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Fora dos debates, dentro da urna: o que propõem os outros sete candidatos à Presidência

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Eleições 2026 · Os outros candidatos

Eles não vão ao debate da Globo, mas estão na urna e têm plano de governo registrado

Li os planos dos sete candidatos à Presidência que ficaram fora do grupo dos seis mais citados nas pesquisas, e também o de Pablo Marçal, que não está na disputa. Separei o que cada um propõe, conferi os números e cruzei as ideias com as de Lula, Flávio Bolsonaro, Caiado, Zema, Augusto Cury e Renan Santos.

7
Candidatos na urna fora do grupo dos seis
todos com plano registrado no TSE
0
Deles convidados para o debate da Globo
marcado para 1º de outubro
1%
Maior marca entre os sete no Datafolha
Samara Martins, pesquisa de 22 e 23 de setembro

Os sete candidatos somam, juntos, entre 0% e 1% nas pesquisas de setembro. Nenhum deles foi convidado para o debate da TV Globo de 1º de outubro, que pela regra da emissora chamou os candidatos de partidos com pelo menos cinco parlamentares no Congresso. Mesmo assim, todos aparecem na urna, e os votos dados a eles contam como qualquer outro. Esta matéria existe para que quem vai votar saiba o que está por trás de cada número.

Um cuidado de leitura: “menos conhecido” não quer dizer “menos sério”, nem o contrário. Há planos longos e detalhados, planos curtos e genéricos, e dois que dizem com todas as letras que não se veem como promessa de governo. Mostro o que está escrito, com a página de cada trecho.

🗳️

Quem são os sete

Candidato Partido e número Vice Quem é Plano
Clariana Barão DC, 27 Fabiana Torquato (DC) Advogada em Cuiabá (MT), 39 anos, presidente do DC em Mato Grosso; primeira eleição “Proteger Hoje, Transformar o Amanhã”, 15 páginas
Edmilson Costa PCB, 21 Cleusa Santos (PCB) Economista, 76 anos, doutor pela Unicamp e dirigente do PCB 16 páginas
Hertz Dias PSTU, 16 Vanessa Portugal (PSTU) Professor de história e rapper, 55 anos, de São José de Ribamar (MA) 33 páginas
Leonardo Avalanche PRTB, 28 Silvia Helena da Silva Pereira (PRTB) Empresário de Anápolis (GO), 48 anos, presidente nacional do PRTB; entrou no lugar de Pablo Marçal 19 propostas, 48 páginas
Rui Costa Pimenta PCO, 29 Antônio Carlos (PCO) Jornalista, 69 anos, fundador e presidente do PCO; quarta candidatura “Programa de luta”, 7 páginas
Samara Martins UP, 80 Raquel Brício (UP) Dentista do SUS em Parnamirim (RN), ex-diretora da UNE; foi vice em 2022 67 páginas
Wilson Grassi Democrata, 35 Suêd Haidar (Democrata) Médico veterinário paulistano, 56 anos; o Democrata é o antigo PMB “Brasil em Primeiro Lugar”, 58 páginas

A ordem é alfabética. Os registros de seis desses candidatos foram aprovados pelo TSE entre 2 e 11 de setembro. O de Leonardo Avalanche, apresentado em 14 de setembro, último dia do prazo legal para substituir candidato, aparecia como “em julgamento” na consulta de 25 de setembro. Pela Lei das Eleições (art. 16-A), quem está nessa situação faz campanha e tem o nome na urna, e os votos só valem se o registro for aprovado.

O documento de Clariana Barão não traz o nome da candidata nem do partido; a identificação vem do registro e da cobertura da Agência Brasil, que citou o lema do plano em 17 de setembro.

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O que cada um propõe

Clariana Barão (DC)

É o plano mais curto e o mais genérico dos sete. Tem seis capítulos com cinco itens cada, e a proteção de mulheres e crianças “funciona como eixo transversal” de todos eles (p. 2). O próprio documento avisa, na primeira página, que não traz metas fechadas:

Clariana, p. 1: “Metas numéricas finais devem ser calibradas com diagnóstico oficial, linha de base, estimativa fiscal, competências federativas e avaliação jurídica.”

