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Flávio Bolsonaro disputa a Presidência sem coligação. Das 13 chapas na urna, só duas reuniram mais de um partido
Conferi na lista oficial do TSE com quem cada candidato registrou aliança, quanto tempo de rádio e TV isso rendeu e quanto do fundo eleitoral cabe aos partidos de cada chapa. Também separei os partidos que não lançaram ninguém e se declararam neutros, e os apoios que correm por fora do papel.
›Candidato por candidato
›Coligação, federação e chapa pura
›Onde a aliança pesa: rádio e TV
›O fundo eleitoral de cada chapa
›Os partidos que ficaram neutros
›Os apoios que correm por fora
›O resumo que circula nas buscas
›O que isso diz sobre a eleição
As 13 chapas e suas alianças
A lista abaixo segue a publicação do TSE no Diário da Justiça Eletrônico de 23 de setembro, que traz os partidos, as federações e as coligações de cada chapa. A ordem é alfabética.
| Candidato | Vice | Aliança registrada | TV por bloco |
|---|---|---|---|
| Augusto Cury (Avante) | Júlio Delgado (Avante) | Coligação Brasil dos Nossos Sonhos: Avante e Agir | 35 segundos |
| Clariana Barão (DC) | Fabiana Torquato (DC) | Sem coligação | Sem tempo |
| Edmilson Costa (PCB) | Cleusa Santos (PCB) | Sem coligação | Sem tempo |
| Flávio Bolsonaro (PL) | Alfredo Gaspar (PL) | Sem coligação | 4min20s |
| Hertz Dias (PSTU) | Vanessa Portugal (PSTU) | Sem coligação | Sem tempo |
| Leonardo Avalanche (PRTB) | Silvia (PRTB) | Sem coligação | Sem tempo |
| Lula (PT) | Geraldo Alckmin (PSB) | Coligação Brasil Pronto pra Mais: federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), federação PSOL Rede, PDT e PSB | 5min31s |
| Renan Santos (Missão) | Coronel Medina (Missão) | Sem coligação | Sem tempo |
| Romeu Zema (Novo) | Eduardo Girão (Novo) | Sem coligação | Sem tempo |
| Ronaldo Caiado (PSD) | Gilberto Kassab (PSD) | Sem coligação | 2min02s |
| Rui Costa Pimenta (PCO) | Antônio Carlos (PCO) | Sem coligação | Sem tempo |
| Samara Martins (UP) | Raquel Brício (UP) | Sem coligação | Sem tempo |
| Wilson Grassi (Democrata) | Suêd Haidar (Democrata) | Sem coligação | Sem tempo |
Os registros de 12 chapas foram aprovados pelo TSE entre 2 e 11 de setembro. O de Leonardo Avalanche, que entrou no lugar de Pablo Marçal em 14 de setembro, aparecia como “em julgamento” na última consulta. Quem está nessa situação faz campanha e tem o nome na urna, e os votos só valem se o registro for aprovado. O perfil de cada candidato, com a situação do registro e o histórico da campanha, está na lista completa dos 13 candidatos.
Candidato por candidato
Augusto Cury (Avante)
É o único, além de Lula, com coligação formal: o Avante se juntou ao Agir na chapa Brasil dos Nossos Sonhos, com o ex-deputado Júlio Delgado de vice. A aliança rendeu 35 segundos por bloco no horário eleitoral. Fora do papel, ganhou o apoio pessoal de Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, declarado em 7 de setembro, embora o partido dele tenha se declarado neutro.
Clariana Barão (DC)
Chapa pura da Democracia Cristã, com duas mulheres. Sem tempo no horário eleitoral, porque o DC não atingiu a cláusula de desempenho.
Edmilson Costa (PCB)
Chapa pura do PCB. O partido não se coligou com a chapa de Lula nem com os demais partidos de esquerda e não tem tempo no horário eleitoral.
Flávio Bolsonaro (PL)
Chapa puro-sangue: presidente e vice do mesmo partido, o PL, que registrou a candidatura sem aliados. O vice é o deputado Alfredo Gaspar, de Alagoas. Mesmo sozinho, Flávio tem o segundo maior tempo no horário eleitoral, porque o PL tem uma das maiores bancadas da Câmara, e o partido recebeu a maior fatia do fundo eleitoral. Nos estados, Flávio anunciou apoio a candidatos ao Senado de oito outros partidos, entre eles MDB, PP, PSD e Novo, o que não transforma esses partidos em aliados da chapa presidencial. Na reta final, pediu a Zema e a Caiado que desistissem a seu favor, e os dois recusaram.
