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Preço do celular em 2026: o ranking das lojas oficiais e o efeito da memória

Celular aberto com chips de memória iluminados ao lado de pilhas de moedas que crescem da esquerda para a direita.

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Preço do celular em 2026: o ranking das lojas oficiais e o efeito da memória

O celular parou de ficar mais barato no Brasil. Depois de anos de queda no IPCA, o aparelho voltou a subir em 2026, empurrado pelo preço dos chips de memória, que a corrida da inteligência artificial desviou para os data centers. Levantei 293 versões à venda nas lojas oficiais de Apple, Samsung e Motorola, que somam perto de 80% das vendas no país, e montei os rankings do mais caro ao mais barato.

R$ 30.999
o mais caro
iPhone Duo de 2 TB, o dobrável da Apple, em pré-venda a partir de 16/10
R$ 699
o mais barato
Moto g06 de 64 GB, na loja da Motorola
+1,19%
no IPCA em 12 meses
em dezembro de 2025, o aparelho estava em queda de 6,27%
+27,6%
preço médio no mundo
projeção do IDC para 2026, com vendas em queda de 16,7%

⏱️ Em 1 minuto

  • No IPCA, o aparelho telefônico saiu de uma queda de 6,27% em 12 meses, em dezembro de 2025, para alta de 1,19% em setembro de 2026.
  • A causa principal é a memória. Os fabricantes de chips priorizaram servidores de inteligência artificial, e o custo de DRAM e NAND subiu mais de 300% em um ano, segundo o IDC.
  • O dólar não explica a alta: a cotação média de setembro de 2026 ficou 4,1% abaixo da de um ano antes.
  • O celular mais caro anunciado é o iPhone Duo de 2 TB, a R$ 30.999, que entra em pré-venda em 16 de outubro. O mais barato, o Moto g06 de 64 GB, a R$ 699.
  • Memória virou o item que mais pesa no preço: o Galaxy A07 com 8 GB e 256 GB custa R$ 1.000 a mais que a versão de 4 GB e 128 GB.
  • O mercado brasileiro encolheu 11% no primeiro semestre, segundo a Counterpoint, e deve piorar até o fim do ano.
  • O IDC espera que o preço da memória continue subindo até pelo menos 2028.
📊

O cenário de 2026

Durante anos, o celular foi um dos poucos produtos que ficavam mais baratos com o tempo. Em setembro de 2025, o subitem aparelho telefônico do IPCA acumulava queda de 3,32% em 12 meses, e em dezembro, de 6,27%. Em 2026 a curva virou: alta de 2,64% de janeiro a setembro e de 1,19% em 12 meses (IBGE, tabela 7060).

A alta parece pequena perto da do computador pessoal, que subiu 10,58% no mesmo período. A comparação engana. Celular é o produto em que as marcas mais seguraram preço com promoção e troca de linha, e a pressão aparece primeiro no que some da prateleira: os modelos baratos.

No volume, o mercado encolheu. A Counterpoint calcula queda de 11% nas vendas brasileiras no primeiro semestre e espera piora no segundo, com risco de contração de dois dígitos no ano (Mobile Time). Samsung, com 42%, e Motorola, com 31%, ficaram com quase três de cada quatro aparelhos vendidos. Xiaomi e Apple empataram em 7%.

Marca Participação no 1º semestre de 2026 O que mudou
Samsung 42% ganhou participação, mas vendeu 6% menos
Motorola 31% cresceu 1%, com edições da Copa
Xiaomi 7% caiu de 11%; vendas 34% menores
Apple 7% subiu de 6%; domina acima de US$ 600

Fonte: Counterpoint Research, citada por Mobile Time (18/9/2026) e MacMagazine (22/9/2026). A Omdia, com outra metodologia, deu Samsung com 46% e Motorola com 21% no primeiro trimestre.

A Counterpoint chama atenção para um detalhe brasileiro. Sem fábrica no país, a Xiaomi depende de importação, e a carga de impostos sobre o celular importado pode chegar a 105%, pela conta da consultoria. Por isso, parte das vendas da marca vem do mercado cinza, com aparelhos trazidos do Paraguai e vendidos com descontos de até 50% sobre o canal oficial.

