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Jovens do “Partido Barata” cobram renúncia do chefe eleitoral da Índia
Um movimento de jovens chamado Cockroach Janata Party, algo como Partido do Povo Barata, faz protestos desde 2 de outubro para exigir a renúncia do comissário-chefe eleitoral da Índia, Gyanesh Kumar. O alvo é a revisão das listas de eleitores, que segundo críticos tirou milhões de pessoas do cadastro. O grupo promete marchar até Nova Délhi em 10 de outubro se ele não deixar o cargo.
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O que aconteceu: o Cockroach Janata Party, movimento jovem liderado por Abhijeet Dipke, foi às ruas em Mumbai e Nova Délhi contra o chefe da Comissão Eleitoral.
O motivo: a revisão das listas de eleitores, iniciada em Bihar em 2025 e estendida à maior parte do país.
O que dizem as autoridades: a Comissão afirma que retira registros duplicados e de quem não tem direito a votar.
O que vem agora: nova marcha em Nova Délhi em 10 de outubro e protestos do partido Congresso a partir de 6 de outubro.
Quem são as “baratas”
O movimento é liderado por Abhijeet Dipke e reúne principalmente jovens. Em julho de 2026, protestos do mesmo grupo contra vazamentos em provas nacionais levaram à saída do ministro da Educação, segundo a agência AP. Em 2 de outubro, aniversário de Gandhi, o grupo fez um grande ato no parque Shivaji, em Mumbai, mesmo sem autorização da polícia, com a presença de atores e cineastas conhecidos, como Naseeruddin Shah e Shabana Azmi, segundo o Telangana Today. Em Nova Délhi, houve detenções no Jantar Mantar, local tradicional de protestos, segundo a AP.
O grupo pede três coisas: a renúncia de Gyanesh Kumar e um processo criminal contra ele, o congelamento das listas eleitorais de 2025 e a revogação da lei de 2023 que mudou a forma de escolher os comissários. Dipke disse que, se Kumar não renunciar, “baratas de toda a Índia vão marchar até Délhi”.
A revisão das listas
A revisão especial das listas começou no estado de Bihar em 2025 e foi estendida à maior parte dos estados. Segundo a AP, com base em dados da própria Comissão, as listas de algumas regiões podem encolher até 30%. Críticos falam em milhões de eleitores removidos. A Comissão diz que o objetivo é tirar registros duplicados e de quem não tem direito ao voto, mantendo os eleitores aptos.
A divergência chegou à própria Comissão. Segundo o jornal Indian Express, citado pela imprensa internacional, dois dos três comissários teriam feito objeções. A Comissão responde que houve apenas visões diferentes e deliberações internas. A oposição acusa o órgão de favorecer o BJP, partido do primeiro-ministro Narendra Modi. O governo e a Comissão negam.
📎 Para quem quer conferir: como o chefe eleitoral é escolhido e afastado
- Constituição da Índia, artigo 324: cria a Comissão Eleitoral e diz que o comissário-chefe só pode ser afastado do mesmo jeito que um juiz da Suprema Corte, ou seja, por votação especial no Parlamento.
- Por isso o movimento pede renúncia: um afastamento forçado exige maioria qualificada nas duas casas, que a oposição não tem.
- Em março de 2023, a Suprema Corte indiana determinou que a escolha fosse feita pelo primeiro-ministro, pelo líder da oposição e pelo presidente da Suprema Corte, até que o Parlamento fizesse uma lei.
- Em dezembro de 2023, a nova lei tirou o presidente da Suprema Corte do comitê e colocou um ministro indicado pelo primeiro-ministro. É essa lei que o movimento quer revogar.
- No Brasil, a Justiça Eleitoral também faz revisões do eleitorado e cancela títulos de quem não comparece. A diferença é que o órgão é parte do Judiciário.
🔎 Conferi o que circulou
- “Priyanka Gandhi foi presa no protesto contra a Comissão.” Não neste mês. Ela foi detida em 11 de agosto de 2025, numa marcha contra a revisão em Bihar, e em 21 de julho de 2026, num protesto sobre educação.
- “130 milhões de eleitores foram excluídos.” É um número do movimento, que fala em 13 crore, a unidade indiana de 10 milhões, em dois anos. Não localizei dado oficial que confirme.
- “Parlamentares foram presos em Délhi.” Em 25 de setembro, a polícia deteve ativistas e líderes de partidos menores, e nenhum deputado, segundo o Free Press Journal. Sobre 2 de outubro, a AP fala em líderes da oposição detidos, sem nomes.
Como apurei
Protestos, divergência entre comissários e posição da Comissão conforme a agência AP. Exigências, ato em Mumbai, número de eleitores e fala de Dipke conforme o Telangana Today. Protestos do Congresso conforme The Star. Detenções de 25 de setembro conforme o Free Press Journal. Detenções de Priyanka Gandhi conforme a Al Jazeera e a UNB. Regras da Constituição e da lei de 2023 conferidas no texto legal; a comparação com o Brasil é geral.
Apuração independente de Alexander Moraes, estudante de jornalismo, sem formação jurídica. Não sou jurista: os trechos sobre leis explicam regras gerais e não são parecer jurídico.
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