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Notebooks e PCs em 2026: por que o computador ficou mais caro
O computador pessoal subiu 14,22% de janeiro a setembro, mais de três vezes a inflação do período. A culpa é da memória, que a indústria passou a vender para os data centers de inteligência artificial. Cruzei os números do IBGE com os reajustes da Apple e com as projeções do IDC e da Gartner. Também levantei 612 notebooks novos à venda na KaBuM, do mais barato ao mais caro.
⏱️ Em 1 minuto
- No IPCA, o computador pessoal acumula 14,22% em 2026 e 10,58% em 12 meses. Em dezembro de 2025, estava em queda de 0,28%.
- A alta vem da memória RAM e do SSD. Os fabricantes de chips priorizaram servidores de inteligência artificial, e o preço disparou.
- O dólar caiu 4,1% em um ano, pela média de setembro, e mesmo assim o computador subiu.
- A Apple reajustou toda a linha Mac no Brasil em 25 de junho. O MacBook Neo, o mais barato, foi de R$ 7.299 para R$ 8.499.
- Na KaBuM, o notebook novo mais barato custa R$ 1.631, com 4 GB de RAM. O mediano, R$ 6.952.
- O IDC projeta queda de 11,3% nas vendas mundiais de PCs em 2026 e não espera alívio na memória antes do fim de 2027.
🍎Os reajustes da Apple
🪙Os 10 mais baratos
💎Os 10 mais caros
🔭Projeção para 2027
🧾Como comprar agora
🧾Como apurei
O cenário de 2026
No IPCA, o subitem computador pessoal subiu em oito dos nove meses de 2026. A maior alta foi em abril, de 2,94%, e a única queda, em setembro, de 0,51%. No acumulado do ano são 14,22%, e no grupo TV, som e informática, 10,65%. A inflação geral do período foi de 3,95% (IBGE, tabela 7060).
| Mês de 2026 | Computador pessoal | IPCA geral |
|---|---|---|
| Janeiro | +1,71% | +0,33% |
| Fevereiro | +1,07% | +0,70% |
| Março | +2,82% | +0,88% |
| Abril | +2,94% | +0,67% |
| Maio | +1,42% | +0,58% |
| Junho | +1,77% | +0,16% |
| Julho | +0,53% | +0,07% |
| Agosto | +1,68% | −0,32% |
| Setembro | −0,51% | +0,82% |
Fonte: IBGE, IPCA, variação mensal. No acumulado de janeiro a setembro: computador pessoal +14,22%; IPCA +3,95%.
Foi uma virada rápida. Em dezembro de 2025, o computador estava em queda de 0,28% em 12 meses. Em setembro de 2026, em alta de 10,58%. No mesmo intervalo, o dólar não pressionou: a cotação média de setembro de 2026, R$ 5,1447, ficou 4,1% abaixo da de setembro de 2025, pela minha conta com a série Ptax do Banco Central.
O motor é a memória. DRAM, a RAM do computador, e NAND, o chip do SSD, são feitas por poucos fabricantes, que passaram a dedicar capacidade à memória de servidores de inteligência artificial. Quanto isso pesa no custo do computador depende de quem calcula. A Gartner projeta a memória passando de 16% para 23% do custo de materiais de um PC; a Omdia, citada pelo portal Hardware.com.br, fala em memória e SSD saltando de cerca de 15% para quase 40%. A TrendForce projetou para o terceiro trimestre mais uma alta, de 13% a 18%, nos contratos de DRAM (TrendForce, 3/7/2026).
Em junho, o IDC projetou queda de 11,3% nas vendas mundiais de PCs em 2026, com tombo de 20% no quarto trimestre, e alta de 17% no preço médio. O começo do ano enganou: as vendas cresceram 3% no primeiro trimestre porque empresas e consumidores anteciparam compras para fugir do aumento (IDC, 2/6/2026). Não localizei dados do IDC para o mercado brasileiro de PCs em 2026.
