⏳ Áudio em breve
O tribunal se abriu para o país e mostrou uma manhã de acusações mútuas
A sessão que julga a validade do relatório da PF sobre Alexandre de Moraes começou às 10h e foi retomada às 14h. Antes do intervalo, dois ministros saíram da votação, Moraes e Mendonça trocaram acusações diretas, e Dino e Fachin discutiram sobre o regimento. A decisão ainda não saiu.
Esta página acompanha o que já aconteceu. Ela vale para as 15h30 desta terça-feira, e a sessão continua.
Dois ministros saíram da conta antes de começar
Depois que Fachin leu o relatório e delimitou o que seria analisado, duas cadeiras esvaziaram antes mesmo de a discussão de mérito começar, o que muda a aritmética de qualquer placar que se projete.
🚫 Nunes Marques se declarou impedido
Impedimento é situação objetiva, prevista em lei, em que o julgador tem relação com o caso ou com as partes que o afasta automaticamente.
Ele não votará.
🤐 Toffoli se declarou suspeito
Suspeição é declaração do próprio julgador de que não tem isenção para decidir. Diferente do impedimento, ela parte dele.
Toffoli não vota em nada ligado ao Master desde que deixou a relatoria do caso, em fevereiro.
📌 A pergunta que fica sobre a saída de Toffoli
Ele foi relator do caso Master de novembro de 2025 a fevereiro de 2026. Assinou decisões durante esse período.
Se hoje ele reconhece que não tem isenção para votar, cabe perguntar o que mudou entre uma coisa e outra, e o que acontece com o que foi decidido enquanto ele conduzia.
Registro a pergunta porque ela é legítima e ninguém a fez em plenário. Não afirmo irregularidade: declarar suspeição é direito do ministro e é preferível a votar sem isenção.
O bate-boca que o país assistiu
Com a sessão transmitida ao vivo por três canais, a discussão entre os ministros foi ao ar sem filtro, sem corte e sem a mediação de assessoria de imprensa que normalmente arredonda esse tipo de atrito.
⚔️ Moraes contra Mendonça
Moraes afirmou ter testemunhas de que Mendonça teria dito, em reunião, para incluírem o nome dele numa apuração porque estaria a serviço de um grupo político.
Mendonça respondeu que o colega mentia ao fazer essa declaração.
Moraes rebateu ainda a acusação de que existiria uma Polícia Federal paralela, levantada por Mendonça e por Luiz Fux, segundo os quais relatórios teriam sido produzidos fora dos canais oficiais da corporação e levados ao Supremo durante a crise.
Sobre vazamentos, Moraes disse achar interessante que nos gabinetes deles nada vaze. Mendonça respondeu que todo vazamento tem determinação de abertura de inquérito.
👔 Dino contra Fachin
Dino interrompeu uma fala de Toffoli, e o presidente do tribunal chamou a atenção dele, lembrando que era preciso pedir a palavra.
Seguiu-se uma discussão sobre o regimento interno, em que Dino afirmou que as capas dos magistrados são iguais, numa referência às togas.
Vale registrar uma cena que resume o dia sem precisar de comentário: Mendonça passou a sessão sentado entre Dino e Moraes, os três protagonistas da crise.
O que está sendo julgado, em três perguntas
O julgamento não começa pelas mensagens. Ele começa antes, e pode acabar antes também.
1️⃣ A ordem foi legal?
Mendonça podia ter determinado à PF que identificasse os interlocutores do banqueiro?
A Procuradoria-Geral da República diz que não, por entender que ele buscou elementos sobre outro ministro sem comunicar a Presidência nem pedir autorização ao plenário.
2️⃣ O relatório vale?
Se a ordem foi irregular, o documento produzido a partir dela também cai.
A PGR sustenta a nulidade dos dois, e aponta possível violação do sistema acusatório, por ter havido iniciativa de prova partindo do juiz.
3️⃣ Investiga Moraes?
Só se chega aqui se o relatório sobreviver às duas perguntas anteriores.
Há ministros que sustentam que, mesmo com o documento anulado, fatos já conhecidos poderiam justificar apuração aberta por outro caminho.
Fachin delimitou o alcance ao ler o relatório: o plenário não analisará, neste momento, eventual responsabilidade penal de autoridades.
Brasília fechada do lado de fora
Enquanto o país assistia pela tela, o entorno do tribunal ficou inacessível.
A Praça dos Três Poderes foi fechada ao público, com reforço de policiamento no perímetro e no anexo do STF. A Esplanada dos Ministérios foi bloqueada na altura das bandeiras, e o estacionamento, proibido a partir do Itamaraty. O Palácio do Planalto amanheceu cercado por grades.
