⏳ Áudio em breve
Ex-chefe da espionagem alemã é preso por suspeita de traição
August Hanning, de 80 anos, que presidiu o serviço de inteligência externa da Alemanha, o BND, de 1998 a 2005, foi preso em 6 de outubro em casa, em Nordwalde, no oeste do país. A Procuradoria-Geral Federal suspeita que ele recebeu cerca de 2 mil documentos sigilosos do próprio BND ao longo de anos. Para quem as informações iriam, a investigação ainda não conseguiu estabelecer.
⏱️ Em 1 minuto
O que aconteceu: policiais federais prenderam August Hanning, ex-presidente do BND, por ordem da Procuradoria-Geral Federal.
A suspeita: ele teria recebido cerca de 2 mil documentos sigilosos do BND, repassados por um funcionário do serviço, e pretendia ganhar dinheiro com as informações.
Como surgiu: as provas apareceram em buscas de setembro de 2025, feitas por outro caso: o sequestro dos filhos da empresária Christina Block.
O que falta saber: para qual país ou grupo as informações iriam. A Procuradoria diz que isso ainda não foi apurado.
Do que ele é suspeito
A Procuradoria-Geral Federal, que na Alemanha cuida de crimes contra a segurança do Estado, acusa Hanning de espionar segredos de Estado com intenção de traição, de tentar cometer traição e de atuar como agente de um serviço de inteligência estrangeiro. Segundo a ZDF, cerca de 2 mil documentos foram repassados entre 2010 e 2022.
O fornecedor dos papéis seria Manfred D., que trabalhou no BND até março de 2026, segundo a ZDF. Ele também é investigado. O jornal Tagesspiegel informou que Hanning queria lucrar com as informações. O jornal taz resumiu a suspeita como compra de papéis do serviço secreto.
Um ponto ainda está aberto. A acusação fala em atividade para um serviço estrangeiro, mas, segundo a ZDF, a Procuradoria afirma que até agora não foi possível determinar quem seria esse destinatário.
O caso Block
Hanning já estava na mira da Justiça por outro motivo. Em setembro de 2025, a polícia fez buscas ligadas ao sequestro dos filhos de Christina Block, herdeira de uma rede de restaurantes de Hamburgo. A suspeita era de que ele teria participado de um plano para tirar as crianças do pai, segundo o Stuttgarter Zeitung e o t-online. Foi nesse material apreendido que surgiram os indícios de espionagem.
No caso Block, o advogado dele, Leon Kruse, declarou que o cliente “rejeita com firmeza as falsas acusações”, segundo o site web.de. Até a noite de 6 de outubro, não localizei manifestação da defesa sobre a nova acusação.
Quem é August Hanning
Hanning comandou o BND de dezembro de 1998 a 2005 e depois foi secretário de Estado do Ministério do Interior, de 2005 a 2009. O atual presidente do BND, Martin Jäger, afirmou que “não há concessões na segurança interna”, segundo a ZDF.
📎 Para quem quer conferir: os crimes citados e o que acontece agora
- Código Penal alemão (StGB), § 94: traição (Landesverrat), entregar segredo de Estado a potência estrangeira. A tentativa também é punida.
- StGB, § 96: espionagem com intenção de traição (landesverräterische Ausspähung) e obtenção de segredos de Estado.
- StGB, § 99: atividade de agente de serviço de inteligência estrangeiro.
- Procedimento: quem é preso por ordem da Procuradoria-Geral Federal é levado a um juiz de instrução do Tribunal Federal de Justiça, que decide se mantém a prisão preventiva. Não localizei essa decisão até a noite de 6 de outubro.
- Presunção de inocência: Hanning não foi julgado. Prisão preventiva não é condenação.
🔎 Conferi o que circulou
- “Ele vendeu segredos para a Rússia.” Nenhuma fonte oficial disse isso. A Procuradoria afirma que o destinatário ainda não foi identificado.
- “Ele foi condenado.” Não. Foi preso preventivamente, e a investigação continua.
- “A prisão é pelo sequestro das crianças Block.” Não. São dois casos. O de espionagem nasceu de provas achadas nas buscas do caso Block.
Como apurei
Prisão, acusações, número de documentos, período e fala do presidente do BND conforme a ZDF e o taz; local da prisão, idade e intenção de lucro conforme o Tagesspiegel e o portal jurídico LTO. Caso Block conforme Stuttgarter Zeitung, t-online e web.de. Traduções do alemão são minhas.
Apuração independente de Alexander Moraes, estudante de jornalismo, sem formação jurídica. Não sou jurista: os trechos sobre leis explicam regras gerais e não são parecer jurídico.
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