📅 sexta-feira, 9 de outubro de 2026
Guia SN AlexNews Rádio · em breve
MERCADOS
Politica

Garotinho desiste, e Ruas pode vencer no Rio sem segundo turno

Alex News — Pesquisa Quaest: Lula 37% e Flávio 30%, com empate técnico no segundo turno — Eleições 2026

🔊 Ouvir esta notícia
⏳ Áudio em breve



Rio de Janeiro · situação às 22h de 5/10

O Rio pode ter governador eleito sem segundo turno, e a palavra final é do TSE

Douglas Ruas, do PL, terminou o primeiro turno com 49,27% dos votos válidos. Eduardo Paes, do PSD, teve 42,76%. Pela conta que aparece na tela do TSE, os dois vão ao segundo turno, em 25 de outubro. Mas essa conta inclui os 274.411 votos de Anthony Garotinho, do Republicanos, que teve o registro de candidatura negado. Na segunda-feira, 5 de outubro, Garotinho desistiu do recurso que tinha no TSE. Se os votos dele saírem da conta, Ruas passa a 50,88% e é eleito no primeiro turno. Até a Justiça Eleitoral formalizar isso, o segundo turno continua marcado. O relator do caso no TSE pediu a opinião da Procuradoria-Geral Eleitoral antes de decidir, e Eduardo Paes chamou a desistência de armação.

49,27%
Ruas na tela do TSE
4.271.199 votos, com Garotinho na conta
50,88%
Ruas sem os votos de Garotinho
passaria da metade e venceria no 1º turno
274.411
Votos de Garotinho
3,17%, anulados sub judice
25/10
Segundo turno
continua marcado até a nova totalização

⏱️ Em 1 minuto

O placar: Ruas teve 4.271.199 votos e Paes, 3.706.984. Garotinho ficou em terceiro, com 274.411. Como o registro dele foi negado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio, esses votos aparecem como “anulados sub judice”, ou seja, à espera de decisão da Justiça.

Por que isso muda tudo: para vencer no primeiro turno, é preciso mais da metade dos votos válidos. Com os votos de Garotinho somados à base, Ruas fica em 49,27%. Sem eles, a base diminui e Ruas chega a 50,88%, cerca de 74 mil votos acima da metade.

O que aconteceu na segunda: a defesa de Garotinho desistiu do recurso no TSE e descreveu a decisão como irrevogável. Com isso, a decisão que negou o registro tende a ficar definitiva, e os votos dele, a virar nulos.

O que falta: o relator do caso no TSE, ministro Floriano de Azevedo Marques, precisa analisar o pedido, e a Justiça Eleitoral precisa refazer a totalização. No fim da tarde de 5 de outubro, o relator deu dois dias para a Procuradoria-Geral Eleitoral se manifestar antes de decidir. Até lá, a Justiça Eleitoral mantém Ruas e Paes como os dois nomes do segundo turno.

🗳️

O resultado, nas duas contas

A tela de resultados do TSE mostra Ruas e Paes no segundo turno. Os percentuais dela usam como base os votos válidos mais os votos anulados sub judice. É assim que a tela trata votos que ainda dependem de decisão da Justiça. Se os votos de Garotinho forem considerados nulos de vez, a base encolhe, e os percentuais de todos os outros candidatos sobem.

📊 Governo do Rio de Janeiro, 1º turno

Candidato Votos Com os votos de Garotinho na base Sem os votos de Garotinho
Douglas Ruas (PL) 4.271.199 49,27% 50,88%
Eduardo Paes (PSD) 3.706.984 42,76% 44,16%
Anthony Garotinho (Republicanos) 274.411 3,17% nulos
Demais candidatos, somados cerca de 416 mil 4,80% cerca de 4,96%

TSE, governo do Rio, com 100% das seções. A coluna “com os votos de Garotinho” é a que aparece na tela do TSE. A coluna “sem” é a conta feita com os mesmos votos, retirando os 274.411 da base; os percentuais de Ruas e Paes conferem com os publicados por Metrópoles e Brasil de Fato. Os demais candidatos aparecem somados porque o detalhe de cada um não muda a conta.

🔢 Para quem gosta de conta

Os votos válidos do Rio, somados aos de Garotinho, dão cerca de 8,67 milhões. Ruas, com 4.271.199, tem 49,27% disso. Tirando os 274.411 de Garotinho, a base cai para cerca de 8,39 milhões, e a metade dela fica em torno de 4,197 milhões. Ruas passa dessa linha por cerca de 74 mil votos.

Dá para ver o mesmo método na tela de outro estado. No Maranhão, Eduardo Braide (PSD) aparece com 54,02% e 2.104.122 votos. Esse percentual só bate se a base incluir, além dos 3.846.156 válidos, os 48.924 votos anulados sub judice de Roberto Rocha (PRTB). Sem eles, Braide teria 54,71%. Lá, isso não muda nada, porque Braide passa da metade nas duas contas. No Rio, a mesma diferença decide se há segundo turno.