Manifestações de qualquer teor foram proibidas no local, e grupos podiam chegar no máximo até a via José Sarney, em frente ao Congresso.
Dentro do plenário, os celulares foram guardados desligados em sacolas lacradas, sob pena de retirada de quem rompesse o lacre. Também ficaram proibidos circular, comer, beber e se manifestar.
A imprensa credenciada teve acesso apenas à marquise do prédio, com telões, cadeiras e mesas, a partir das 7h. Ou seja: o jornalista acompanhou pela tela, como você, só que de pé no vão do tribunal.
A operação reuniu seis órgãos, incluindo Forças Armadas, GSI e Abin, com restrição de espaço aéreo, drones e câmeras. Foi acionada até a célula de inteligência montada em agosto para a segurança da capital durante as eleições.
📹 A câmera que mandou o manifestante embora
Na noite de segunda, por volta das 18h45, um homem chegou sozinho ao entorno do tribunal com uma placa pedindo faxina no STF e na PGR.
Uma câmera inteligente instalada em frente ao prédio emitiu alerta sonoro, e policiais militares o orientaram a deixar a área restrita.
Um homem, uma placa, e um aparato que reagiu sozinho.
Onde eu me coloco
Daqui em diante é opinião assinada, de cidadão que acompanha e paga a conta.
O que apareceu na tela nesta manhã não foi um tribunal deliberando. Foram ministros se acusando de mentira, de montar polícia paralela e de vazar documento, com o país olhando.
Cada um deles tem mandato vitalício, decide sozinho quando quer e responde, na prática, apenas aos próprios colegas. É esse o arranjo que produziu a cena de hoje, e ele não muda porque a sessão foi transmitida.
⏳ A manobra que eu vou acompanhar de perto
Antes da sessão, a imprensa noticiou que aliados de Moraes articulavam um pedido de vista para adiar a definição, possivelmente para depois da eleição presidencial.
Pedido de vista é instrumento legítimo, existe para o ministro estudar o caso, e não há nada de errado em usá-lo.
Só que usá-lo para empurrar uma decisão para depois de 4 de outubro é outra coisa. Seria escolher o calendário político como critério de julgamento, e isso enfraquece o tribunal justamente no ponto em que ele precisa parecer indiferente à eleição.
Se acontecer, vai estar escrito aqui com o nome de quem pediu.
Tenho uma pergunta que a sessão não respondeu e que continua de pé. A PGR pede a nulidade do relatório por vício de origem, e o argumento é técnico e respeitável. Mas anular o documento não faz as mensagens deixarem de existir, nem responde o que elas dizem.
Se o caminho for esse, o país vai terminar o dia sabendo que um procedimento foi considerado irregular, e continuando sem saber se um ministro do Supremo trocava mensagens com um banqueiro preso por fraude bilionária. Uma coisa não substitui a outra.
🧾 Nota de método
O relato da sessão vem da cobertura ao vivo de Migalhas, CNN Brasil, Jovem Pan e Brasil de Fato, publicada durante a manhã e o início da tarde de 15 de setembro de 2026. Não assisti à íntegra da sessão.
As falas atribuídas aos ministros estão resumidas conforme reproduzidas por esses veículos. Onde há divergência de redação entre eles, usei a formulação mais conservadora.
O número de mensagens do relatório aparece como 52 em uma publicação e como 187 interações em outra. Interação pode incluir chamada e registro de contato, enquanto mensagem conta o texto trocado. Como não li o relatório, registro os dois números em vez de escolher um.
A articulação de pedido de vista foi noticiada como movimento de bastidor antes da sessão. É informação de imprensa, não fato confirmado, e aparece aqui com essa ressalva.
Nenhuma das pessoas citadas foi denunciada, acusada formalmente ou condenada. Relatório de polícia reúne indícios. Moraes nega irregularidade.
A seção de opinião começa onde está escrito que começa, e critica conduta pública e desenho institucional, sem atribuir crime a ninguém.
A sessão estava em andamento no fechamento desta página, às 15h30. O resultado pode mudar tudo que está acima.
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Fontes
Cobertura ao vivo da sessão plenária extraordinária do Supremo Tribunal Federal de 15 de setembro de 2026, publicada por Migalhas, CNN Brasil, Jovem Pan, Brasil de Fato e O Povo.
Comunicado do Supremo Tribunal Federal com as regras de acesso à sessão, e declarações do secretário de Segurança Pública do Distrito Federal sobre o esquema no entorno.
Manifestação da Procuradoria-Geral da República pela nulidade da requisição e do relatório, conforme noticiada.
Relato sobre articulação de pedido de vista publicado por Gazeta Brasil em 15 de setembro de 2026.
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