Clariana, p. 4: propõe “Avaliação de impacto sobre mulheres e crianças” para as políticas do governo.

Clariana, p. 13: “Princípio de pedir dados uma única vez” e “Atendimento multicanal para não excluir quem está offline”.

Clariana, p. 15: “Peptídeos e demais terapias inovadoras devem seguir avaliação regulatória e técnico-científica antes de qualquer oferta pública.”

Na segurança, fala em “Sufocamento financeiro das facções” e em “Drones e análise de imagens dentro do marco legal” (p. 9). Na infância, em “Busca ativa de crianças fora da escola” (p. 3). Não há números, prazos nem custos, e não achei proposta que dependa de mudar a Constituição. O texto se resguarda o tempo todo com expressões como “conforme a lei” e “quando juridicamente cabível”.

Onde encontra os seis: é o plano que mais se parece com o de Caiado, que também exige que as políticas “deverão demonstrar impacto sobre crianças e adolescentes” (Caiado, p. 62). Zema propõe que o cidadão “informe seus dados uma única vez” (Zema, p. 41), e o cerco ao dinheiro das facções aparece em Lula, Caiado, Flávio e Zema. O cuidado com peptídeos e com quem não usa internet não aparece em nenhum dos seis.

Edmilson Costa (PCB)

O PCB diz que usa a eleição para defender a “Revolução Socialista” e que rejeita “quaisquer saídas meramente reformistas” (p. 1). O programa propõe cinco grandes transformações:

Edmilson, p. 5: “redução da jornada de trabalho para 30 horas sem redução de salário e o fim da escala 6×1”, e salário mínimo que “num prazo de quatro anos alcance o piso do salário-mínimo do Dieese”.

Edmilson, p. 3 e 4: convocar “no prazo de dois anos, uma Assembleia Constituinte de Novo Tipo”, com metade dos membros escolhida por organizações sociais. “O Senado será extinto e substituído por um Parlamento Unicameral”.

Edmilson, p. 4: “serão suspensos os pagamentos dos juros e amortizações da dívida” durante a investigação da origem da dívida, e haverá “isenção do imposto de renda para quem ganha até 1 salário-mínimo do Dieese”.

Edmilson, p. 6: latifúndios improdutivos e fazendas que não cumpram a função social “serão desapropriados sem indenização”.

O programa também prevê mandatos revogáveis por referendo, com “coleta de assinaturas de pelo menos 1% do eleitorado” (p. 4); “tarifa zero com transporte 100% público em todo território nacional” (p. 7); “investimento de 10% do PIB na saúde pública” (p. 10); “Ampliação da licença-maternidade e paternidade para um ano.” (p. 11); “Descriminalização do uso de drogas, com legalização da maconha a curto prazo.” (p. 12); e “Proibição das BETs com a expropriação dos seus ativos.” (p. 13). Para os motoristas e entregadores, promete “registro em carteira e piso salarial para os trabalhadores e as trabalhadoras de plataformas de aplicativos” (p. 5).

Um erro no texto: na página 6, o programa promete a “revogação completa da lei antiterrorismo (12.850/2013)”. A Lei 12.850/2013 é a Lei das Organizações Criminosas, que trata da delação premiada, por exemplo. A Lei Antiterrorismo é a 13.260/2016.

Hertz Dias (PSTU)

O PSTU apresenta o programa como “um chamado à ação” e diz que ele “não é um conjunto de promessas eleitorais” (p. 7). As medidas para o trabalho são as mais detalhadas:

Hertz, p. 8: “Redução da jornada de trabalho para 36 horas, sem redução dos salários”, “Aumento de 100% no salário mínimo, rumo ao salário mínimo necessário, calculado pelo Dieese.” e “Bolsa equivalente a um salário mínimo para trabalhadores desempregados enquanto não houver pleno emprego.”

Hertz, p. 9: propõe “Criação de plataformas públicas nacionais de transporte, entrega, comércio eletrônico, microtarefas e trabalho freelancer” e, para quem trabalha nos aplicativos privados, “Piso salarial para carga horária mínima logada de 36 horas”.