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Por que a memória encareceu

Todo celular tem dois tipos de memória: a DRAM, que é a RAM do aparelho, e a NAND, onde ficam fotos e aplicativos. Os mesmos três fabricantes que dominam o mercado mundial, Samsung, SK Hynix e Micron, passaram a dedicar fábricas inteiras à memória de alto desempenho usada nos servidores de inteligência artificial, segundo a TrendForce. Sobrou menos para celular e computador.

O IDC, consultoria que acompanha o setor, diz que o custo de DRAM e NAND subiu mais de 300% em um ano. Em 26 de agosto, revisou para pior a projeção mundial: queda de 16,7% nas vendas de smartphones em 2026, a maior da história, e alta de 27,6% no preço médio, para US$ 581 (IDC, 26/8/2026).

O segmento mais atingido é o dos aparelhos abaixo de US$ 100, que vendeu 173 milhões de unidades em 2025 e caiu quase 60% no segundo trimestre de 2026. Para o IDC, “a era do smartphone barato acabou”. Os mercados emergentes, Brasil entre eles, devem perder mais de 20% das vendas neste ano.

A TrendForce, que acompanha os preços de contrato, projetou para o terceiro trimestre alta de 13% a 18% na DRAM e de 10% a 15% na NAND, já em ritmo menor, porque os compradores de celular e PC “chegaram ao limite” do que conseguem pagar (TrendForce, 3/7/2026).

💡 O preço da memória na etiqueta

Nas lojas oficiais, o salto entre versões do mesmo aparelho mostra quanto a memória pesa. Contas minhas, com os preços de 9 de outubro:

Aparelho Versão menor Versão maior Diferença
Galaxy A07 4 GB e 128 GB: R$ 1.299 8 GB e 256 GB: R$ 2.299 +R$ 1.000 (77%)
Moto g06 64 GB: R$ 699 256 GB: R$ 1.198,89 +R$ 499,89 (71,5%)
iPhone 18 Pro Max 256 GB: R$ 12.999 2 TB: R$ 21.999 +R$ 9.000 (69,2%)

Fonte: lojas oficiais de Samsung, Motorola e Apple, consultadas em 9/10/2026.

O câmbio ajudou no sentido contrário. A cotação média do dólar foi de R$ 5,3674 em setembro de 2025 e de R$ 5,1447 em setembro de 2026, uma queda de 4,1%, pela conta que fiz com a série Ptax do Banco Central. Sem a memória, o celular teria tudo para continuar caindo.

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Os 10 celulares mais caros

Usei o mesmo critério da matéria sobre a Tabela Fipe: uma linha por modelo, com a versão mais cara de cada um. Os preços são os anunciados nas lojas oficiais em 9 de outubro de 2026.

# Modelo Versão Preço
1 iPhone Duo 2 TB R$ 30.999
2 iPhone 18 Pro Max 2 TB R$ 21.999
3 iPhone 18 Pro 2 TB R$ 20.999
4 Galaxy Z Fold8 Ultra 1 TB R$ 19.399
5 Galaxy Z Fold7 1 TB R$ 17.599
6 Motorola Razr Fold versão única R$ 15.999
7 iPhone Air 1 TB R$ 15.499
8 Galaxy S26 Ultra 1 TB R$ 15.499
9 Galaxy Z Fold8 512 GB R$ 14.199
10 Motorola Razr 70 Ultra versão única R$ 11.999

Fonte: lojas oficiais de Apple, Samsung e Motorola. Na Samsung e na Motorola, preço à vista anunciado no dia, com eventuais descontos já aplicados. O iPhone Duo é a exceção ao critério de estoque: o preço já está anunciado, mas a pré-venda começa em 16 de outubro e as lojas recebem o aparelho em 23 de outubro.

Seis dos dez são dobráveis, a única categoria que deve crescer no mundo em 2026. O IDC projeta alta de 12,6% nas vendas de dobráveis, puxada pela estreia da Apple, e diz que sem ela a categoria cairia.

