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Cleitinho é eleito em Minas no primeiro turno, e o governador fica em quarto
Minas escolheu governador no domingo, sem segundo turno. Cleitinho Azevedo, do Republicanos, teve 55,40% dos votos válidos. Patrus Ananias, do PT, ficou com 26,34%. Quem estava no cargo, Mateus Simões, terminou em quarto, com 4,65%. E Romeu Zema, que governou o estado por mais de sete anos e saiu em março para disputar a Presidência, teve 0,82% dos votos para presidente em Minas e terminou em sexto no país.
⏱️ Em 1 minuto
O Palácio Tiradentes fica com Cleitinho e com o vice Luís Eduardo Falcão, os dois do Republicanos. A coligação de Mateus Simões era a maior da disputa, com dez partidos, entre eles o Novo de Zema. Não segurou o governo. Zema, candidato a presidente pelo Novo, teve menos de 1% no estado que governou.
Para presidente, Flávio venceu em Minas por 588.612 votos, com 48,24%. Em 2022, no primeiro turno, Lula tinha ficado à frente no estado. Minas tem fama de termômetro: desde 1989, quem venceu a eleição presidencial também venceu entre os mineiros. O segundo turno, em 25 de outubro, vai mostrar se a regra continua.
O resultado nacional está no resultado da apuração. A conta de São Paulo, onde tirar o estado troca o primeiro lugar, está na reeleição de Tarcísio.
A disputa pelo governo
O eleitorado mineiro é de 16.361.188 pessoas. Votaram 12.627.167, o que deixa a abstenção em 22,82%. Os votos válidos somam 11.410.371. Brancos foram 658.416 e nulos, 556.916. Henrique Áreas, do PCO, teve 1.464 votos que aparecem como anulados sub judice, e por isso fica de fora da tabela. Somados, válidos, brancos, nulos e esses 1.464 dão os 12.627.167 que compareceram.
📊 Governo de Minas Gerais, votos válidos
| Candidato | Votos | % | Situação |
|---|---|---|---|
| Cleitinho Azevedo (Republicanos, 10) | 6.321.590 | 55,40% | Eleito |
| Patrus Ananias (PT, 13) | 3.006.088 | 26,34% | Não eleito |
| Flávio Roscoe (PL, 22) | 795.193 | 6,97% | Não eleito |
| Mateus Simões (PSD, 55) | 530.292 | 4,65% | Não eleito |
| Alexandre Kalil (PDT, 12) | 403.466 | 3,54% | Não eleito |
| Gabriel Azevedo (MDB, 15) | 237.051 | 2,08% | Não eleito |
| Ben Mendes (Missão, 14) | 80.308 | 0,70% | Não eleito |
| Indira Xavier (UP, 80) | 20.662 | 0,18% | Não eleito |
| Professor Túlio Lopes (PCB, 21) | 10.957 | 0,10% | Não eleito |
| Rafael Duda (PSTU, 16) | 4.764 | 0,04% | Não eleito |
TSE, governo de Minas, com 100% das seções. Na urna, Gabriel Azevedo aparece só como Gabriel; o nome completo é Gabriel Sousa Marques de Azevedo. A soma dos dez fecha com os 11.410.371 votos válidos.
Cleitinho concorreu pela chapa Minas É do Povo, com o Republicanos e o Podemos. Patrus, pela Pra Minas Gerais Voltar a Sonhar, com PSB, PCdoB, PT, PV, PSOL e Rede. O vice dele é Jarbas Soares, do PSB. Simões estava na Minas no Caminho Certo: PSD, PP, União, Novo, Avante, PRD, Solidariedade, Mobiliza, DC e Agir, com Danilo de Castro, da União, de vice. Foi a aliança com mais partidos, e terminou com 530 mil votos.
O PL, partido de Flávio Bolsonaro, teve candidato próprio, Flávio Roscoe, que ficou em terceiro, com 6,97%. Quem ganhou foi Cleitinho, do Republicanos, que já tinha declarado apoio a Flávio para presidente. Alexandre Kalil, que em 2022 foi o segundo colocado com 35,09%, desta vez teve 3,54%.