Hertz Dias (PSTU)
Chapa pura do PSTU, sem tempo no horário eleitoral.
Leonardo Avalanche (PRTB)
Chapa pura do PRTB, montada às pressas depois que o TSE negou o registro de Pablo Marçal. Sem coligação e sem tempo no horário eleitoral.
Lula (PT)
Tem a maior aliança da eleição: a coligação Brasil Pronto pra Mais reúne sete partidos, organizados em duas federações e dois partidos avulsos. A federação Brasil da Esperança junta PT, PCdoB e PV; a federação PSOL Rede junta os dois partidos do nome; PDT e PSB entram por conta própria, e o PSB indicou o vice, Geraldo Alckmin. O resultado é o maior tempo de rádio e TV e a maior soma de fundo eleitoral entre as chapas. Fora da coligação, Lula tem apoios individuais em partidos que se declararam neutros, como o presidente da Câmara, Hugo Motta, do Republicanos, e nomes do PSD, como o ministro Alexandre Silveira.
Renan Santos (Missão)
Chapa pura do Missão, com Coronel Medina de vice. O partido tem como diretriz nacional não se coligar com ninguém e, recém-criado, não tem tempo no horário eleitoral.
Romeu Zema (Novo)
Chapa pura do Novo, com o senador Eduardo Girão de vice. O partido não cumpre a cláusula de desempenho e ficou sem tempo no horário eleitoral. Em 26 de setembro, Zema manteve a candidatura, mas liberou os candidatos do Novo a apoiar Flávio Bolsonaro já no primeiro turno. Marina Helena, candidata a deputada federal por São Paulo, foi uma das que anunciaram o voto em Flávio.
Ronaldo Caiado (PSD)
Chapa pura do PSD, com o presidente do partido, Gilberto Kassab, de vice. O tempo de 2min02s por bloco vem da bancada do próprio PSD. O partido está dividido: o próprio Kassab admitiu em março que haveria filiados com Lula, com Caiado e com Flávio, e nomes como o ministro Alexandre Silveira e o senador Otto Alencar estão com Lula.
Rui Costa Pimenta (PCO)
Chapa pura do PCO, sem tempo no horário eleitoral.
Samara Martins (UP)
Chapa pura da Unidade Popular, com duas mulheres. Sem tempo no horário eleitoral.
Wilson Grassi (Democrata)
Chapa pura do Democrata, antigo PMB. Sem tempo no horário eleitoral.
Coligação, federação e chapa pura
Não sou jurista. Explico as regras como estão escritas na Constituição e nas leis eleitorais, sem fazer avaliação jurídica sobre as chapas.
- Coligação é uma aliança feita só para a eleição. Desde a Emenda Constitucional 97, de 2017, ela só vale para cargos majoritários, como presidente, governador e senador. A Constituição autoriza os partidos a escolher “o regime de suas coligações nas eleições majoritárias, vedada a sua celebração nas eleições proporcionais”. Terminada a eleição, a coligação deixa de existir.
- Federação é uma união mais longa. Criada pela Lei 14.208, de 2021, obriga os partidos a ficar juntos por pelo menos quatro anos e a atuar como se fossem um só, inclusive no Congresso. Quem sai antes do prazo sofre punições, como a proibição de se coligar nas eleições seguintes. Há cinco federações registradas no TSE: Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), PSOL Rede, PSDB Cidadania, Renovação Solidária (Solidariedade e PRD) e União Progressista (União Brasil e PP).
- Chapa pura, ou puro-sangue, é quando presidente e vice são do mesmo partido e ninguém mais entra na aliança. É o caso de 11 das 13 chapas.
Na prática, uma federação conta como um partido só dentro da coligação. Por isso a aliança de Lula tem sete partidos, mas quatro integrantes formais: duas federações, o PDT e o PSB.