Hertz, p. 6: defende que “é necessário expropriar as empresas estratégicas” de mineração, petróleo e energia, como Petrobras e Vale.

Hertz, p. 20: “Unificação das polícias em uma única instituição de caráter civil, com eleição de comandantes e delegados pela população e mandatos revogáveis”

O programa também pede “Correção anual e atualização integral da tabela do Imposto de Renda para os assalariados” (p. 8), “Descriminalização das drogas e revogação da Lei Antidrogas” (p. 19) e tarifa zero no transporte (p. 14). Na página 2, afirma que “Mais de 60% dos trabalhadores formais” estão na escala 6×1, com base no anuário do Ilaese, um instituto ligado a sindicatos. O plano da UP, com outra fonte, fala em 14,8 milhões de pessoas, um terço dos ocupados (UP, p. 10). Os dois números medem grupos diferentes e não são comparáveis entre si.

Leonardo Avalanche (PRTB)

O plano tem 19 propostas, cada uma com um bloco “Na prática” e o bordão “AVALANCHE NELES”. É o mais voltado a medidas de efeito direto no bolso:

Avalanche, p. 4: “Um imposto único de 3,5% pra tudo”, no lugar de ICMS, ISS, PIS, Cofins, IPI, INSS e Imposto de Renda. Segundo o plano, “É esse fim da sonegação que faz a arrecadação nacional triplicar”.

Avalanche, p. 7 e 8: quem concluir um curso de empreendedorismo recebe “um iPhone de última geração com um ano de internet gratuita”. O dinheiro viria dos “cerca de R$ 3,5 bilhões por ano” que o governo gasta com publicidade.

Avalanche, p. 18: IPVA de “R$ 50 mensais para todos” e “isenção total de IPVA para caminhoneiros em todo o Brasil”.

Avalanche, p. 11: negociar com os aplicativos “a redução da taxa cobrada sobre o motorista para 3,5%”. Se as empresas não aceitarem, o governo “vai restringir a operação dessas plataformas no país” e criaria um aplicativo próprio (p. 12).

Há propostas de outra natureza: um “Sistema Único Nacional de Segurança” que cruze dados de presos de todos os estados (p. 13); inteligência artificial para avisar antes que falte remédio nas unidades de saúde (p. 9); profissional com formação certificada para “toda criança autista em escola” (p. 34); “lei nacional obrigando vagão exclusivo pra mulher em todo sistema de metrô e trem urbano do país” (p. 37); e o Meu Primeiro Emprego, para “jovem de 18 a 29 anos, contratado com carteira assinada e salário integral desde o primeiro dia”, com o governo pagando parte do salário nos seis primeiros meses (p. 42). Na página 40, promete “legislação que no mínimo dobre a pena mínima hoje em vigor” para quem comanda redes de exploração sexual infantil.

O plano cita a Lei 15.280/2025, que em dezembro de 2025 aumentou as penas dos crimes sexuais contra vulneráveis, e não traz quadro de custos. Várias propostas ficam para “estudo técnico”.

Rui Costa Pimenta (PCO)

O documento começa com uma frase que resume a posição do partido: “O PCO não participa das eleições para fazer promessas” (p. 1). As eleições, diz o texto, são “uma tribuna” para defender a revolução e um governo operário. O programa tem 15 pontos, entre eles:

Rui, p. 2: “aumento emergencial de 50% de todos os salários”, reajuste “automático toda vez que o custo de vida do trabalhador subir 3%” e “Redução da jornada de trabalho para o máximo de 7 horas por dia, 5 dias por semana (35 horas semanais)”.

Rui, p. 2 e 3: “Anulação de todas as dívidas dos trabalhadores com o sistema financeiro.” e “Redução imediata do preço dos combustíveis em 50%.”

Rui, p. 3: “Aposentadoria, no máximo, aos 25 anos de trabalho para as mulheres e 30 anos para os homens”

Rui, p. 5 e 6: “Dissolução da polícia militar e de todo o aparato repressivo” e “Fim do Supremo Tribunal Federal (STF); eleição de todos os juízes e procuradores pelo voto popular e com mandatos revogáveis.”