O iPhone Duo custa R$ 21.999 com 256 GB, R$ 23.499 com 512 GB, R$ 26.499 com 1 TB e R$ 30.999 com 2 TB (Times Brasil). A versão de entrada custa o mesmo que o iPhone 18 Pro Max de 2 TB. O Galaxy Z Fold8 Ultra de 256 GB sai por R$ 14.599. Entre os dobráveis de topo, a diferença de preço entre Apple e Samsung na versão de entrada passa de R$ 7 mil.

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Os 10 celulares mais baratos

Aqui o critério é a versão de entrada de cada modelo.

# Modelo Versão Preço
1 Moto g06 64 GB R$ 699
2 Moto g17 128 GB R$ 998,89
3 Moto g37 5G 64 GB R$ 999
4 Moto g35 5G 128 GB R$ 999
5 Galaxy A08 128 GB R$ 1.049
6 Galaxy A07 128 GB R$ 1.299
7 Moto g47 5G 128 GB R$ 1.443,33
8 Galaxy A17 128 GB R$ 1.499
9 Moto g67 5G 128 GB R$ 1.665,56
10 Moto g56 5G versão única R$ 1.776,67

Fonte: lojas oficiais de Motorola e Samsung, 9/10/2026. O iPhone mais barato é o 17e de 256 GB, a R$ 5.999.

A Motorola domina a parte de baixo, com sete dos dez. O aparelho mais caro da lista custa 44 vezes o mais barato. A mediana das 293 versões que levantei é de R$ 6.299, puxada pelo número de versões de topo à venda, e não pelo que as pessoas compram: segundo a Counterpoint, 61% das vendas brasileiras do semestre foram de aparelhos entre US$ 100 e US$ 249.

Os mais baratos chegam com 64 GB ou 128 GB de armazenamento e 4 GB de RAM. É o limite para quem usa WhatsApp, banco e rede social ao mesmo tempo. Com o sistema e os aplicativos atualizados, 64 GB enchem rápido.

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Preço de lançamento e preço atual

Celular costuma cair de preço depois do lançamento. Na loja da Apple, aconteceu o contrário com a linha de 2025. Comparei o preço de lançamento publicado pela CNN Brasil em setembro de 2025 com o da loja em 9 de outubro de 2026:

Modelo Lançamento (set/2025) Em 9/10/2026 Variação
iPhone 17, 256 GB R$ 7.999 R$ 8.299 +3,8%
iPhone 17, 512 GB R$ 9.499 R$ 9.799 +3,2%
iPhone Air, 256 GB R$ 10.499 R$ 10.999 +4,8%
iPhone Air, 1 TB R$ 13.499 R$ 15.499 +14,8%

Fontes: CNN Brasil, 9/9/2025, e loja oficial da Apple. Variações calculadas por mim.

Não localizei anúncio da Apple sobre esse reajuste. Em junho, quando subiu os preços de Macs e iPads no mundo todo por causa da memória, a empresa disse que iPhones estavam fora daquela rodada e não descartou novos aumentos. A versão de 1 TB do Air, a que tem mais memória, foi a que mais subiu.

Na troca de geração, o iPhone 18 Pro Max de 256 GB chegou por R$ 12.999, R$ 500 acima do 17 Pro Max no lançamento, uma alta de 4%. O 18 Pro, a R$ 11.999, também ficou R$ 500 mais caro que o antecessor.

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Projeção para 2027

As consultorias concordam na direção e divergem no tamanho. O IDC espera que o preço da memória continue subindo até pelo menos 2028. Em fevereiro, quando ainda projetava queda de 12,9% nas vendas de 2026, a consultoria esperava recuperação de 1,9% em 2027 e de 5,2% em 2028; desde então, a previsão para 2026 piorou (IDC, 26/2/2026). A Gartner, em fevereiro, estimava celulares 13% mais caros em 2026 do que em 2025, com queda de 8,4% nas vendas (Silicon Republic).

