disputa presidencial trataram o Senado como prioridade nas convenções, e por que vários partidos que declararam neutralidade na corrida presidencial o fizeram justamente para concentrar esforços nas disputas estaduais.

Quem já apareceu

O quadro ainda está se formando — e é importante dizer com todas as letras que este levantamento está incompleto. As convenções terminaram em 5 de agosto, mas os partidos têm até as 19h de 15 de agosto para protocolar os pedidos de registro nos Tribunais Regionais Eleitorais.

Só depois disso o quadro fica completo e público, no sistema DivulgaCand do TSE.

Carregando o mapa…

Nos estados já levantados, o volume chama atenção. O Rio de Janeiro tem 17 nomes anunciados para duas vagas. Minas Gerais tem 11. Pernambuco, também 11 — nove homens e duas mulheres.

Se essa proporção se confirmar nos 27 estados, a disputa pelo Senado deve reunir várias centenas de candidatos em todo o país.

São Paulo: duas ex-senadoras que representaram outros estados

A chapa paulista traz uma peculiaridade que vale registrar. Simone Tebet, que foi senadora por Mato Grosso do Sul entre 2015 e 2023, e Marina Silva, que representou o Acre no Senado por dois mandatos, entre 1995 e 2011, disputam agora as vagas de São Paulo, ambas na chapa encabeçada por Fernando Haddad.

As duas transferiram domicílio eleitoral para o estado — procedimento legal, previsto na legislação eleitoral, que exige domicílio na circunscrição por prazo mínimo antes do pleito.

Do outro lado, a federação PSDB-Cidadania, que apoia a reeleição de Tarcísio de Freitas, indicou Soninha Francine ao Senado.

O retorno dos ex-senadores

Um levantamento do Congresso em Foco identificou que ao menos vinte ex-senadores tentam voltar à Casa nesta eleição.

O fenômeno tem explicação: mandato de oito anos, com atribuições de peso e visibilidade nacional, torna a cadeira uma das mais disputadas do sistema político brasileiro. Para quem já exerceu o cargo, o retorno costuma ser mais viável que a disputa por um governo estadual ou uma vaga na Câmara.

No Rio de Janeiro, por exemplo, Marcelo Crivella — senador entre 2003 e 2017, ministro no governo Dilma e prefeito da capital entre 2017 e 2020 — está entre os nomes anunciados.

Como acompanhar sem se perder

Você vota em dois. Na urna, a tela do Senado pedirá dois números diferentes. Votar duas vezes no mesmo candidato anula os dois votos.

Cada candidato leva dois suplentes. Eles assumem se o titular se licenciar ou deixar o cargo — e é comum que assumam. Vale conhecer quem são.

Ninguém é candidato antes do registro. Até 15 de agosto, os nomes divulgados são pré-candidaturas homologadas em convenção. A condição de candidato começa com o protocolo do pedido na Justiça Eleitoral.

O registro é no TRE, não no TSE. Só presidente e vice registram no Tribunal Superior Eleitoral. Senador, governador e deputados registram nos tribunais regionais de cada estado.

Este mapa será atualizado

O levantamento acima reúne o que foi possível apurar na imprensa até 12 de agosto, e a maior parte dos estados ainda aparece como pendente — o que significa que não foram levantados, não que não tenham candidatos.

A partir de 16 de agosto, com o encerramento do prazo de registro, o AlexNews vai substituir esta apuração pelos dados oficiais do DivulgaCand, que trazem nome, número, partido, coligação, suplentes, bens declarados e certidões de cada candidatura.

É a mesma metodologia aplicada ao mapa dos governos estaduais: apuração própria enquanto a fonte primária não está disponível, e substituição pela fonte oficial assim que ela abre.

Levantamento fechado em 12 de agosto de 2026, a partir da cobertura da imprensa regional e nacional sobre as convenções partidárias. Deliberadamente incompleto: o quadro definitivo será conhecido após o encerramento do prazo de registro, em 15 de agosto às 19h. Base legal: Constituição Federal, artigo 46, e Lei nº 9.504/1997.

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Comentários 1

  • Ricardo NevesBelo Horizonte

    Poderiam fazer mais matérias instrutivas como essa? Parabéns pelo site.

    Resposta da redação

    Sim, faremos mais matérias do gênero. Obrigado por sua audiência!

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