O PCO também propõe acabar com o vestibular, piso de R$ 8,5 mil para professores (p. 5), estatizar o ensino pago, cancelar as privatizações e as dívidas interna e externa (p. 3 e 6), revogar a Lei da Ficha Limpa (p. 6) e cancelar a concessão da Rede Globo (p. 6). Na educação, pede o “fim da proibição do uso de celulares nas escolas” (p. 5), o oposto do que o plano de Lula apresenta como realização do governo (Lula, p. 24).

Samara Martins (UP)

É o programa mais longo entre os sete, com cerca de 20 capítulos, cada um com diagnóstico e uma lista de propostas. O PDF é diagramado em duas colunas, por isso resumo as propostas com a página em vez de citar frases longas.

  • Salário e jornada (p. 9 e 10): aumento de 100% do salário mínimo logo no início do governo, fim da escala 6×1 e jornada de 30 horas semanais, em escala 4×3 ou turnos de seis horas. Na mesma página 10, outro trecho fala em 36 horas, o que deixa o número final em aberto.
  • Dívida e bancos (p. 15 e 18): suspensão imediata do pagamento da dívida pública com auditoria, fusão dos bancos sob controle do Estado e fim da autonomia do Banco Central.
  • Impostos (p. 16 e 17): isenção total de imposto de renda para trabalhadores e imposto sobre grandes fortunas, lucros, dividendos e heranças.
  • Estatais (p. 60): “Estatização imediata da Eletrobras, da Petrobrás”, da Vale, das ferrovias, do saneamento e das telecomunicações.
  • Serviços (p. 13, 22 e 52): obrigação de presidente, governadores, parlamentares e juízes usarem só o SUS; pelo menos 10% do PIB para a educação pública; anistia das dívidas do Fies; e “Transição progressiva para a tarifa zero no transporte coletivo urbano e intermunicipal”.
  • Segurança e justiça (p. 48 e 49): unificação e desmilitarização das polícias, troca da “guerra às drogas” por uma abordagem de saúde pública e eleição direta de juízes.

Números que conferi no próprio plano: a página 12 fala em “62 milhões de pessoas” desempregadas em 2025, enquanto as páginas 6 e 11 falam em 5,9 milhões, número próximo ao do IBGE. A página 15 diz que os R$ 2 trilhões da dívida seriam “um terço do PIB”, mas o PIB de 2025, de R$ 12,7 trilhões segundo o IBGE, faz desse valor cerca de 16%. O déficit habitacional aparece com três números diferentes (p. 12, 18 e 45).

Wilson Grassi (Democrata)

É o plano mais técnico dos sete. Cada um dos 14 eixos termina com um quadro de instrumento, forma de medir e prazo, e o documento reconhece quando uma ideia depende de mudar a Constituição. A proposta central é tributária:

Grassi, p. 8 e 10: trocar nove tributos federais (contribuição patronal, Cofins, CSLL, IOF, IPI, salário-educação, Cide, ITR e Sistema S) por “um único tributo, cobrado automaticamente sobre a movimentação financeira”. “O parâmetro público do Democrata é de 2% no débito e 2% no crédito de cada lançamento em conta.”

Grassi, p. 9: “O Democrata fixa o limite de isenção do IRPF em cinco salários mínimos.” Em valores de 2026, R$ 8.105 por mês.

Grassi, p. 19: “Fixar prazo legal de resposta da administração nos pedidos de regularização, com deferimento automático se o prazo estourar.” O atraso repetido entraria na avaliação do servidor.

Grassi, p. 23: sobre presídios no modelo de El Salvador, “Levamos a pergunta ao eleitor por plebiscito e governamos conforme a resposta.”