O caminho até o governo
O nome de urna é Cleitinho Azevedo. O nome civil, Cleiton Gontijo de Azevedo. Ao g1, em Divinópolis, ele disse: “Deus que me colocou aqui, Deus me fez vereador, deputado e senador e agora governador eleito.” O Correio Braziliense põe datas nesse caminho: vereador em Divinópolis em 2016, deputado estadual em 2018, senador em 2022. Para o Senado, em 2022, ele teve 4.268.193 votos, 41,52%. Agora, para governador, teve 6.321.590.
Senador e governador não se acumulam. O mandato dele no Senado iria até 2031. Ao tomar posse no governo, em janeiro, ele deixa a cadeira, que passa para o suplente.
Zema e o sucessor
Romeu Zema, do Novo, venceu o governo de Minas em 2018 e foi reeleito em 2022 no primeiro turno, com 6.094.136 votos, 56,20% dos válidos. Em março de 2026, deixou o cargo para disputar a Presidência, como a lei exige de quem é governador. O vice, Mateus Simões, assumiu.
Os dois foram mal nas urnas. Zema teve 326.488 votos para presidente no país, 0,27%, e ficou em sexto. Em Minas, foram 98.407, 0,82%, cerca de 30% de todos os votos que ele recebeu no Brasil. A CNN Brasil comparou: em 2018, João Amoêdo, também pelo Novo, teve 2.679.745 votos para presidente, 2,50%.
Simões, que trocou o Novo pelo PSD em 2025, terminou em quarto para governador, com 4,65%. O PSD tinha candidato próprio a presidente, Ronaldo Caiado. Segundo O Tempo, Simões chegou a pressionar Zema a desistir da candidatura para abrir caminho a um acordo com Flávio Bolsonaro, e o acordo não saiu. A pouca presença de Zema na campanha do sucessor virou assunto, e Simões respondeu assim, segundo a Folha de Minas: “Não é proposital, mas não me causa preocupação, até porque acho muito difícil que alguém olhe para as minhas propostas e não lembre dele imediatamente.”
Na noite do resultado, Zema indicou apoio a Flávio no segundo turno. A frase que O Tempo registrou foi: “Onde estiver PT, nós estaremos contra.”
Presidente em Minas
Flávio teve 5.777.548 votos no estado, 48,24% dos válidos. Lula teve 5.188.936, 43,33%. A diferença é de 588.612. Augusto Cury ficou com 3,42%, Renan Santos com 2,06%, Ronaldo Caiado com 1,92%. Zema, com 0,82%, ficou em sexto na disputa presidencial, no estado que governou.
No país, com todas as seções, Flávio teve 2.224.965 votos de vantagem, 47,03% contra 45,16%. A vantagem dele em Minas é menor do que essa. Sem Minas, Flávio seguiria na frente: 50.326.955 a 48.690.602, diferença de 1.636.353.
O mapa das cidades conta outra história. Lula ficou à frente em 452 dos 853 municípios mineiros, e Flávio em 401. Flávio venceu no estado porque teve mais votos nas cidades maiores. Em Belo Horizonte, fez 48,30% contra 41,39% de Lula. O detalhe por cidade está em Eleição de 2026 por município.
Em 2022, no primeiro turno, Lula teve 48,29% em Minas e Jair Bolsonaro, 43,60%. No segundo, Lula venceu no estado por 49.650 votos, 50,20% a 49,80%, a margem mais apertada daquela eleição entre os grandes estados. De lá para cá, a diferença entre PT e PL em Minas andou 9,6 pontos para o lado do PL, e, no saldo, o PT perdeu a dianteira em 178 cidades.
✂️ Uma conta, não um cenário oficial
O TSE não publica um Brasil sem Minas. A subtração é minha, feita com dois totais oficiais e finais, o do Brasil e o de Minas, os dois com 100% das seções.