Onde a aliança pesa: rádio e TV
O horário eleitoral gratuito vai de 28 de agosto a 1º de outubro. A regra divide 90% do tempo de forma proporcional ao número de deputados federais eleitos em 2022 pelos partidos de cada chapa e 10% em partes iguais. Só entram na conta os partidos que cumpriram a cláusula de desempenho, que exige uma votação mínima para a Câmara ou um número mínimo de deputados espalhados por pelo menos nove estados.
| Chapa | Tempo por bloco | Inserções de 30 segundos |
|---|---|---|
| Lula (coligação de sete partidos) | 5min31s | 434 |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 4min20s | 339 |
| Ronaldo Caiado (PSD) | 2min02s | 160 |
| Augusto Cury (Avante e Agir) | 35s | 47 |
| Os outros nove candidatos | Sem tempo | Sem inserções |
A conta mostra o peso das alianças. O PL tem, sozinho, uma bancada maior que a do PT, mas a soma da federação Brasil da Esperança com PSOL, Rede, PDT e PSB deu a Lula mais de um minuto de vantagem sobre Flávio em cada bloco. E o maior grupo da Câmara, a federação União Progressista, com 104 deputados, não entrou em nenhuma chapa: o tempo que ela poderia somar ficou fora da disputa presidencial.
O fundo eleitoral de cada chapa
O Fundo Especial de Financiamento de Campanha de 2026 é de R$ 4,96 bilhões, dividido entre 30 partidos. Um cuidado de leitura: o dinheiro vai para o partido, que o reparte entre todas as suas candidaturas, de deputado estadual a presidente. Os valores abaixo mostram o tamanho da estrutura por trás de cada chapa, e não o quanto cada candidato a presidente vai gastar.
| Chapa | Partidos | Fundo eleitoral dos partidos da chapa |
|---|---|---|
| Lula | Federação Brasil da Esperança, PSOL, Rede, PDT e PSB | Cerca de R$ 1,21 bilhão |
| Flávio Bolsonaro | PL | R$ 881,7 milhões |
| Ronaldo Caiado | PSD | R$ 421 milhões |
| Augusto Cury | Avante e Agir | Cerca de R$ 75,8 milhões |
| Romeu Zema | Novo | R$ 37 milhões |
| Os outros oito | Missão, DC, PCB, PCO, PRTB, PSTU, UP e Democrata | R$ 3,3 milhões cada partido |
Os totais de Lula e de Cury são somas que fiz a partir da tabela do TSE. O Novo, que por anos recusou o fundo, decidiu destinar R$ 5 milhões à campanha de Zema.
Os partidos que ficaram neutros
Seis partidos e federações grandes decidiram não lançar candidato e não apoiar ninguém oficialmente no primeiro turno. Em quase todos, a neutralidade veio acompanhada da liberação dos diretórios estaduais, o que deixa cada liderança livre para fazer campanha para quem quiser.
| Partido ou federação | Decisão | Como se dividem na prática |
|---|---|---|
| MDB | Convenção nacional de 27 de julho; diretórios liberados | Em março, 17 diretórios estaduais assinaram manifesto contra aliança nacional com o PT |
| Republicanos | Convenção nacional no começo de agosto | O presidente do partido, Marcos Pereira, declarou apoio pessoal a Flávio; o presidente da Câmara, Hugo Motta, a Lula; Tarcísio de Freitas defendeu aliança com Flávio e perdeu |
| Podemos | Anúncio da presidente Renata Abreu em 4 de agosto | Sem apoios nacionais relevantes declarados |
| União Progressista (União Brasil e PP) | Convenções do PP (31 de julho) e do União Brasil (4 de agosto); estados liberados | Coliga com o PL em cerca de dez estados e com o PT em outros; vai rediscutir a neutralidade em 6 de outubro |
| Renovação Solidária (Solidariedade e PRD) | Convenção de 5 de agosto; diretórios liberados | Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, apoia Augusto Cury |
| PSDB Cidadania | Sem candidato desde a desistência de Aécio Neves, em 9 de julho | Partido dividido entre alas que conversam com o PT e com Flávio |
Os apoios que correm por fora
Nenhum partido declarou apoio formal a um candidato sem entrar numa coligação. O que existe são adesões individuais e estaduais, que não mudam o registro da chapa nem o tempo de TV, mas mudam o palanque:
- Novo com Flávio. Com o aval de Zema, candidatos do partido declararam voto em Flávio no primeiro turno. Marina Helena, candidata a deputada federal por São Paulo, é o nome mais citado. Outros, como o candidato ao Senado Sebastião Coelho, no Distrito Federal, sinalizaram na mesma direção.
- PSD dividido. O partido tem candidato próprio, mas parte das lideranças está com Lula, entre elas o ministro Alexandre Silveira e o senador Otto Alencar.
- Republicanos em três direções. O presidente do partido está com Flávio, o presidente da Câmara está com Lula, e o governador de São Paulo trabalha para levar o partido a Flávio num eventual segundo turno.