Outras propostas com mecanismo definido:

  • “Fila nacional única e pública por procedimento, com critério clínico de prioridade e posição consultável pelo próprio paciente.” (p. 34)
  • Portabilidade do aluguel: quem paga aluguel e comprova capacidade de pagamento “tem acesso automático a financiamento habitacional de parcela equivalente ao aluguel que já paga” (p. 41).
  • Bolsa Atleta com inscrição direta, “sem exigência de indicação, anuência ou intermediação de federação ou confederação” (p. 39).
  • “Cadastro nacional de infratores por maus-tratos a animais no ar até o fim do primeiro ano de mandato”, ligado às bases de segurança e usado como alerta de violência doméstica (p. 23).
  • Uma PEC para que o “pesquisador que cumprir os requisitos deixa de ser bolsista e passa a ser servidor público” (p. 36).
  • Apoio à PEC 55/2023, que fixa no mínimo 2% do PIB para a defesa (p. 49), e projeto para regulamentar a mineração em terras indígenas, com consulta às comunidades e proibição de mercúrio (p. 48).

O plano admite, na página 4, que “Não há valores orçamentários medida a medida.” A exceção é a conta do imposto único e da isenção do IR, detalhada nas páginas 12 e 13, que tem um problema aritmético mostrado mais abaixo.

📌

O plano de Pablo Marçal, que não está na urna

Pablo Marçal não é candidato. Em 11 de setembro, o TSE negou por unanimidade o registro dele: Marçal não comprovou filiação ao PRTB dentro do prazo legal e, segundo o tribunal, estava inelegível até 2032 por uso indevido dos meios de comunicação na eleição de 2024, com os concursos de cortes de vídeos. O nome dele foi retirado da urna, ele renunciou em 14 de setembro e o PRTB o substituiu por Leonardo Avalanche, que era o vice da chapa. Quem digitar 28 vota em Avalanche.

Mesmo fora da disputa, o plano que Marçal registrou é um documento público e mostra o que o PRTB defendia até setembro. Ele é organizado em “7 Missões” (p. 3), quase todo em tabelas com tópicos curtos. Os principais pontos:

  • Contas públicas (p. 14): “Fortalecimento de uma âncora fiscal baseada na redução gradual da relação dívida/PIB”, redução gradual de impostos e fim de incentivos fiscais sem retorno comprovado. Promete ainda o salário mínimo “como o melhor da América do Sul”, sem dizer como seria medido.
  • Assistência (p. 12): “mantendo o Programa Bolsa Família”, com a ideia de “emancipação econômica e não da dependência permanente”.
  • Empreendedorismo (p. 19): criação do Ministério da Empresarização, empresa aberta automaticamente pelo CPF em 24 horas, Código de Defesa do Empreendedor e um programa de renegociação para os “quase 70 milhões de” brasileiros com nome negativado.
  • Estado (p. 20): aprovação tácita de pedidos sem resposta do governo, regra de só editar uma norma nova se outra for revogada, Imposto de Renda automático, desestatização prioritária e contratação de executivos do mercado.
  • Educação (p. 17): educação financeira e empreendedorismo desde o ensino fundamental, ensino de computação e inteligência artificial, Universidade Federal Digital e o “Crédito Mirim”, bonificação para alunos da rede pública.
  • Infraestrutura (p. 23): terminar as “20 mil obras públicas federais” inacabadas, programa de terras raras e integração ferroviária.
  • Segurança (p. 25): plano contra facções, confisco ampliado do patrimônio do crime, drones e satélites na fronteira, presídios como centros de ressocialização com trabalho remunerado e parcerias com empresas na gestão prisional.

Dois números conferidos: o Tribunal de Contas da União encontrou 11.469 obras federais paralisadas entre 22.621 analisadas, em abril de 2025; o número de “20 mil” se aproxima do total analisado, não das paradas. E a Serasa contou 81,7 milhões de inadimplentes em fevereiro de 2026, acima dos “quase 70 milhões” do plano.

O que Avalanche manteve e o que mudou: o plano do substituto conserva drones de vigilância, terras raras, empreendedorismo e o Bolsa Família. Deixou de fora a âncora fiscal, a promessa sobre o salário mínimo, o Ministério da Empresarização e o capítulo de política externa. E trocou a “redução progressiva da carga tributária” de Marçal por um imposto único de 3,5%, além de acrescentar o iPhone, o IPVA de R$ 50 e as propostas para motoristas de aplicativo.

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Onde os sete encontram os seis

Cruzei os temas mais frequentes nos planos menores com os planos de Lula, Flávio Bolsonaro, Caiado, Zema, Augusto Cury e Renan Santos.

