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Fachin suspende decisões de Mendonça e Dino sobre a PF

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Caso Master · Crise no Supremo

Três decisões em trinta horas, e o presidente do tribunal teve que parar tudo

Edson Fachin suspendeu nesta quarta-feira as decisões de André Mendonça e de Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal. Andrei Rodrigues e Leandro Almada continuam nos cargos, agora por ordem da Presidência do Supremo. E o caso inteiro foi levado ao plenário, em sessão extraordinária marcada para 15 de setembro.

3
Decisões em 30 horas
de três ministros diferentes
15/09
Sessão extraordinária
plenário convocado para as 10h
48h
Prazo dado a Andrei
para explicar por que deve ficar
25
Dias para a eleição
primeiro turno em 4 de outubro

Ontem eu escrevi que a decisão de Mendonça valia. Hoje de manhã escrevi que a de Dino tinha derrubado a de Mendonça. Agora, no fim da tarde, as duas caíram.

Não é falta de atenção minha nem dos outros veículos. É que o caso mudou três vezes em pouco mais de um dia, e cada mudança veio de um ministro diferente do mesmo tribunal.

📋

O que Fachin decidiu

Suspendeu a decisão de Mendonça, de terça-feira, que havia afastado Andrei Rodrigues da direção-geral da PF e Leandro Almada da Diretoria de Inteligência.

Suspendeu também a decisão de Dino, tomada horas antes nesta quarta, que havia mandado reintegrar os dois.

Manteve os dois nos cargos enquanto o caso não for julgado. Na prática o resultado é o mesmo da decisão de Dino, mas a ordem que sustenta isso agora é da Presidência do tribunal.

Convocou sessão plenária extraordinária para 15 de setembro, às 10h.

Deu 48 horas para Andrei Rodrigues se manifestar, e disse que vai analisar a permanência dele na direção da corporação.

Centralizou na Presidência a análise de todos os processos ligados aos relatórios da Polícia Federal que estão no centro da crise.

💬

A frase que resume o motivo

Fachin foi direto ao ponto que qualquer pessoa percebe olhando de fora: ministros do mesmo tribunal estavam decidindo o contrário um do outro, sobre o mesmo assunto, em processos diferentes.

Ele escreveu que se formou um quadro de conflitos e sobreposições processuais que configuram grave lesão à ordem pública e à integridade deste Tribunal, e apontou risco de determinações contraditórias e de tumulto processual.

Escreveu também que cabe à Presidência garantir que a questão seja analisada de forma colegiada, com devido processo legal, contraditório e ampla defesa. E acrescentou que há especial dever de assegurar a integridade e a adequada direção dos trabalhos da Corte.

🔎 Traduzindo

Fachin não disse quem tinha razão. Não disse que Andrei deve ficar nem que deve sair, e não avaliou o mérito das acusações contra ninguém.

O que ele disse foi outra coisa: do jeito que estava, o tribunal estava se atropelando. Tirou as duas decisões do caminho, congelou a situação como está e chamou os onze ministros para decidir juntos.

⚖️

Por que o presidente do STF pôde fazer isso

A pergunta é justa, porque presidente de tribunal não é chefe dos outros ministros. Cada um decide os processos que estão com ele, e ninguém revoga decisão de colega por vontade própria.

O que existe é um instrumento específico chamado pedido de suspensão de liminar. Ele serve para casos em que uma decisão provisória causa risco grave à ordem pública, à saúde, à segurança ou à economia, e quem julga esse pedido é justamente o presidente do tribunal.

Foi por essa porta que a Advocacia-Geral da União entrou na terça-feira, horas depois de Mendonça assinar os afastamentos.

🏛️ O que a AGU alegou

Na petição assinada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, o governo sustentou haver grave lesão à ordem pública e administrativa.

O argumento central é o mesmo desde o começo: o afastamento cautelar viola frontalmente a prerrogativa constitucional privativa do presidente da República para prover e desprover cargos de direção da Polícia Federal.

A peça acrescenta que a descontinuidade abrupta na gestão do órgão compromete o funcionamento da polícia judiciária e gera risco de desorganização institucional.

Na mesma terça, Messias e o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, foram recebidos por Fachin no gabinete dele. Ao sair, o advogado-geral definiu o encontro como uma conversa institucional e republicana.

🕐

O dia a dia dessas trinta horas

Terça, 8 de setembro · Mendonça afasta Andrei e Almada, nega a prisão que o partido Novo havia pedido e manda a PF parar de produzir relatórios sobre integrantes do Judiciário.

Terça, no fim do dia · A AGU entra com pedido de suspensão de liminar. Fachin intima Mendonça a se manifestar em 72 horas. Até nova ordem, os dois seguem fora dos cargos.

Terça, ainda · Na Segunda Turma, Fux e Nunes Marques acompanham Mendonça, formando três votos. Gilmar Mendes pede vista, interrompe o julgamento e defende que o caso vá ao plenário.

Quarta, 9 de setembro, pela manhã · Dino manda reintegrar os dois, por entender que o partido Novo não tinha legitimidade para pedir medida cautelar em processo penal. Detalhei essa decisão aqui.

