⏳ Áudio em breve
Nesta terça, às 10h, com transmissão, credenciamento e estrutura de evento
O Supremo julga nesta terça-feira, em sessão aberta, a decisão que tirou o chefe da Polícia Federal do cargo, e no meio disso está a conduta de Alexandre de Moraes. Tem TV Justiça, Rádio Justiça, YouTube e sinal liberado para qualquer emissora. Para a imprensa que for até lá, o tribunal montou telão, cadeiras, mesas, wifi, água e café.
Começo pelo que talvez seja a imagem mais reveladora da semana, e ela não está em nenhuma decisão judicial.
A estrutura que o tribunal montou
O Supremo divulgou as regras de cobertura da sessão de terça, e elas descrevem um evento.
A sessão será transmitida pela Rádio Justiça, pela TV Justiça e pelo canal do STF no YouTube, a partir das 10h.
O sinal fica liberado para retransmissão por qualquer emissora interessada.
Fotógrafos e cinegrafistas precisam se credenciar.
Não será permitido montar estrutura de estúdio na marquise do prédio principal, apenas estrutura básica para links.
E haverá, para a imprensa, estrutura com telão, cadeiras, mesas, wifi, água e café.
Não há nada de errado nisso. Tribunal que julga em público precisa organizar a cobertura, e transmitir é melhor do que decidir a portas fechadas.
Mas vale reparar no tamanho do aparato. O Supremo se preparou para receber o país assistindo, e montou o cenário para isso. Quando a corte precisa organizar café e wifi para acompanhar uma sessão sobre a conduta dos próprios ministros, o recado já foi dado antes de o primeiro voto ser proferido.
O que será julgado, e o que não será
Aqui mora a confusão mais comum, e dá para resolver em dois parágrafos.
✅ Terça, dia 15
A sessão é dedicada exclusivamente a um processo, a Petição 16.662.
O objeto imediato é a decisão de André Mendonça que afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada, além das restrições impostas à corporação.
É dentro dele que estão os relatórios da Polícia Federal com as mensagens atribuídas a Moraes, e por isso a sessão acabou virando, na prática, a sessão sobre Moraes.
📅 Quarta, dia 23
A conduta de Mendonça à frente do caso Master fica para outro dia, na Petição 16.704.
Moraes pediu que os dois fossem julgados juntos, na mesma sessão. Fachin negou.
A justificativa é processual: a 16.704 ainda está em fase de instrução, com prazos correndo, enquanto a 16.662 já estava pronta para julgamento.
São duas sessões, com oito dias de intervalo, e cada uma olha para um ministro. Quem esperava ver o Supremo resolver tudo de uma vez vai ter que voltar na semana seguinte, e no meio do caminho ainda tem o primeiro turno da eleição chegando, o que significa que o tribunal vai atravessar outubro com dois julgamentos abertos sobre a conduta dos próprios integrantes.
O que aconteceu no fim de semana
Enquanto o país acompanhava o ciclone no Sul e a eleição a três semanas do voto, o Supremo teve sábado movimentado.
Mendonça entregou o caso. Ele determinou a remessa da Petição 16.662 à Presidência depois de identificar, no relatório da Polícia Federal, referência a uma pessoa cuja presença no processo atrai a competência do presidente do tribunal, conforme o regimento interno.
Fachin assumiu a relatoria e mandou que outras duas petições, a 15.041 e a 15.556, também fossem encaminhadas à Presidência, com os procedimentos ligados a elas.
Fachin negou o pedido de Moraes para juntar os dois julgamentos na mesma data, e marcou o do dia 23.
Somando com o que ele já tinha feito na quarta, quando assumiu o inquérito das fake news e suspendeu as decisões de Mendonça e de Dino, o resultado é que quatro processos ligados à crise estão hoje na mesa do presidente do Supremo.
É concentração de poder num gabinete só, feita para conter uma crise que nasceu de decisões individuais em excesso. Escrevi sobre esse movimento quando ele começou.
Como chegamos aqui, em duas semanas
1º de setembro · Mendonça torna público o relatório da PF sobre o celular apreendido do banqueiro Daniel Vorcaro. Escrevi sobre o documento aqui.
2 e 3 de setembro · O partido Novo pede investigação e, depois, a prisão do diretor-geral da PF. Moraes divulga relatórios de inteligência apontando irregularidades na conduta de Mendonça.
8 de setembro · Mendonça afasta Andrei Rodrigues e Leandro Almada. O governo recorre. Contei o que a decisão determinava.
9 de setembro, manhã · Dino manda reintegrar os dois, por entender que partido político não pode pedir medida cautelar em processo penal. Detalhei a decisão e o paralelo com o caso Ramagem.
9 de setembro, tarde · Fachin suspende as duas decisões, mantém os delegados nos cargos, convoca o plenário e tira o inquérito das fake news das mãos de Moraes, depois de sete anos. Escrevi sobre isso aqui.
12 de setembro · Mendonça remete o caso à Presidência. Fachin assume, puxa mais dois processos e marca o dia 23.
15 de setembro · A sessão.
O que observar na sessão
🪑 Quem senta e quem não senta
Será a primeira vez, desde 1º de setembro, que Moraes e Mendonça se encontram numa sessão pública do tribunal.
Se algum deles se declarar impedido, isso muda a conta dos votos antes de qualquer discussão de mérito.
👮 O que acontece com a PF
O afastamento de Andrei está suspenso por decisão de Fachin, não derrubado. O plenário pode confirmar a suspensão, restabelecer o afastamento ou construir outra saída.
📄 O destino dos relatórios
Os documentos da PF que começaram tudo estão dentro do processo que será julgado. A corte pode decidir o que fazer com eles: manter públicos, restringir de novo ou remeter para outra apuração.
🎟️ Como assistir
A partir das 10h, pelo canal do STF no YouTube, pela TV Justiça ou pela Rádio Justiça. Qualquer emissora pode retransmitir, então provavelmente vai estar na TV aberta e nos canais de notícias também.
É sessão de tribunal, então não espere ritmo de jogo: tem leitura de relatório, sustentação oral e voto a voto. Pode durar horas.
🧾 Nota de método
As regras de cobertura e a transmissão foram divulgadas pelo próprio Supremo. As decisões de sábado estão descritas conforme a cobertura de Migalhas, Poder360 e Revista Oeste publicada entre 12 e 14 de setembro de 2026. Não li a íntegra dos despachos.
Os números de processo aparecem aqui porque ajudam a acompanhar o caso, e não para dar ar técnico ao texto: são a única forma de separar o que é julgado no dia 15 do que fica para o dia 23.
Nenhuma das pessoas citadas foi denunciada, acusada formalmente ou condenada. Relatório de polícia reúne indícios. Moraes nega irregularidade.
O caso muda de hora em hora, e esta página vale para a manhã de 14 de setembro de 2026. A sessão pode ser adiada, ampliada ou ter o objeto alterado até o momento de começar.
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Fontes
Comunicado do Supremo Tribunal Federal sobre a transmissão e o credenciamento para a sessão plenária extraordinária de 15 de setembro de 2026.
Despacho do presidente do STF, Edson Fachin, de 12 de setembro de 2026, que rejeitou o pedido de reunião dos processos e marcou a sessão de 23 de setembro.
Decisão do ministro André Mendonça, de 12 de setembro de 2026, remetendo a Petição 16.662 à Presidência do tribunal.
Cobertura de Migalhas, Poder360 e Revista Oeste publicada entre 12 e 14 de setembro de 2026.
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