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Irã diz que Ormuz só reabre se os EUA cumprirem sete condições
O presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou em 5 de outubro que o Estreito de Ormuz continuará fechado até que sete condições do Irã sejam atendidas. A passagem, por onde circula cerca de um quinto do petróleo do mundo, está bloqueada ou restrita desde março, com a guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel.
⏱️ Em 1 minuto
O que aconteceu: o Irã endureceu o discurso e disse que não reabre Ormuz enquanto os Estados Unidos não cumprirem suas sete condições.
Por que pesa no bolso: Ormuz é a saída do Golfo Pérsico. Com o estreito fechado, o petróleo sobe, e isso chega ao diesel e à gasolina.
A negociação: as conversas são indiretas, com mediação do Catar.
O preço: o barril do Brent fechou a US$ 100,32 em 5 de outubro, segundo o site Eixos.
O que o Irã disse
“O Estreito de Ormuz não será reaberto até que nossas sete condições, baseadas no Memorando de Entendimento de Islamabad, sejam cumpridas”, disse Qalibaf, segundo a mídia estatal iraniana citada por veículos brasileiros. Ele afirmou ainda que Washington precisa entender que o período de prolongar o processo acabou. O porta-voz da chancelaria, Esmaeil Baghaei, disse que o foco é Ormuz e que a volta da segurança exige ações concretas.
As sete condições não foram detalhadas nas reportagens. Em agosto, outra autoridade iraniana tinha listado exigências como o fim do bloqueio naval americano, a suspensão de sanções, reparações de guerra e a devolução de bens congelados, segundo o Times Brasil.
Como se chegou aqui
📅 Linha do tempo
- 28 de fevereiro: Estados Unidos e Israel atacam o Irã, e começa a guerra.
- 2 de março: o Irã fecha Ormuz.
- Abril: cessar-fogo com mediação do Paquistão. O estreito é reaberto em 17 de abril e fechado de novo no dia seguinte.
- 17 de junho: Irã e Estados Unidos assinam o Memorando de Islamabad, um acordo provisório.
- 7 de julho: Donald Trump declara o acordo encerrado.
- 11 de julho: a Guarda Revolucionária fecha Ormuz por tempo indeterminado.
- 2 de outubro: o G7 anuncia a liberação de 100 milhões de barris de reservas em quatro meses.
- 5 de outubro: Qalibaf condiciona a reabertura a sete exigências.
O efeito no Brasil
O Brasil importa parte do diesel que consome, e o preço segue o mercado internacional. Logo após o início da guerra, o diesel nos postos subiu 20,6% entre a última semana de fevereiro e a segunda semana de março, chegando a R$ 7,65 o litro, segundo a ANP, a agência que regula o setor, citada pelo Times Brasil. Não localizei o preço médio atualizado de outubro.
O barril do Brent, referência internacional, passou de cerca de US$ 80 no início de agosto para mais de US$ 100 no começo de outubro. Fechou a US$ 102,25 em 2 de outubro e a US$ 100,32 em 5 de outubro, depois do anúncio do G7.
🔎 Conferi o que circulou
- “O ministro do Petróleo do Irã renunciou.” Não localizei confirmação em nenhuma agência. Não uso.
- “O Irã ameaçou atacar bases e navios se houver invasão terrestre.” Não localizei essa declaração com data de outubro. Há falas parecidas de abril, do chanceler Abbas Araghchi.
- “As sete condições já são conhecidas.” Não foram detalhadas nas reportagens sobre a fala de Qalibaf. As listas conhecidas são de agosto e têm de quatro a seis itens.
Como apurei
Fala de Qalibaf e Baghaei conforme O Capixaba e Primeira Página SC, que citam a mídia estatal iraniana. Exigências de agosto conforme o Times Brasil. Linha do tempo conforme SBT News, Band e Jerusalem Post. Preços do Brent e anúncio do G7 conforme Eixos e Money Times. Diesel conforme Times Brasil, com dados da ANP.
Apuração independente de Alexander Moraes, estudante de jornalismo.
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