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Apuração da eleição 2026: como acompanhar e entender os números

Alex News — Pesquisa Quaest: Lula 37% e Flávio 30%, com empate técnico no segundo turno — Eleições 2026

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Eleições 2026 · Apuração

A urna fecha às 17h. O que acontece depois, passo a passo

A partir das 17h deste domingo (4), os números começam a aparecer no site do TSE. Eles sobem aos poucos, mudam de ordem e às vezes assustam quem acompanha. Montei um guia para entender o que está na tela, quem ganha em cada cargo e como conferir o resultado da sua própria seção.

⏱️ Em 1 minuto

Quando: a divulgação começa às 17h, no horário de Brasília, para todos os estados ao mesmo tempo, já com os votos para presidente vindos do exterior.

Onde: no site Resultados e no aplicativo Resultados, os dois do TSE. Dá para escolher o país inteiro, um estado, uma cidade ou uma zona eleitoral.

Os números mudam: no começo, poucas urnas foram contadas e a ordem dos candidatos pode virar. O que vale é a porcentagem de seções já apuradas.

Presidente e governador: ganha no domingo quem passa da metade dos votos válidos. Se ninguém passar, os dois primeiros voltam às urnas em 25 de outubro.

Senado e deputados: senador não tem segundo turno: ganham os mais votados. Deputado depende primeiro dos votos do partido.

Branco e nulo: não vão para ninguém e não anulam a eleição.

Confira você mesmo: o boletim de urna fica colado na porta da seção, com um QR Code que pode ser lido pelo e-Título e comparado com o site do TSE.

17h
Começo da divulgação
horário de Brasília, todos os estados juntos
50% + 1
Dos votos válidos
para presidente e governador vencerem no 1º turno
25/10
Segundo turno
onde ninguém passar da metade
2 vagas
De senador por estado
em 2026; ganham os dois mais votados
🗳️

Da urna até o site, passo a passo

  • 17h: a votação termina no país inteiro. Quem já estava na fila ainda vota.
  • Na seção: o presidente da mesa encerra a urna, que imprime o boletim de urna, um resumo com o total de votos de cada candidato naquela seção. Uma via fica colada na porta.
  • Transmissão: os dados da urna são enviados para a Justiça Eleitoral.
  • Totalização: o TSE soma os boletins à medida que chegam e são processados.
  • Divulgação: o resultado parcial aparece no site e no app Resultados e vai sendo atualizado até a última seção.

No exterior, onde só se vota para presidente, a votação segue o horário de cada país. Por isso, quando o Brasil fecha as urnas, muitos países já votaram. Esses votos entram na mesma divulgação das 17h. Os detalhes estão no texto sobre os votos no exterior.

📎 Para quem quer conferir: o que diz o TSE

  • TSE, agosto de 2026: a divulgação começa “a partir das 17h, horário de Brasília, após o encerramento da votação, simultaneamente para todas as unidades da Federação”, incluindo “os votos destinados ao cargo de presidente da República recebidos do exterior”. Vale para o 1º turno e para o eventual 2º turno.
  • TRE-PE, setembro de 2026: “Terminada a votação, às 17h no horário de Brasília, os dados dos Boletins de Urna começam a ser transmitidos para a totalização.”
  • TSE: votação começa e termina no mesmo horário, de Brasília, em todo o país.
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Por que os números mudam durante a noite

Os boletins não chegam todos juntos nem em ordem. Uma cidade pequena pode ter as urnas somadas em minutos, enquanto uma capital grande leva mais tempo. Como cada região vota de um jeito, o candidato que aparece na frente com 10% das seções apuradas pode não ser o mesmo com 90%.

Por isso, o número mais importante da tela no começo da noite é a porcentagem de seções totalizadas. Com poucas seções, o retrato é de uma parte do país, não do todo.

Em algum momento, a imprensa e o próprio TSE passam a dizer que um candidato está “matematicamente eleito”. Isso acontece quando a diferença entre ele e o segundo colocado já é maior do que todos os votos que ainda faltam contar. A partir daí, nem que todos os votos restantes fossem para o adversário, o resultado mudaria.

Um exemplo com números redondos: o candidato A tem 10 milhões de votos de vantagem e faltam só 8 milhões de eleitores para apurar. Mesmo que os 8 milhões votassem todos no candidato B, A continuaria na frente. É aí que o resultado fica definido.