Tema Entre os sete Entre os seis
Fim da escala 6×1 Samara (30 ou 36 horas), Hertz (36), Edmilson (30) e Rui (35) Lula defende o fim da 6×1 com 40 horas, “nos termos aprovados na Câmara” (p. 75). Zema propõe regime em que a jornada diária pode passar de 8 horas, dentro das 44 semanais (p. 23). Os outros quatro não tratam
Salário mínimo Samara e Hertz: aumento de 100%. Edmilson: valor do Dieese em quatro anos. Rui: pelo menos R$ 7.500 Lula: continuar a política de valorização (p. 74). Renan: desvincular benefícios do mínimo (p. 10)
Imposto de renda Grassi: isenção até cinco mínimos. Edmilson: até um mínimo do Dieese. Samara: isenção para trabalhadores. Hertz: correção anual da tabela Lula cita a isenção até R$ 5.000 como feita (p. 19). Os demais não propõem nova faixa
Imposto único Grassi (sobre movimentação financeira) e Avalanche (3,5% sobre tudo) Nenhum. Lula defende a reforma do consumo aprovada (p. 11); Flávio quer revê-la (p. 30)
Estatais Samara, Hertz, Edmilson e Rui: estatizar Petrobras, Vale e outras Direção oposta: Zema quer “Privatizar todas as empresas estatais” (p. 15); Flávio, retomar a desestatização “com critério” (p. 70)
Dívida pública Samara e Edmilson: suspender pagamentos e auditar. Rui: cancelar Nenhum propõe
Polícias Samara, Hertz e Edmilson: unificar e desmilitarizar. Rui: dissolver a PM Nenhum propõe
Presídio no modelo de El Salvador Grassi: só com plebiscito Flávio (p. 14) e Renan (p. 13) adotam o modelo diretamente
Fila do SUS transparente Grassi: fila nacional única, consultável pelo paciente Lula: “fila única digital e ordenada pelo risco clínico” (p. 38). Renan: SUS Fila Zero (p. 25)
Menos papelada Grassi: deferimento automático. Marçal: aprovação tácita. Clariana: dados pedidos uma única vez Zema: dados informados “uma única vez” (p. 41)
Motoristas de aplicativo Avalanche: taxa de 3,5% ou app estatal. Hertz e Edmilson: plataformas públicas e carteira assinada Lula cita crédito para compra de carro e moto (p. 76)
Primeiro emprego Avalanche: governo paga parte do salário por seis meses Cury: incentivo fiscal para quem contratar jovens (p. 57)
Homeschooling Avalanche: apoiar a regulamentação Zema: regulamentar (p. 53)
Celular na escola Rui: acabar com a proibição Lula apresenta a proibição como realização (p. 24)

Um contexto importante sobre a escala 6×1: em 27 de maio de 2026, a Câmara aprovou em dois turnos a PEC 221/2019, que troca a jornada de 44 horas e seis dias por 40 horas em cinco dias, com transição. O texto passou pela CCJ do Senado em 2 de setembro e aguarda votação no plenário. As propostas de 30 a 36 horas dos partidos de esquerda vão além do que já tramita.

💡

Ideias que só aparecem entre os sete

Algumas propostas não têm paralelo em nenhum dos seis planos mais citados. Estar só aqui não as torna melhores nem piores; mostra que o debate da reta final deixou esses temas de fora.

  • Plebiscito antes de mudar o sistema prisional (Grassi). Os dois planos que citam El Salvador adotam o modelo sem consulta.
  • Portabilidade do aluguel para financiamento (Grassi). Usa o histórico de aluguel pago como prova de capacidade de pagamento.
  • Bolsa Atleta sem intermediação de federações (Grassi). Caiado e Lula falam em aperfeiçoar ou ampliar o programa, sem mexer em quem indica o atleta.
  • Cadastro de quem maltrata animais ligado à segurança pública (Grassi).
  • Pesquisador bolsista virando servidor (Grassi), por PEC.
  • Avaliação de impacto de toda política sobre mulheres e crianças (Clariana), com paralelo parcial em Caiado.
  • Vagão feminino obrigatório em todo o país (Avalanche).
  • Plataformas públicas de transporte e entrega (Hertz, Edmilson e, na forma de aplicativo estatal, Avalanche).
  • Políticos obrigados a usar o SUS (Samara).
  • Eleição de juízes (Samara, Rui e, com mandatos de dez anos, Edmilson).
  • Extinção do Senado e nova Constituinte (Edmilson).
🛤️