Os reajustes da Apple
A Apple publica na loja brasileira o preço oficial de toda a linha, o que permite medir o reajuste com precisão. Em 25 de junho, a empresa subiu os preços de Macs e iPads no mundo todo. Um porta-voz disse à Reuters que a Apple “nunca” tinha visto “o preço de um componente subir tanto e tão rapidamente” (MacMagazine).
| Modelo | Antes de 25/6 | Depois | Alta |
|---|---|---|---|
| MacBook Neo, 256 GB | R$ 7.299 | R$ 8.499 | +16,4% |
| MacBook Air 13″, M5, 512 GB | R$ 13.999 | R$ 15.999 | +14,3% |
| MacBook Air 15″, M5, 512 GB | R$ 15.999 | R$ 17.999 | +12,5% |
| MacBook Pro 14″, M5, 1 TB | R$ 20.999 | R$ 24.999 | +19,0% |
| Mac Studio, M3 Ultra, 96 GB | R$ 52.000 | R$ 67.000 | +28,8% |
Fontes: MacMagazine (25/6/2026) e Showmetech (29/6/2026). Os quatro primeiros preços novos conferem com a loja da Apple em 9/10/2026. O Mac Studio M3 Ultra saiu de linha depois do reajuste, e os valores dele vêm só da MacMagazine, que os arredonda. Para o Mac mini anterior, as duas fontes divergem: R$ 6.750 numa, R$ 7.499 na outra.
Foi o segundo aumento do ano. Em março, na troca para o chip M5, o MacBook Air de 13″ já tinha passado de R$ 12.999 para R$ 13.999, segundo a MacMagazine. Somadas as duas rodadas, o Air de entrada ficou 23,1% mais caro em um ano, pela minha conta.
Lançado em março com chip de iPhone para disputar o notebook Windows de entrada, o MacBook Neo subiu 16,4%, menos que o MacBook Pro de entrada e mais que o Air. O IDC considera que ele pressiona o mercado inteiro e ajuda a manter vivas algumas opções baratas no mundo Windows.
🖥️ A linha Mac em outubro
| Linha | Configuração de partida mais barata | Configuração de partida mais cara |
|---|---|---|
| MacBook Neo | R$ 8.499 | R$ 9.699 |
| Mac mini | R$ 10.799 | R$ 21.399 |
| MacBook Air | R$ 15.999 | R$ 17.999 |
| iMac | R$ 17.999 | R$ 19.999 |
| MacBook Pro | R$ 24.999 | R$ 62.999 |
| Mac Studio | R$ 30.999 | R$ 85.599 |
Fonte: loja oficial da Apple no Brasil, 9/10/2026. Preços das configurações prontas; com mais memória e armazenamento, o valor sobe.
Os 10 notebooks novos mais baratos
Para os notebooks com Windows, usei o catálogo da KaBuM, loja de informática que reúne vendas próprias e de parceiros, porque as lojas dos fabricantes não mostram o catálogo inteiro com preço numa única lista. Considerei só notebooks novos, com estoque, e uma linha por modelo.
| # | Notebook | Configuração | Preço |
|---|---|---|---|
| 1 | Daten DT02-M4 | Celeron J4105, 4 GB, 128 GB SSD, Windows 11 | R$ 1.631,06 |
| 2 | Multi Ultra UB361 | Pentium Gold 6500Y, 4 GB, 128 GB eMMC, Windows 11 | R$ 1.781,10 |
| 3 | Positivo Vision C14 | Celeron, 4 GB, 128 GB eMMC, Windows 11 | R$ 1.994,05 |
| 4 | Ultra UB364 | Pentium Gold, 4 GB, 128 GB, Windows 11 | R$ 2.050,12 |
| 5 | Positivo Vision C15m | Celeron N4500, 4 GB, 128 GB eMMC, Windows 11 | R$ 2.089,05 |
| 6 | Positivo Duo C4128E (2 em 1) | Celeron N4500, 4 GB, 128 GB eMMC, Windows 11 | R$ 2.099,00 |
| 7 | Multi Ultra UB365 | Pentium Gold 6500Y, 4 GB, 128 GB eMMC, Windows 11 | R$ 2.125,15 |
| 8 | Ultra UB250 | Celeron N4020C, 4 GB, 128 GB, Windows 11 | R$ 2.132,66 |
| 9 | Positivo Motion C4128E | Celeron, 128 GB SSD, Windows 10 | R$ 2.136,55 |
| 10 | Samsung Galaxy Book Go | Snapdragon 7c Gen 2, 4 GB, Windows 11 | R$ 2.249,00 |
Fonte: catálogo da KaBuM, 9/10/2026. Todos são vendidos por parceiros da loja, como Magalu e lojas oficiais de marcas. Preço com desconto à vista anunciado no dia.