Quarta, 17h07 · Fachin suspende as duas decisões, mantém os dois nos cargos e convoca o plenário para o dia 15.

🔄

O que muda, na prática

👮 Na Polícia Federal

Andrei Rodrigues continua diretor-geral e Leandro Almada continua na Inteligência. O comando interino que havia assumido na terça deixa de existir.

A ordem de Mendonça para a PF parar de produzir relatórios sobre integrantes do Judiciário também está suspensa.

🛡️ A proteção que Dino tinha criado

Dino havia proibido novas medidas cautelares contra os dois quando baseadas apenas em atos praticados no cumprimento de ordens judiciais. Essa proteção caiu junto com o resto da decisão dele.

🏛️ No tribunal

Todos os processos ligados aos relatórios da PF passam a ser tratados pela Presidência, e não mais por cada relator separadamente. Foi isso que Fachin quis dizer ao falar em sobreposição processual.

📅

O que vem pela frente

🗓️ 15 de setembro, às 10h

A sessão extraordinária do plenário é o próximo marco, e ela concentra tudo: o afastamento, a reintegração, os relatórios da PF e a conduta das autoridades envolvidas.

Será também a primeira vez, desde que a crise começou em 1º de setembro, que Mendonça e Moraes se encontram em sessão pública do tribunal.

📝 As 48 horas de Andrei

O diretor-geral tem esse prazo para se manifestar. Fachin disse que vai analisar a permanência dele no cargo depois disso, o que significa que a situação ainda pode mudar antes mesmo do dia 15.

📄 As explicações dos quatro

Continua correndo o prazo de cinco dias úteis para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral Paulo Gonet e Andrei Rodrigues respondam ao procedimento aberto pela Presidência.

Fachin pediu esclarecimentos sobre o cumprimento das regras nas investigações de autoridades com foro, o uso de credenciais de acesso institucional, a divulgação de informação sigilosa e as ordens dadas por Mendonça à PF.

🧩

Dois detalhes que ajudam a entender o tamanho da confusão

O primeiro está no próprio documento que começou tudo. Segundo o que foi divulgado, o relatório de inteligência registrava tratar-se de material de difusão restrita, sem caráter decisório e sem valor probatório, e atribuía grau de confiança baixo às avaliações que apresentava. Ou seja, o papel que derrubou meia dúzia de decisões dizia de si mesmo que não servia como prova.

O segundo é o que Dino apontou ao reintegrar os dois: a paralisação da Inteligência da PF alcança investigações em andamento, entre elas a do assassinato da vereadora Marielle Franco e as apurações sobre venda de decisões judiciais.

Junte as duas coisas e dá para entender por que o presidente do tribunal preferiu parar tudo em vez de escolher um lado. De um lado, um documento que se declara sem valor de prova virou o estopim de três decisões contraditórias em trinta horas. Do outro, cada hora de indefinição no comando da Polícia Federal respinga em apurações que não têm nada a ver com a briga entre ministros, e que envolvem gente esperando resposta há anos.

🧾 Nota de método

Reuni esta reconstituição a partir da cobertura publicada em 8 e 9 de setembro de 2026 por Jovem Pan, Poder360, A Crítica de Campo Grande, Brasil de Fato, Brasil 247, O Tempo, O Cafezinho e Metrópoles. Não li a íntegra de nenhuma das decisões até o fechamento.

Onde há aspas ou trechos em destaque, são frases atribuídas às decisões e às petições pelos veículos que as consultaram. Onde não há, é resumo meu.

Um alerta sobre o que está circulando. Descartei uma publicação que descrevia Mendonça como ex-ministro e Dino como ministro da Justiça. Os dois são ministros do Supremo. O atual ministro da Justiça é Wellington Lima e Silva. Textos gerados automaticamente estão aparecendo nas buscas sobre este caso, e alguns erram fatos básicos.

Suspensão de liminar não julga o mérito. Fachin não decidiu se Andrei deve ou não permanecer no cargo, e sim que a situação fica congelada até o colegiado analisar.

Nenhuma das pessoas citadas foi denunciada, acusada formalmente ou condenada até o fechamento.

Não procurei nenhuma das partes. O caso muda de hora em hora, e o que está aqui vale para a noite de 9 de setembro de 2026.

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Leia também

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Fontes

Decisão do presidente do STF, Edson Fachin, de 9 de setembro de 2026, em pedido de suspensão de liminar apresentado pela Advocacia-Geral da União, conforme reproduzida por Jovem Pan, Poder360, A Crítica de Campo Grande e Brasil 247.

Petição da Advocacia-Geral da União protocolada em 8 de setembro de 2026, assinada pelo advogado-geral Jorge Messias, conforme noticiada por O Tempo, Metrópoles e O Cafezinho.

Decisão do ministro Flávio Dino de 9 de setembro de 2026 e decisão do ministro André Mendonça de 8 de setembro de 2026.

Convocação de sessão plenária extraordinária para 15 de setembro de 2026, às 10h, conforme divulgação da Presidência do Supremo.

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