⚖️

Por que os votos de Garotinho ficaram em suspenso

Garotinho foi condenado por improbidade administrativa por irregularidades no programa Saúde em Movimento, da Secretaria Estadual de Saúde, em 2005 e 2006. A acusação apontou desvio de R$ 234,4 milhões, segundo o Poder360. A condenação suspendeu os direitos políticos dele por oito anos.

A briga está em quando esses oito anos começam a contar. A defesa sustenta que o prazo começou em 2018 e terminou em 1º de agosto de 2026, antes da eleição. O TRE do Rio entendeu que a contagem vai até 2033. Com isso, negou o registro da candidatura.

🕐 A sequência do caso

  • Agosto: uma decisão provisória permite que Garotinho faça campanha, receba recursos e use o horário eleitoral enquanto o registro é analisado.
  • 29 de setembro: o TRE do Rio mantém a negativa do registro. A defesa recorre ao TSE.
  • 2 de outubro, sexta, à noite: o ministro Floriano de Azevedo Marques, relator no TSE, revoga a decisão provisória. Os votos em Garotinho passam a ser tratados como anulados sub judice, fora dos válidos. O nome continua na urna.
  • 4 de outubro, domingo: segundo o Brasil de Fato, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determina que os votos sejam contados até uma decisão do plenário. É por isso que a tela mostra Ruas com 49,27% e marca segundo turno.
  • 5 de outubro, segunda: a defesa de Garotinho desiste do recurso. O pedido chegou ao TSE ainda de manhã, segundo o Diário do Rio.
  • 5 de outubro, fim da tarde: o relator, Floriano de Azevedo Marques, decide ouvir o Ministério Público Eleitoral antes de examinar a desistência e dá dois dias para a Procuradoria-Geral Eleitoral se manifestar, segundo O Tempo, Metrópoles e Agência Brasil.
  • 5 de outubro, 22h: eu não tinha localizado o parecer da Procuradoria nem a decisão do relator. O segundo turno no Rio segue marcado.

Segundo o Brasil de Fato, Garotinho justificou assim: “Em função do resultado manifestado pela população nas urnas, não me resta outra opção jurídica a não ser desistir”. A defesa descreveu a desistência como livre, expressa, consciente e irrevogável, e citou o artigo 998 do Código de Processo Civil, que permite a quem recorreu desistir do recurso a qualquer momento.

🧭 O que ainda precisa acontecer

  • O relator analisa a desistência e decide se ela encerra o recurso.
  • Encerrado o recurso, a negativa do registro fica definitiva, e os votos de Garotinho passam a ser nulos.
  • A Justiça Eleitoral refaz a totalização do Rio sem esses votos.
  • Se o resultado novo confirmar Ruas acima de 50%, ele é proclamado eleito, e o segundo turno no estado deixa de existir.

Antes de tudo isso, vem o parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral, pedido pelo relator em 5 de outubro. Até as 22h de 5 de outubro, eu não tinha localizado nenhuma dessas etapas concluída. Advogados ouvidos pelo Terra esperavam que o caminho fosse percorrido ao longo da semana, sem data definida. A propaganda do segundo turno no rádio e na TV começa em 9 de outubro.

Não sou jurista. A sequência acima é a que os veículos citados descrevem. Quem define cada etapa, e em que prazo, é a Justiça Eleitoral.

🗣️

A reação de Paes e o debate sobre a desistência

No início da noite de 5 de outubro, Eduardo Paes publicou um vídeo nas redes sociais e chamou a desistência de “armação” entre Garotinho e Douglas Ruas para o candidato do PL vencer sem segundo turno, segundo Poder360 e Crusoé. Disse esperar que a decisão do eleitor seja respeitada e que haja segundo turno, e cobrou de Ruas uma explicação sobre o que teria sido negociado. Paes não apresentou prova de acordo entre os dois. Foi a coligação dele que pediu ao TRE do Rio, em agosto, a impugnação da candidatura de Garotinho, segundo o Diário do Rio. Paes também já anunciou agenda de segundo turno em cidades do interior onde venceu, segundo o Agenda do Poder.

Garotinho negou ter desistido para favorecer Ruas, segundo o SBT News. Até a publicação do Poder360 na noite de 5 de outubro, a equipe de Ruas não tinha respondido às acusações. Na noite da eleição, Ruas disse à CNN Brasil que confiava na Justiça e esperava uma decisão rápida.

Há também um debate técnico. O Diário do Rio lembra que o TSE tem decisões, de 2012 a 2026, segundo as quais quem teve o registro negado não pode desistir do recurso depois da eleição só para anular os próprios votos, porque o voto envolve direitos que não pertencem apenas ao candidato. Mas esses precedentes tratam de eleições para vereador e deputado, em que os votos de um candidato também contam para o partido. Na eleição para governador, os votos são só do candidato. Não localizei decisão do TSE que aplique ou afaste essa linha para um cargo do Executivo.