No Brasil, o câmbio não deve ajudar como ajudou em 2026. O Boletim Focus de 2 de outubro projeta dólar a R$ 5,20 no fim deste ano e a R$ 5,28 no fim de 2027, acima da cotação de 9 de outubro, de R$ 4,99 (Banco Central). A Selic, de 13,75%, encarece o parcelamento com juros.

O cenário externo pesa. O Federal Reserve subiu os juros americanos em setembro, e os conflitos no Oriente Médio mexem com o petróleo e com o frete. O Copom citou os dois riscos no comunicado de 16 de setembro.

🧭 Minha leitura

Esta parte é análise minha. O celular básico, de até R$ 1.000, é o que corre mais risco de sumir ou de piorar de configuração em 2027, porque é onde a memória mais pesa no custo e onde a margem é menor. O topo de linha deve subir pouco no preço de lançamento e muito nas versões com mais armazenamento. Para quem precisa trocar, esperar um ano não promete aparelho mais barato.

Alexander Moraes

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Como comprar agora

🛒 Na escolha

  • Evite 64 GB se o aparelho for durar mais de dois anos. O sistema e os aplicativos ocupam boa parte do espaço já na compra.
  • O modelo do ano anterior, enquanto houver estoque, tende a ter mais desconto que o lançamento.
  • Compare o preço à vista no Pix com o parcelado. Com a Selic a 13,75%, o parcelamento sem juros costuma embutir o custo do dinheiro no preço cheio.
  • A Black Friday, em 27 de novembro, é a próxima janela de promoção. Acompanhe o preço desde agora para saber se o desconto é real.

⚠️ No mercado cinza

  • Aparelho trazido sem nota fiscal brasileira não tem garantia do fabricante no país, e pode não ter homologação da Anatel.
  • Peça a nota fiscal e confira o IMEI no Celular Seguro, do governo federal, antes de pagar por um usado.
  • Cadastre o seu aparelho no Celular Seguro e anote o IMEI. Em caso de roubo, o bloqueio depende desse número.

🔎 Conferi o que circulou

  • “Celular ficou mais caro por causa do dólar”. Não em 2026. A cotação média de setembro caiu 4,1% em um ano. O motor da alta é a memória.
  • “O IPCA mostra que o celular subiu pouco”. Subiu pouco na média, de 1,19%, mas saiu de uma queda de 6,27%. A virada é de quase oito pontos.
  • “A Apple aumentou o iPhone em junho”. Em junho, a empresa disse que os iPhones estavam fora do reajuste de Macs e iPads. A alta de preço na loja aconteceu, mas não localizei quando nem o anúncio.
  • “Dobrável é nicho”. É a única categoria que deve crescer no mundo em 2026, segundo o IDC, e seis dos dez celulares mais caros do Brasil são dobráveis.
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Como apurei

Os preços vêm das lojas oficiais, consultadas em 9 de outubro de 2026: na Apple, as páginas de compra de cada iPhone; na Samsung e na Motorola, o catálogo público das lojas virtuais, com o preço de venda do dia e apenas as versões com estoque. A exceção é o iPhone Duo, que entrou com o preço anunciado de pré-venda. Excluí kits, combos e acessórios. Foram 293 versões com preço: 41 da Apple, 164 da Samsung e 88 da Motorola. Não incluí Xiaomi, Realme, Oppo, Honor e Jovi, que juntas têm cerca de 20% das vendas, porque não consegui consultar as lojas delas pelo mesmo método. O ranking, por isso, vale para as três maiores marcas e não para todo o mercado.

A variação do IPCA vem do Sidra, do IBGE, e o dólar, da série Ptax do Banco Central. As participações de mercado são da Counterpoint, conhecidas pela reportagem da Mobile Time; não abri o relatório original. As projeções do IDC e da TrendForce foram lidas nas páginas oficiais das consultorias; a da Gartner vem de reportagem, porque o relatório dela é restrito a clientes. Os preços de lançamento do iPhone 17 e do Air são os da CNN Brasil, e os da linha 18, os da loja e da Forbes Brasil. Todas as diferenças, razões e a mediana são contas minhas.

Apuração independente de Alexander Moraes, estudante de jornalismo.

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Fontes

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