- Solidariedade com Cury. Paulinho da Força declarou apoio “como pessoa física”, sem envolver o partido.
O resumo que circula nas buscas
Um resumo gerado por inteligência artificial num buscador, com o panorama das alianças, chegou até mim. Conferi cada afirmação:
| O que o resumo diz | O que conferi |
|---|---|
| Flávio Bolsonaro não tem coligação formal; chapa puro-sangue do PL, com Alfredo Gaspar de vice | Correto, segundo a lista oficial do TSE |
| Lula lidera coligação com PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PDT e PSB | Correto. O resumo não diz que PT, PCdoB e PV formam uma federação, assim como PSOL e Rede |
| MDB, Republicanos, Podemos, União Progressista, Renovação Solidária e PSDB Cidadania se declararam neutros no primeiro turno | Correto no essencial, mas incompleto: omite que os diretórios foram liberados e que lideranças desses partidos apoiam Lula ou Flávio individualmente |
| “Diversos” candidatos e parlamentares do Novo anunciaram apoio informal a Flávio | Exagerado. Zema liberou os candidatos em 26 de setembro, e poucos nomes aparecem confirmados em mais de uma fonte |
| O panorama vem de um levantamento do Valor Econômico de 23 de setembro | Não consegui localizar nem abrir essa matéria, por isso não usei o que é atribuído a ela |
| Não menciona outras coligações | Incompleto: Augusto Cury também tem coligação registrada, com o Agir |
O que isso diz sobre a eleição
Coligação, no fim, é moeda de troca. Rende tempo de TV, estrutura nos estados e, depois da eleição, cadeiras no governo. Lula usou essa moeda até onde deu e montou a maior aliança do pleito, basicamente com a esquerda e a centro-esquerda que já estavam com ele. Flávio preferiu a chapa pura, e pôde se dar a esse luxo porque o PL, sozinho, tem uma das maiores bancadas da Câmara e o maior pedaço do fundo eleitoral.
O dado mais revelador está nos neutros. MDB, Republicanos, União Progressista e companhia somam boa parte da Câmara e escolheram não escolher. Liberaram os estados, deixaram cada cacique fazer a própria campanha e marcaram a conversa séria para depois do primeiro turno, quando o apoio passa a valer mais na negociação. Para o eleitor, fica a lição de olhar além da sigla do candidato: o palanque que aparece no estado nem sempre é o mesmo que está registrado no TSE.
Nota de método
A composição das chapas vem da lista de partidos, federações e coligações publicada pelo TSE no Diário da Justiça Eletrônico em setembro. O tempo de rádio e TV vem do plano de mídia aprovado pelo TSE em agosto, e os valores do fundo eleitoral, da tabela oficial de distribuição do FEFC 2026. As posições dos partidos neutros e os apoios individuais foram conferidos em mais de um veículo sempre que possível. Onde as fontes divergiram em um número, como nas inserções de Lula e de Caiado, usei o dado do TSE.
Apuração independente de Alexander Moraes, estudante de jornalismo, sem formação jurídica.
Fontes
Oficiais: TSE (lista de partidos, federações, coligações e candidaturas publicada no DJE; validação dos registros em 2 e 9 de setembro; “Eleições 2026 têm 12 candidaturas”; plano de mídia do horário eleitoral; distribuição do FEFC 2026; federações registradas); Planalto (Emenda Constitucional 97/2017 e Lei 9.504/1997); Câmara dos Deputados (Lei 14.208/2021); Agência Senado (critérios de divisão do tempo de propaganda).
Imprensa: CNN Brasil (chapa de Flávio; apoio de Flávio a candidatos ao Senado; Zema libera candidatos; candidatos do Novo com Flávio; Tarcísio e Republicanos; Marcos Pereira; Paulinho da Força; União Progressista rediscute neutralidade; Ciro Nogueira); Gazeta do Povo (registro da chapa do PL; partidos neutros; MDB; PSDB); Poder360 (coligação de Lula; tempo de TV; Hugo Motta; Podemos; PSD e Caiado; fundo do Novo; PRTB); Metrópoles (União Progressista nos estados; Novo em Minas); Agência Brasil (União Brasil; Avante); Congresso em Foco (Renovação Solidária); O Tempo (pedido de Flávio a Zema e Caiado); InfoMoney (Kassab); ND Mais (coligação de Cury); SBT News (Missão).
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