Os dez mais baratos têm 4 GB de RAM e 128 GB de armazenamento, quase sempre em eMMC, um chip mais lento que o SSD. É o mínimo para navegar e editar texto, e pouco para o Windows 11 com várias abas abertas. Entre os 32 notebooks abaixo de R$ 3 mil, 17 têm 4 GB de RAM, pela minha contagem nos títulos dos anúncios.
O nono da lista ainda sai com Windows 10, sistema cujo suporte a Microsoft encerrou em outubro de 2025. Quem comprar precisa conferir se a máquina aceita o Windows 11 antes de fechar negócio.
Só 47 notebooks novos são vendidos pela própria KaBuM, e o mais barato deles custa R$ 4.703,04, um Lenovo IdeaPad Slim 3 com Ryzen 5 e 8 GB. O resto do catálogo é de parceiros. Do total de 612 notebooks novos, 133 passam de R$ 10 mil.
Os 10 notebooks mais caros
Na ponta de cima, os MacBook Pro com chip M5 Max ocupariam a lista inteira, em várias configurações. Separei os Macs, que já aparecem na tabela da Apple, e montei o ranking dos notebooks com Windows, um por família de produto.
| # | Notebook | Destaque da configuração | Preço |
|---|---|---|---|
| 1 | Gigabyte Aorus Master 16 | Core Ultra 9 275HX, RTX 5080, 32 GB | R$ 33.799,99 |
| 2 | Acer Predator Helios 16 | Core Ultra 9 275HX, RTX 5070 Ti, 32 GB | R$ 29.999,00 |
| 3 | Nave Supernova | Core i9-14900HX, RTX 4090, 64 GB | R$ 28.434,93 |
| 4 | Asus ROG Strix Scar G16 | Core Ultra 9 275HX, RTX 5070 Ti, 32 GB | R$ 28.049,15 |
| 5 | Asus Zenbook Duo | Core Ultra X9, duas telas OLED, 32 GB | R$ 28.049,15 |
| 6 | MSI Thin A15* | Ryzen 7 7735HS, RTX 4060, 16 GB | R$ 27.999,99 |
| 7 | MSI Alpha 17 | Ryzen 9 7945HX, RTX 4070, 16 GB | R$ 24.999,99 |
| 8 | Lenovo ThinkPad X1 Gen 10 Aura | Core Ultra 7 226V, 16 GB | R$ 22.999,00 |
| 9 | Asus ROG Strix G16 | Core i9, RTX 5070, 32 GB | R$ 22.000,00 |
| 10 | Gigabyte Gaming A18 | Ryzen 7 260, RTX 5070, 32 GB | R$ 20.599,99 |
Fonte: catálogo da KaBuM, 9/10/2026, notebooks novos com estoque. O MacBook Pro 16″ com M5 Max, 48 GB e 2 TB, de um parceiro da loja, chega a R$ 67.621,87. *Preço de um parceiro da loja muito acima do que a configuração costuma custar; mantive na lista porque era o anúncio do dia, mas trate como distorção de marketplace.
Oito dos dez são notebooks gamer, com placa de vídeo dedicada da Nvidia. O MSI Thin A15 chama atenção pelo preço alto para a configuração, com uma placa de geração anterior e 16 GB de RAM: na mesma loja há notebooks com placa melhor por menos. É o tipo de anúncio que mostra por que, em marketplace, vale comparar a mesma configuração em mais de um vendedor.
Sem contar os Macs, o mais caro custa quase 21 vezes o mais barato. Com os Macs, passa de 41 vezes.
Projeção para 2027
Nenhuma das consultorias vê o preço do computador voltando ao nível de 2025. O IDC diz que não há alívio relevante na oferta de memória antes do fim de 2027 e que, mesmo com novas fábricas, o preço médio “dificilmente” volta ao patamar anterior. Em fevereiro, a consultoria previa mercado estável em 2027 e recuperação só em 2028 (IDC, 26/2/2026).
Em fevereiro, a Gartner estimava PCs 17% mais caros em 2026 que em 2025, com queda de 10,4% nas vendas mundiais, e previa o desaparecimento dos PCs de entrada abaixo de US$ 500 até 2028, nas palavras de um analista da consultoria citado pela Silicon Republic (Silicon Republic; Convergência Digital).
