Dois terremotos de forte magnitude, em sucessão de menos de um minuto, atingiram o centro-norte da Venezuela em 24 de junho e provocaram a maior tragédia sísmica da história recente do país. O balanço oficial mais recente, divulgado em 3 de julho pela presidente interina Delcy Rodríguez, aponta 2.595 mortos e 12.400 feridos. Os tremores foram sentidos até no Norte do Brasil.
O que aconteceu
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o primeiro abalo ocorreu às 22h04 (UTC) de 24 de junho, com magnitude 7,2 e epicentro a 24 km de San Felipe, no estado de Yaracuy, a cerca de 22 km de profundidade. Apenas 38 segundos depois, um segundo tremor, de magnitude 7,5 e mais raso (10 km de profundidade), atingiu a região próxima a Morón, no estado de Carabobo. A combinação de dois eventos fortes em rápida sucessão ampliou os danos.
A região metropolitana de Caracas e o estado de La Guaira concentraram a maior destruição. Prédios residenciais, comerciais e de escritórios desabaram ou foram evacuados, e as equipes de resgate trabalharam por dias seguidos em busca de sobreviventes sob os escombros.
Por que a Venezuela treme
O norte da Venezuela está sobre uma fronteira tectônica complexa, onde a Placa do Caribe encontra a Placa Sul-Americana. Segundo a Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas (FUNVISIS), essa interação origina uma ampla zona de falhas ativas no norte do país — a mesma que produziu, desde 24 de junho, mais de 780 réplicas registradas até o início de julho.
O reflexo no Brasil
Os abalos foram sentidos além das fronteiras venezuelanas — na Colômbia, no Caribe e no Norte do Brasil. Moradores de Manaus relataram ter sentido o tremor, e em Belém houve evacuações preventivas de prédios em alguns bairros. Não há registro de danos em território brasileiro; a distância e a profundidade dos abalos fizeram com que, aqui, o efeito se limitasse à percepção do movimento em edifícios altos.
A dimensão dos danos
As estimativas de prejuízo variam conforme a metodologia. Uma agência da ONU estimou os danos em torno de 37 bilhões de dólares, enquanto a empresa de modelagem de riscos Verisk projetou perdas econômicas acima de 10 bilhões de dólares, concentradas na região de Caracas e em La Guaira, onde cerca de 1.400 edifícios teriam sido destruídos. A Verisk ressalvou que a incerteza é maior que o habitual, dada a baixa penetração de seguros e as particularidades do mercado venezuelano.
É importante registrar, com transparência, que os números da tragédia apresentaram divergências entre fontes ao longo dos dias — algo comum em catástrofes de grande escala, quando balanços oficiais, estimativas de organismos internacionais e listas informais de desaparecidos convivem e são revisados. Os dados aqui apresentados seguem o balanço oficial e as fontes técnicas (USGS, FUNVISIS, ONU) disponíveis até o início de julho.
Reportagem baseada em dados do USGS, da FUNVISIS, de agências da ONU e do balanço oficial venezuelano divulgado até 3 de julho de 2026. Números de vítimas em catástrofes são revisados com frequência à medida que as buscas avançam.
