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Revolta dos estudantes fecha centenas de escolas na França
Há mais de duas semanas, estudantes do ensino médio francês bloqueiam escolas em protesto contra salas lotadas, falta de professores e o sistema de acesso à universidade. Em 6 de outubro, terceiro grande dia de mobilização, 891 escolas tiveram aulas suspensas, segundo o Ministério do Interior. Desde o início, mais de 6 mil pessoas foram detidas, a maioria menores de idade.
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O que aconteceu: alunos de liceus, o ensino médio francês, bloqueiam escolas desde o fim de setembro, e o movimento chegou às universidades.
O que pedem: mais professores, salas menos cheias, prédios reformados, jornadas menos longas e mudanças no Parcoursup, a plataforma de acesso ao ensino superior.
A tensão: confrontos com a polícia deixaram centenas de feridos dos dois lados. Um adolescente de 15 anos perdeu a mão em Lens.
O governo: abriu uma consulta on-line até 23 de outubro e acusa grupos de extrema esquerda de inflamar os protestos.
O tamanho do protesto
A França tem cerca de 3.700 liceus. Em 2 de outubro, cerca de 400 ficaram fechados, segundo o site Public Sénat. Em 6 de outubro, o Ministério do Interior contou 891 estabelecimentos com aulas suspensas total ou parcialmente. Um sindicato estudantil falou em 1.800 liceus bloqueados, e 57 campi universitários também tiveram bloqueios, segundo a Euronews.
No balanço acumulado divulgado em 6 de outubro, há 715 policiais e gendarmes feridos, 215 estudantes e 85 funcionários da educação, 34 deles diretores ou vice-diretores. As detenções passam de 6 mil desde o início do movimento.
Os casos mais graves
Em Lens, no norte, um adolescente de 15 anos perdeu a mão em 5 de outubro na explosão de uma granada. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, classificou o caso como perturbador, segundo a Euronews. Em Metz, a Justiça abriu investigação sobre suspeita de agressão sexual durante a detenção de um estudante.
Antes disso, em Tours, um aluno de 16 anos foi ferido no olho por um projétil compatível com o de uma arma de balas de borracha usada pela polícia, segundo o site 75secondes. Mais de 100 escolas tiveram danos graves, segundo o Public Sénat.
O que dizem os lados
O ministro da Educação, Édouard Geffray, disse que a prioridade absoluta do governo é proteger os alunos e, em outra fala, que nas ruas as crianças correm perigo. O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, defendeu que os pais paguem pelos danos causados às escolas. O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, acusa a França Insubmissa, de esquerda radical, e grupos de ultraesquerda de insuflar os bloqueios.
Do outro lado, a secretária-geral da central sindical CGT, Sophie Binet, criticou a repressão. Sindicatos cobram uma resposta política nacional antes da reabertura das escolas, segundo o Public Sénat. Os estudantes denunciam dias de dez horas sem pausa e salas superlotadas e degradadas.
E a saída?
O governo abriu a plataforma Agora, onde os alunos podem registrar reivindicações até 23 de outubro. Ao meio-dia de 6 de outubro, mais de 1.700 pessoas tinham participado, segundo a Euronews. Onde bloqueios ou danos impedem as aulas, o governo prevê ensino a distância.
🔎 Conferi o que circulou
- “Duas mil escolas estão bloqueadas.” O número mais alto que achei é o de um sindicato estudantil: 1.800 liceus em 6 de outubro. O governo fala em 891 com aulas suspensas. As duas contagens medem coisas diferentes.
- “Um adolescente perdeu a mão.” Confirmado. A Euronews relatou o caso de Lens, de 5 de outubro, e a reação do ministro do Interior. Até então, a informação circulava sem fonte.
- “A maioria dos detidos é menor de idade.” Confirmado pela Euronews. Em 2 de outubro, a proporção era de 85%.
Como apurei
Números de 6 de outubro, casos de Lens e Metz, plataforma Agora e fala de Geffray conforme a Euronews de 6/10. Números de 2 de outubro, proporção de menores e fala de Nuñez conforme a Euronews de 2/10 e o Public Sénat. Caso de Tours conforme o 75secondes. Acusação de Lecornu conforme a Euronews de 1/10. Os números mudam a cada dia; usei os balanços mais recentes que localizei.
Apuração independente de Alexander Moraes, estudante de jornalismo.
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