⏳ Áudio em breve
Quatro em cada dez eleitores não souberam dizer um nome
A Quaest ouviu 2.004 pessoas entre 30 de agosto e 1º de setembro. O placar do primeiro turno é Lula 37% e Flávio Bolsonaro 30%. Só que o número que mais diz sobre esta eleição não é nenhum dos dois.
Quando o entrevistador mostra a lista de candidatos e pede para escolher, quase todo mundo escolhe. Quando ninguém mostra lista nenhuma e a pessoa precisa lembrar de um nome sozinha, 42% não conseguem.
Faltam 32 dias. É gente que já viu horário eleitoral na televisão e já ouviu falar do debate, e que mesmo assim, parada na rua e perguntada em quem vota para presidente, não tem resposta pronta na cabeça.
Guarde esse número. Ele explica quase tudo que vem depois.
Como ficou o primeiro turno
Esta é a pesquisa com a lista na mão, que é a forma como quase todo mundo divulga:
Lula (PT) 37%
Flávio Bolsonaro (PL) 30%
Augusto Cury (Avante) 10%
Renan Santos (Missão) 3%
Ronaldo Caiado (PSD) 1%
Romeu Zema (Novo) 1%
Pablo Marçal (PRTB) 1%
Brancos, nulos e quem disse que não vai votar somam 7%. Indecisos, 10%. Os outros seis candidatos não pontuaram.
O instituto testou ainda a mesma pergunta sem Marçal, que está inelegível. Nesse caso Flávio cai para 29%, Lula e Cury ficam iguais, e Samara Martins (UP) aparece com 1%.
Cinco simulações de segundo turno
A Quaest testou Lula contra cinco adversários. Ele ganha em todas, com folgas bem diferentes.
⚖️ Contra Flávio Bolsonaro
Lula 42%, Flávio 41%. Um ponto de diferença, com margem de erro de dois. Ou seja, empate.
🆕 Contra Augusto Cury
Lula 40%, Cury 34%. É a primeira vez que Cury é testado num segundo turno, e ele já chega mais perto que três adversários mais antigos.
🏥 Contra Ronaldo Caiado
Lula 42%, Caiado 37%. Cinco pontos.
📣 Contra Renan Santos
Lula 43%, Renan 36%. Sete pontos.
🟠 Contra Romeu Zema
Lula 44%, Zema 33%. Onze pontos, a maior distância das cinco.
🚫 O voto que ninguém leva
Brancos, nulos e quem não pretende votar vão de 13% no confronto com Flávio até 21% no confronto com Cury. É gente que aparece na pesquisa e não aparece para nenhum dos dois lados.
Por que saíram manchetes com números diferentes
Nesta quarta apareceu gente dizendo que os indecisos são 10% e gente dizendo que são 42%. Os dois estão certos, e a explicação é simples.
🗣️ Duas perguntas diferentes, dois resultados
Com a lista na mão. O entrevistador mostra os nomes de todos os candidatos e pede para a pessoa escolher um. Aqui os indecisos são 10%, e sai o placar de 37 a 30.
Sem lista nenhuma. O entrevistador só pergunta em quem a pessoa pretende votar, e anota o que ela responder de cabeça. Aqui Lula faz 28%, Flávio 20%, Cury 4%, e 42% não dizem nome nenhum.
Reconhecer um nome numa lista é fácil. Lembrar dele sozinho é outra coisa, e mede uma lembrança bem mais firme. É por isso que os institutos perguntam das duas formas.
A boa notícia para as campanhas está na comparação com a rodada anterior. Em 14 de agosto, antes de a campanha começar, esse número era 51%. Caiu nove pontos em duas semanas e meia. O horário eleitoral e o debate estão fazendo efeito, só que devagar.
Cury em três institutos, três números
Em quatro dias saíram três pesquisas com Augusto Cury acima do resto do pelotão. Os números não batem entre si, e isso é normal.
📞 Nexus/BTG
11%, em pesquisa por telefone divulgada em 31 de agosto.
💻 AtlasIntel
7,8%, por formulário na internet, também em 31 de agosto.
🏠 Genial/Quaest
10%, com entrevista feita presencialmente, divulgada em 2 de setembro.
Cada instituto usa um método, vai a campo em dias diferentes e testa listas diferentes de nomes. Quem entrevista na porta de casa alcança um público, quem manda formulário pela internet alcança outro. Comparar o número de um com o do outro não diz nada.
O que diz é a direção, e ela é a mesma nos três. Cury tinha 2% no Datafolha de 21 de agosto e 1,6% na AtlasIntel de julho. Todos os três agora o colocam em terceiro, isolado. O ponto de virada apontado é o debate da Band, aquele a que Lula, Flávio e Zema não foram.
⚠️ Voto novo é voto que ainda se move
Pela Nexus, só 59% dos eleitores de Cury dizem ter decisão tomada. Entre os de Lula e os de Flávio, esse número passa de 85%.
Quem subiu rápido pode descer rápido. O eleitor que chegou na semana passada não tem a mesma amarra do que decidiu há um ano.
O que esta pesquisa não responde
Duas coisas ficaram de fora e merecem ser ditas, para o leitor não esperar delas o que elas não têm.
A primeira é o efeito da crise no Supremo. O campo foi de 30 de agosto a 1º de setembro. O relatório da Polícia Federal sobre o caso Master só veio a público na terça à noite, quando a pesquisa já estava fechando. Se isso mexe em voto, a resposta vem na próxima rodada.
A segunda é o efeito da suspensão e da liberação da campanha de Renan Santos, que aconteceram exatamente nesses dias. Ele aparece com 3%, mesmo número da Nexus.
E fica a ressalva de sempre: pesquisa é retrato do momento em que foi feita, com margem de erro. Não é previsão de resultado, e quem trata como previsão vai se surpreender em outubro, como já aconteceu antes.
🧾 Nota de método
Os números vêm da divulgação da própria Quaest, reproduzida pela Gazeta do Povo, que publica as tabelas completas de cada rodada. Conferi os percentuais na tabela, não na manchete.
A pesquisa foi contratada pela Editora Globo e pela Globo Comunicação e Participações. Quem paga não escolhe o resultado, mas escolhe as perguntas e os nomes testados, e por isso o contratante aparece aqui sempre.
Os números de outros institutos citados servem de comparação de tendência, e não de placar. A regra está explicada no corpo do texto.
Onde escrevi “empate”, é porque a diferença cabe dentro da margem de erro declarada pelo instituto, e não porque os dois marcaram igual.
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Fontes
Pesquisa Genial/Quaest divulgada em 2 de setembro de 2026. Registro na Justiça Eleitoral sob o número BR-07065/2026. Foram 2.004 entrevistas presenciais, feitas de 30 de agosto a 1º de setembro de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Contratada pela Editora Globo e pela Globo Comunicação e Participações S.A.
Tabelas completas conforme publicação da Gazeta do Povo em 2 de setembro de 2026.
Datafolha de 21 de agosto de 2026, registro BR-04496/2026. Nexus/BTG de 31 de agosto de 2026, registro BR-08900/2026. AtlasIntel de 31 de agosto de 2026, registro BR-07972/2026.
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