🌡️ O termômetro mineiro
Minas é o segundo maior eleitorado do país, atrás de São Paulo, com cerca de 10% dos eleitores. Desde a volta da eleição direta, em 1989, quem venceu a Presidência também venceu em Minas. Foram nove eleições seguidas.
| Ano | Mais votado em Minas | % em Minas | Venceu no país? |
|---|---|---|---|
| 1989 | Fernando Collor | 55,51% | Sim |
| 1994 | Fernando Henrique Cardoso | 64% | Sim |
| 1998 | Fernando Henrique Cardoso | 55% | Sim |
| 2002 | Lula | 66,4% | Sim |
| 2006 | Lula | 65% | Sim |
| 2010 | Dilma Rousseff | 58,45% | Sim |
| 2014 | Dilma Rousseff | 52,41% | Sim |
| 2018 | Jair Bolsonaro | 58,19% | Sim |
| 2022 | Lula | 50,20% | Sim |
Percentual no turno que decidiu a eleição, conforme levantamento de O Tempo com dados da Justiça Eleitoral; 2022 conferido com a base do TSE daquela eleição. Uma reportagem da TVT News afirmou que 1994 seria exceção, mas Fernando Henrique foi o mais votado em Minas naquele ano, com cerca de 64%, segundo o mesmo levantamento. A regra é um padrão observado, não uma lei: nada garante que se repita em 25 de outubro.
Na noite da vitória
Além da frase sobre a própria carreira, Cleitinho falou em pacificar. Ao g1: “Quero ser um governador que vai trazer a pacificação deste país. Minas Gerais vai ser exemplo, porque nós somos um só povo e eu tenho que cuidar de todos vocês.”
O Tempo ouviu, na mesma noite, o apoio a Flávio no segundo turno: “Eu já ia apoiar o Flávio, então está tudo certo.” No mesmo relato, a prioridade que ele anunciou foi combater as injustiças e sentar com quem for eleito presidente, “independente quem for”. As duas coisas estão na mesma cobertura.
Ao Valor, falou da passagem de governo. Luís Eduardo Falcão conduz a transição, e ele quer conversar com Mateus Simões “para dar continuidade com o que for bom”. Citou também Flávio Roscoe e Gabriel Azevedo. Simões, em nota reproduzida por O Tempo, pediu uma transição exemplar e desejou bom governo ao eleito.
No Senado, Minas elegeu Domingos Sávio, do PL, com 24,21%, e Marília Campos, do PT, com 19,44%. Carlos Viana, do PSD, ficou em terceiro, com 17,46%.
Para presidente, Flávio ficou na frente em Minas, mas abaixo de 50%. Cleitinho e Zema declararam apoio a ele no segundo turno, em 25 de outubro. Se isso vai virar campanha nas ruas, as próximas três semanas vão mostrar.
Continue acompanhando
Nota de método. Governo e Senado de Minas: totalização da eleição estadual do TSE, com as 52.062 seções. Os 1.464 votos do PCO constam como anulados sub judice. Presidente em Minas: eleição federal, as mesmas seções. Brasil: resultado final do TSE, com as 499.248 seções. A conta sem Minas é minha. Carreira de Cleitinho conforme a fala ao g1 e a sequência do Correio Braziliense; votação de 2022 para o Senado conforme o Poder360. Zema em 2022 conforme a divulgação oficial daquela eleição; saída em março, troca de partido de Simões e a tentativa de acordo conforme O Tempo e Folha de Minas; comparação com Amoêdo conforme a CNN Brasil; frase de Zema conforme O Tempo. Série de Minas desde 1989 conforme O Tempo; 2022 conferido com a base do TSE por município. Cidades e Belo Horizonte conforme o levantamento por município, conferido com Poder360 e Brasil 247. Frases de Cleitinho: g1, O Tempo e Valor. A nota de Simões, pela reprodução de O Tempo.
Não sou jurista. A regra de saída do cargo para disputar outra eleição e os votos sub judice seguem o que a Justiça Eleitoral divulga.
Apuração independente de Alexander Moraes, estudante de jornalismo, sem formação jurídica.
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