O que cada proposta precisaria para sair do papel

Não dá para dizer qual proposta é melhor sem entrar em preferência política, e isso cabe a quem vota. Dá para medir outra coisa: o tamanho do caminho. Uma proposta que depende só de lei ou de decisão do governo é mais fácil de executar do que uma que exige mudar a Constituição, e uma que diz quanto custa é mais fácil de cobrar do que uma que não diz.

Caminho Exemplos entre os sete
Decisão do governo ou lei comum Fila única e pública do SUS e cadastro de maus-tratos (Grassi); avaliação de impacto sobre mulheres e crianças (Clariana); Sistema Único Nacional de Segurança e alerta de falta de remédio (Avalanche); correção anual da tabela do IR (Hertz); Bolsa Atleta direta (Grassi)
Lei com impacto no orçamento Meu Primeiro Emprego (Avalanche); portabilidade do aluguel (Grassi); isenção do IR em cinco mínimos (Grassi); aumento de 100% do salário mínimo (Samara e Hertz)
Emenda à Constituição Imposto único (Grassi e Avalanche); jornada de 30 a 36 horas (Samara, Hertz, Edmilson e Rui); unificação das polícias e eleição de juízes (Samara, Hertz e Rui); PEC da Pesquisa (Grassi)
Nova Constituição ou ruptura com regras em vigor Constituinte e fim do Senado (Edmilson); desapropriação sem indenização de terras produtivas (Edmilson e Hertz); fim do STF (Rui); suspensão ou cancelamento da dívida (Samara, Edmilson e Rui)

Quanto ao custo, só o plano de Grassi apresenta conta para a proposta principal. Os demais não trazem estimativa, ou deixam para estudos futuros. Entre as ideias de caminho curto, algumas já têm base na lei: a Lei de Liberdade Econômica (Lei 13.874/2019) já prevê aprovação tácita para certos pedidos de empresas quando o governo não responde no prazo, e o CPF já é, por lei, o número único de identificação do cidadão (Lei 14.534/2023). As propostas de Grassi, Marçal e Clariana nessa área ampliariam o que existe.

🧮

Números que não fecham

  • Grassi, p. 13. O plano diz que os R$ 266 bilhões por ano de alívio no IR são “mais do que os orçamentos de Saúde e Educação somados”, citando R$ 271,3 bilhões e R$ 233,7 bilhões. A soma dá R$ 505 bilhões, quase o dobro. Na mesma página, o imposto único precisaria de “cerca de 1,4%” sobre os pagamentos, enquanto a alíquota proposta na página 10 é de 2% em cada ponta.
  • Avalanche, p. 4. O plano diz que a arrecadação federal foi de R$ 2,9 trilhões em 2025 e que o imposto único a faria triplicar. Três vezes isso dá cerca de R$ 8,7 trilhões, perto de 70% do PIB de 2025, de R$ 12,7 trilhões.
  • Samara, p. 12 e 15. Os “62 milhões” de desempregados contra os 5,9 milhões citados em outras páginas, e os R$ 2 trilhões da dívida tratados como “um terço do PIB”, quando equivalem a cerca de 16%.
  • Edmilson, p. 6. O número da Lei Antiterrorismo (a lei citada, 12.850/2013, é a das Organizações Criminosas).
  • Marçal, p. 19 e 23. Obras paradas e número de negativados, conferidos acima.
⚖️

Os pontos em discussão

Algumas propostas esbarram em regras da Constituição. Registro quais são, sem dizer se seriam aprovadas ou derrubadas:

Imposto único (Grassi e Avalanche). Os tributos estão divididos entre União, estados e municípios pelos artigos 153 a 156 da Constituição, e as contribuições da Previdência estão no artigo 195. O plano de Avalanche também atinge ICMS, ISS e IPVA, que são de estados e municípios; a União não pode dar isenção de tributo estadual ou municipal (art. 151, inciso III), e a forma federativa é cláusula pétrea (art. 60, §4º). Grassi reconhece que precisa de PEC. Os dois planos não mencionam que a reforma tributária de 2023 (Emenda 132) já está em transição, trocando PIS, Cofins, ICMS e ISS por CBS e IBS. Um imposto sobre movimentação financeira lembra a antiga CPMF, que vigorou até 2007.

