A três meses da eleição de 4 de outubro, o tabuleiro presidencial de 2026 já está praticamente montado. São 13 pré-candidatos apresentados pelos partidos — de nomes que lideram as pesquisas a legendas que historicamente não passam de 1%. Este guia apresenta todos, com partido, trajetória e o que dizem as pesquisas mais recentes, além do contexto jurídico que cerca algumas das candidaturas.
Um lembrete importante de método: pré-candidato não é candidato. As candidaturas só se tornam oficiais nas convenções partidárias, que ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto, e o registro na Justiça Eleitoral vai até 15 de agosto. Até lá, nomes podem entrar, sair ou trocar de posição — foi o que já aconteceu com vários ao longo de 2026.
A lista de relance
| Pré-candidato | Partido | Pesquisa (jul/26) | Situação |
|---|---|---|---|
| Lula da Silva | PT | 46,3% | Reeleição, 4º mandato |
| Flávio Bolsonaro | PL | 36,6% | Indicado pelo pai inelegível |
| Renan Santos | Missão | 7,8% | Surpresa em 3º lugar |
| Ronaldo Caiado | PSD | 2,9% | Governador de Goiás |
| Romeu Zema | Novo | 2,0% | Ex-governador de Minas |
| Joaquim Barbosa | DC | — | Ex-ministro do STF (novo nome) |
| Augusto Cury | Avante | — | Escritor |
| Cabo Daciolo | Mobiliza | — | Ex-deputado federal |
| Edmilson Costa | PCB | — | Economista |
| Hertz Dias | PSTU | — | Professor e ativista |
| Rui Costa Pimenta | PCO | — | Presidente do partido |
| Samara Martins | UP | — | Dentista, vice-presidente da UP |
| Aldo Rebelo | DC | — | Reintegrado pela Justiça, disputa a legenda |
Os favoritos: a polarização que lidera as pesquisas
1. Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
O atual presidente busca um quarto mandato, o que seria inédito na história do país. Metalúrgico e líder sindical nas greves do ABC paulista no fim dos anos 1970, Lula participou da fundação do PT na redemocratização e já governou de 2003 a 2010 e desde 2023. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações que sofrera na Operação Lava Jato, por considerar que houve parcialidade na condução dos processos — o que lhe devolveu os direitos políticos. Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg de 1º de julho, lidera o primeiro turno com 46,3%.
2. Flávio Bolsonaro (PL)
Senador pelo Rio de Janeiro, Flávio foi escolhido em dezembro de 2025 pelo próprio pai, Jair Bolsonaro, para representar o campo bolsonarista. A escolha se deu porque o ex-presidente está inelegível até 2030 — por decisão do Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder político — e, desde setembro de 2025, cumpre pena após condenação pelo STF por envolvimento na tentativa de golpe de 2022-2023. Flávio aparece em segundo lugar, com 36,6% no mesmo levantamento, e desponta como principal nome da oposição.
O terceiro caminho e os governadores
3. Renan Santos (Missão)
Cofundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos lançou sua pré-candidatura pelo Missão, legenda idealizada por integrantes do próprio MBL. É a surpresa das pesquisas recentes: subiu para 7,8% na AtlasIntel de julho, assumindo a terceira posição, à frente de governadores mais conhecidos.
4. Ronaldo Caiado (PSD)
Governador de Goiás, Caiado foi confirmado pelo PSD após vencer uma disputa interna contra Eduardo Leite (RS) e a desistência de Ratinho Júnior (PR). Defende a pacificação do país e a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Marca 2,9% nas pesquisas mais recentes.
5. Romeu Zema (Novo)
Ex-governador de Minas Gerais, Zema lançou seu nome pelo Novo com o discurso de redução do Estado. Aparece com cerca de 2% das intenções de voto.
A disputa jurídica no Democracia Cristã
6. Joaquim Barbosa (DC)
Jurista e ex-ministro do STF (2003-2014), Joaquim Barbosa ganhou projeção nacional como relator do processo do Mensalão e presidiu a Corte entre 2012 e 2014. Foi anunciado pelo Democracia Cristã em 16 de maio de 2026 como pré-candidato, no lugar de Aldo Rebelo. Seu nome ainda não foi testado nas pesquisas de intenção de voto.
7. Aldo Rebelo (DC)
Aqui está um dos nós jurídicos mais curiosos da pré-campanha. Jornalista e ex-deputado federal por São Paulo, Rebelo foi inicialmente lançado pelo DC, depois substituído por Barbosa e, em 27 de maio, expulso do partido. Em 10 de junho, porém, a Justiça suspendeu a expulsão e determinou sua reintegração. Rebelo afirma que manterá a pré-candidatura até a convenção, “mesmo que tenha que judicializar”. A situação segue em análise pelos tribunais — e ilustra como disputas internas de partido podem parar no Judiciário. Por isso ele figura na lista, ainda que sem apoio do comando da legenda.
Os nomes de menor envergadura eleitoral
8. Augusto Cury (Avante)
Psiquiatra e escritor de best-sellers de autoajuda, como “O Vendedor de Sonhos”, Cury foi lançado pelo Avante com o discurso de superar a polarização entre PT e bolsonarismo.
9. Cabo Daciolo (Mobiliza)
Ex-deputado federal e já candidato a presidente em 2018, Daciolo filiou-se ao Mobiliza em abril de 2026 para disputar novamente. Conhecido pelo estilo enfático e pelas bandeiras patrióticas e religiosas.
10. Edmilson Costa (PCB)
Economista e secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro, foi lançado pela legenda em fevereiro com a proposta de “romper com a velha ordem oligárquica”.
11. Hertz Dias (PSTU)
Professor de História da rede pública em São Luís (MA), ativista do movimento negro e do hip-hop, Hertz Dias é militante do PSTU desde 2010 e foi candidato a vice na chapa do partido em 2018.
12. Rui Costa Pimenta (PCO)
Presidente do Partido da Causa Operária desde 1995, é figura recorrente das eleições presidenciais, representando a esquerda trotskista.
13. Samara Martins (UP)
Dentista e vice-presidente nacional do Unidade Popular, atua no Movimento de Mulheres Olga Benário. Na eleição passada, o UP obteve 0,05% dos votos válidos.
O que ainda pode mudar
O quadro de 2026 tem uma peculiaridade: os grandes partidos definiram seus nomes com meses de antecedência, antes mesmo do prazo formal. Mas a pré-campanha ainda reserva definições — a começar pela disputa interna do DC, que só a convenção (e possivelmente a Justiça) resolverá. Nomes como Ciro Gomes, que chegou a ser cortejado pelo PSDB, já optaram por outros caminhos: o ex-ministro decidiu, em maio, concorrer ao governo do Ceará.
As intenções de voto citadas são da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 1º de julho de 2026. Pesquisas eleitorais são retratos de um momento e têm margem de erro; não são previsões de resultado. As candidaturas só serão oficializadas após as convenções partidárias.