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Quem ganha em cada cargo

Cargo Quem ganha Tem 2º turno?
Presidente Quem tiver mais da metade dos votos válidos Sim, em 25/10, entre os dois primeiros, se ninguém passar da metade
Governador A mesma regra do presidente Sim, em 25/10, se ninguém passar da metade
Senador Os mais votados. Em 2026 são duas vagas por estado, e cada eleitor votou em dois nomes Não
Deputado federal e estadual Primeiro se calcula quantas cadeiras cada partido ou federação ganhou; depois entram os mais votados de cada um Não

Votos válidos são os dados a candidatos. Branco e nulo ficam fora dessa conta, e quem faltou também.

A regra dos deputados é a que mais confunde. O voto conta primeiro para o partido ou a federação. É por isso que um candidato muito votado de um partido pequeno pode ficar de fora, enquanto outro com menos votos, de um partido que somou muitos votos, consegue a vaga. A definição das últimas cadeiras costuma ser a parte mais demorada da noite.

Em dois lugares, o Rio de Janeiro e o Distrito Federal, há candidatos a governador com o registro negado que continuam com nome e foto na urna. Os votos neles contam como nulos e saem da conta dos válidos.

📎 Para quem quer conferir: Constituição e Código Eleitoral

  • Constituição, art. 77, § 2º: é eleito presidente quem obtiver “a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos”; § 3º: se ninguém alcançar, nova eleição entre “os dois candidatos mais votados”. O art. 28 aplica a mesma regra aos governadores.
  • Constituição, art. 46: o Senado é eleito “segundo o princípio majoritário”; o § 2º prevê a renovação alternada de um terço e dois terços a cada quatro anos. Em 2026, são dois terços, ou seja, duas vagas por estado.
  • Código Eleitoral, arts. 106 a 109: quociente eleitoral (votos válidos divididos pelo número de cadeiras), quociente partidário e distribuição das sobras na eleição proporcional.
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Branco e nulo: o que acontece com eles

Toda eleição circula a ideia de que, se mais da metade das pessoas votar nulo, a eleição é cancelada. Não é assim. O voto branco e o voto nulo do eleitor simplesmente não entram na conta dos válidos. Eles não vão para nenhum candidato e não anulam nada.

A confusão vem de um artigo do Código Eleitoral que fala em nova eleição quando a nulidade atinge mais da metade dos votos. Esse artigo trata de votos anulados pela Justiça Eleitoral, por exemplo por fraude ou pela cassação de um candidato, e não do nulo que o eleitor digita por vontade própria. Não sou jurista, mas essa é a explicação que a própria Justiça Eleitoral costuma dar.

📎 Para quem quer conferir: o artigo citado

Código Eleitoral, art. 224: prevê nova eleição “se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais”.

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Confira o resultado da sua seção

O boletim de urna é um documento público. Depois das 17h, ele fica colado na porta de cada seção, com o total de votos de cada candidato e um QR Code. Qualquer pessoa pode ler esse código e comparar com o que o TSE divulgou para aquela seção.

Em 2026, a leitura do QR Code está dentro do aplicativo e-Título, na função Boletim na Mão. Não é preciso instalar outro aplicativo. No site Resultados, também dá para baixar os boletins enviados para a totalização.

Se for fotografar o boletim, faça isso depois do encerramento e sem atrapalhar o trabalho dos mesários.

📎 Para quem quer conferir: fonte

TRE-PE, setembro de 2026: o aplicativo permite “consultar o conteúdo do BU de cada seção e comparar esses dados com os resultados totalizados e divulgados pelo TSE”; em 2026, está “integrado ao e-Título e dispensa a instalação de um segundo aplicativo”. O QR Code pode ser usado por “mesários, auxiliares, fiscais de partidos e eleitores em geral”.

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Como apurei

Usei as informações do TSE e do TRE-PE sobre a divulgação e a totalização em 2026, e os textos da Constituição e do Código Eleitoral para as regras de cada cargo. O exemplo do “matematicamente eleito” usa números redondos, inventados só para explicar a conta.

Não sou jurista. Explico as regras como estão escritas e como a Justiça Eleitoral as divulga, sem veredito sobre casos concretos.

Apuração independente de Alexander Moraes, estudante de jornalismo, sem formação jurídica.

Fontes

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