No Brasil, o câmbio que ajudou neste ano tende a pesar um pouco no próximo. O Boletim Focus de 2 de outubro projeta o dólar a R$ 5,28 no fim de 2027, acima da cotação atual, de R$ 4,99. A Selic deve cair para 12%, o que barateia o parcelamento, mas devagar (Banco Central). Lá fora, o Federal Reserve subiu os juros em setembro, e o Copom cita os conflitos no Oriente Médio entre os riscos para a inflação.
🧭 Minha leitura
Esta parte é análise minha. Quem precisa de um computador para trabalhar ou estudar não deve esperar uma queda de preço em 2027: as três consultorias apontam o contrário. A troca do Windows 10 empurra a demanda, e a memória continua cara. O risco maior é o do notebook de entrada piorar de configuração para caber no mesmo preço, com menos RAM e armazenamento mais lento. Comprar agora, com atenção à configuração, tende a ser melhor que adiar.
Alexander Moraes
Como comprar agora
🛒 Na configuração
- Para Windows 11, prefira 8 GB de RAM e SSD de 256 GB. Abaixo disso, o computador fica lento com poucos programas abertos.
- Confira se a memória é soldada na placa. Em muitos modelos finos, não dá para ampliar depois.
- Desconfie de “SSD” barato com 128 GB: muitas vezes é eMMC, mais lento. A ficha técnica diz qual é.
- Veja a versão do sistema. Notebook com Windows 10 precisa de atualização para o 11, quando o processador permite.
- Já está no Windows 11? Confira a versão em Configurações, Sistema, Sobre. As edições Home e Pro da versão 24H2 deixam de receber atualizações de segurança em 13 de outubro de 2026, e quem estiver nela precisa instalar a 25H2, que é gratuita.
🧾 Na compra
- Em marketplace, confira quem vende e a nota fiscal. A garantia do fabricante exige nota brasileira.
- Compare o preço à vista com o parcelado e acompanhe o valor até a Black Friday, em 27 de novembro, para saber se o desconto é real.
🔎 Conferi o que circulou
- “Computador ficou caro por causa do dólar”. Não em 2026. O dólar médio de setembro caiu 4,1% em um ano, e o computador subiu 10,58%.
- “A memória dobrou de preço”. Os números variam entre consultorias. O IDC fala em alta de mais de 300% em um ano no custo de DRAM e NAND para celulares; a Gartner estimava 130% até o fim de 2026.
- “As vendas de PC cresceram em 2026”. Só no primeiro trimestre, de 3% no mundo, segundo o IDC, por antecipação de compras. A projeção para o ano é de queda de 11,3%.
Como apurei
A inflação do computador vem do IPCA no Sidra, do IBGE, e o dólar, da série Ptax do Banco Central. Os preços da Apple foram lidos nas páginas de compra da loja oficial em 9 de outubro de 2026; os valores antes do reajuste de junho são da MacMagazine e do Showmetech, que divergem no caso do Mac mini. As lojas de Dell, Lenovo, Positivo e Acer não exibem o catálogo inteiro com preço numa lista única, e por isso usei o catálogo público da KaBuM: levantei os 1.006 itens da categoria Notebooks acima de R$ 600 e separei 612 notebooks novos com estoque, sem usados, recondicionados e acessórios. A KaBuM é uma loja; os preços dela não representam a média do mercado brasileiro.
As projeções do IDC e da TrendForce foram lidas nas páginas das consultorias. A da Gartner vem de reportagens, porque o relatório dela é restrito a clientes, e o dado da Omdia, do portal Hardware.com.br. Não localizei dados do IDC Brasil sobre vendas de PCs em 2026. A mediana, as razões e a contagem de memória nos anúncios são contas minhas; a contagem de RAM depende do que o vendedor escreveu no título. Não montei ranking de computadores de mesa com Windows, porque a maior parte deles é vendida em peças ou sob encomenda, sem preço comparável.
Apuração independente de Alexander Moraes, estudante de jornalismo.
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Fontes
- IBGE: IPCA por subitem, tabela 7060
- Apple: loja oficial no Brasil, consultada em 9/10/2026
- KaBuM: categoria Notebooks, consultada em 9/10/2026
- MacMagazine: reajuste de 25/6/2026 e reajuste de março
- Showmetech: novos preços dos Macs
- IDC: mercado de PCs, 2/6/2026 e 26/2/2026
- TrendForce: preços de memória no 3º trimestre
- Silicon Republic e Convergência Digital: projeções da Gartner
- Hardware.com.br: dado da Omdia
- Banco Central: Boletim Focus e série Ptax
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