Isenção do IR presa ao salário mínimo (Grassi). O artigo 7º, inciso IV, proíbe vincular o salário mínimo “para qualquer fim”. Há quem veja nisso um obstáculo para usar o mínimo como régua do imposto; o plano não trata da questão.

Desapropriação sem indenização (Edmilson, Hertz, Rui e Samara). A Constituição exige indenização prévia e justa na desapropriação (art. 5º, inciso XXIV), paga em títulos na reforma agrária (art. 184), e proíbe desapropriar para reforma agrária a propriedade produtiva (art. 185). O confisco sem indenização existe só para terras com cultivo ilegal de drogas ou trabalho escravo (art. 243), caso que o plano da UP cita.

Juízes eleitos e fim do STF (Samara, Rui e Edmilson). A entrada na magistratura é por concurso (art. 93, inciso I), e os ministros do STF são indicados pelo presidente e aprovados pelo Senado (art. 101). Mudar isso exige emenda, e a separação dos Poderes é cláusula pétrea.

Extinção do Senado e nova Constituinte (Edmilson). O Senado representa os estados (art. 46), e parte dos juristas entende que acabar com ele atinge a forma federativa, protegida como cláusula pétrea. A Constituição não prevê convocação de nova Assembleia Constituinte.

Restringir aplicativos (Avalanche). A livre iniciativa está no artigo 170, e a atuação do Estado como empresa depende de relevante interesse coletivo ou segurança nacional (art. 173).

Não sou jurista. Registro os pontos como aparecem no texto da Constituição e no debate público, sem dizer se as propostas seriam aprovadas ou derrubadas.

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Nota de método

Li os oito planos na íntegra: os sete dos candidatos na urna e o de Pablo Marçal, que teve o registro negado. As páginas citadas são as do arquivo PDF. Todas as citações foram conferidas contra o texto de cada página por um script, e as comparações com os seis candidatos mais citados usam os planos que eles registraram no TSE, os mesmos das matérias anteriores da série. Os perfis dos candidatos vêm do TSE e de reportagens publicadas entre agosto e setembro de 2026.

Apuração independente de Alexander Moraes, estudante de jornalismo, sem formação jurídica.

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Leia também

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Fontes

Planos de governo registrados no TSE: Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Leonardo Avalanche (PRTB), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP), Wilson Grassi (Democrata) e Pablo Marçal (PRTB, registro negado). Para o cruzamento: planos de Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Augusto Cury e Renan Santos.

Candidaturas: TSE (notícias de 2, 9 e 11 de setembro de 2026); Agência Brasil e CNN Brasil (11/09/2026) sobre Pablo Marçal; Poder360 e O Tempo sobre a substituição por Leonardo Avalanche; Gazeta do Povo, Correio Braziliense, CNN Brasil e Jovem Pan (perfis); Agência Brasil (17/09/2026), sobre o plano de Clariana Barão.

Pesquisas e debate: Datafolha (22 e 23/09/2026) e Quaest (24 a 27/09/2026), via Gazeta do Povo; Estado de Minas, sobre os convidados do debate da Globo.

Dados e leis: IBGE (PIB de 2025); TCU, Painel de Obras Paralisadas (abril de 2025); Serasa (fevereiro de 2026); Agência Câmara (27/05/2026) e Estado de Minas (setembro de 2026) sobre a PEC 221/2019; Constituição, arts. 5º, 7º, 46, 60, 93, 101, 151, 153 a 156, 170, 173, 184, 185, 195 e 243; Emenda Constitucional 132/2023; Leis 9.504/1997, 12.850/2013, 13.260/2016, 13.874/2019, 14.534/2023 e 15.280/2025.

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