📎 Para quem quer conferir: os números do caso

  • O precedente citado pelo Diário do Rio é o agravo no recurso especial eleitoral 0600297-91, julgado em 2026.
  • A desistência cita o artigo 998 do Código de Processo Civil.
  • Na decisão de 5 de outubro, segundo O Tempo, o relator escreveu: “Antes do exame do pedido de desistência formulado, entendo recomendável a oitiva do Ministério Público Eleitoral”.
  • O horário em que a desistência foi protocolada aparece diferente nos veículos: 14h09 no Brasil de Fato, 15h07 no Terra e 16h11 na Agência Brasil.

Não sou jurista. Não sei, e não arrisco dizer, como o TSE vai decidir. O relator pode homologar a desistência, levar o caso ao plenário ou aplicar outro entendimento.

👤

Quem são os dois

Douglas Ruas tem 37 anos, é formado em Direito e é policial civil. Está no PL desde 2021. Foi eleito deputado estadual em 2022, com 175.977 votos, foi secretário estadual das Cidades de 2023 a março de 2026 e, em abril, assumiu a presidência da Assembleia Legislativa do Rio. É filho de Nelson Ruas, prefeito de São Gonçalo.

Eduardo Paes foi eleito prefeito do Rio quatro vezes. Na última, em 2024, venceu no primeiro turno, com 1.861.856 votos, 60,47% dos válidos. Antes, foi vereador, deputado federal e secretário municipal e estadual.

As pesquisas não mostravam esse placar. O Datafolha de 2 e 3 de outubro, registrado com o número RJ-01334/2026, dava a Paes 46% dos votos válidos, a Ruas 38% e a Garotinho 7%. Na urna, Ruas ficou à frente, com 6,5 pontos de vantagem, e Garotinho teve menos da metade do que a pesquisa indicava. Pesquisa é retrato de um momento e tem margem de erro.

🏛️

O que mais o Rio decidiu

O governo do estado chega a essa eleição depois de um ano turbulento. Em 23 de março de 2026, Cláudio Castro renunciou ao cargo, um dia antes de o TSE condená-lo, por 5 votos a 2, no processo sobre a eleição de 2022. A condenação o deixou inelegível até 2030.

Para presidente, o estado deu 53,01% a Flávio Bolsonaro e 39,41% a Lula. Na capital, Flávio teve 47,88% e Lula, 43,91%. Para o Senado, foram eleitos Carlos Portinho, com 26,77%, e Carlos Jordy, com 24,56%, os dois do PL. Benedita da Silva, do PT, ficou em terceiro, com 20,22%.

🔗

Continue acompanhando

Nota de método. Votos de Ruas, Paes e Garotinho conforme a totalização do TSE, com 100% das seções, reproduzida por Metrópoles, Brasil de Fato e Times Brasil. Os percentuais sem os votos de Garotinho são uma conta minha, que confere com os publicados por Metrópoles e Brasil de Fato. A base de cerca de 8,67 milhões é calculada a partir dos votos e do percentual de Ruas. O método da tela do TSE foi conferido com os números do Maranhão, na tela de resultados com 100% das seções. Atualização da noite de 5 de outubro: decisão do relator conforme O Tempo, Metrópoles, Agência Brasil e SBT News; reação de Paes conforme Poder360, Crusoé e Metrópoles; resposta de Garotinho conforme SBT News; fala de Ruas conforme CNN Brasil; precedentes conforme Diário do Rio; caminho da retotalização conforme Terra; agenda de Paes conforme Agenda do Poder. Caso Garotinho: condenação e valor apontado conforme Poder360; disputa sobre o prazo de inelegibilidade conforme Jornal do Brasil e Terra; decisão de agosto e de 2 de outubro conforme SBT News e Congresso em Foco; decisão do presidente do TSE em 4 de outubro conforme Brasil de Fato; desistência e petição conforme Brasil de Fato, Gazeta do Povo e Diário do Rio. Trajetória de Ruas conforme Terra e a biografia pública dele; Paes conforme Terra. Pesquisa Datafolha conforme a Band. Caso Castro conforme o registro público do julgamento no TSE. Presidente, capital e Senado conforme a totalização do TSE.

Não sou jurista. Não faço previsão sobre o resultado do caso. O texto descreve as etapas conforme a Justiça Eleitoral e os veículos citados.

Apuração independente de Alexander Moraes, estudante de jornalismo, sem formação jurídica.

ALEXNEWS · PÕE NO MAPA Viu um problema na sua rua? Reporte com foto no Põe no Mapa: a redação do AlexNews verifica, publica no mapa e cobra os órgãos responsáveis. Mapeamos em todo o Brasil. 📍 0 problemas mapeados👍 0 confirmações Reportar agora →
🌤️
Carregando o tempo na sua cidade…

Comentários

Nenhum comentário publicado ainda. Seja o primeiro.

Comentários passam por moderação antes de aparecer. Mensagens com ofensa, ataque pessoal ou desinformação não são publicadas.

Carregando previsão horária…

Leia também

Explore outras editorias