⏳ Áudio em breve
Governo da Etiópia retoma a capital do Tigré, e a guerra volta ao norte
Forças federais da Etiópia e milícias aliadas assumiram o controle de Mekele, capital da região do Tigré, no fim de semana de 3 e 4 de outubro, depois que a Frente de Libertação do Povo do Tigré, a TPLF, retirou seus combatentes da cidade. Os combates recomeçaram em 23 de setembro e reacendem o medo de uma nova guerra como a de 2020 a 2022, que matou centenas de milhares de pessoas.
⏱️ Em 1 minuto
O que aconteceu: o Exército federal e a milícia aliada Força de Paz do Tigré entraram em Mekele depois da retirada da TPLF.
Como começou: em 23 de setembro, após uma aliança de sete grupos armados e políticos contra o primeiro-ministro Abiy Ahmed.
O risco regional: a Etiópia acusa Eritreia, Sudão e Egito de apoiar os rebeldes. Os vizinhos negam.
O que falta saber: o número de mortos e deslocados, que não foi divulgado.
Como foi o avanço
Em 23 de setembro, a TPLF declarou o que chamou de guerra defensiva, e os combates voltaram ao norte do país. Em 28 de setembro, forças pró-governo disseram ter tomado Alamata, cidade estratégica no limite sul do Tigré, a cerca de 120 quilômetros de Mekele, segundo a agência Reuters. Em 3 de outubro, o governo retomou o principal aeroporto de Mekele, segundo a Al Jazeera.
No mesmo dia, a TPLF confirmou que tinha saído de Mekele “temporariamente” e que a administração da região passaria a funcionar “de outro lugar”, o que indica que pretende seguir lutando. Abraham Belay, que já presidiu a administração interina do Tigré, disse que novas estruturas serão organizadas, com eleições em alguns meses.
Moradores ouvidos pela Al Jazeera falam em cansaço. “Já sofremos o suficiente. Só queremos paz”, disse Berihu, motorista de mototáxi na cidade de Shire. Goitom, de 37 anos, morador de Mekele, resumiu: “Parece que voltamos à estaca zero.”
A crise com os vizinhos
O comandante do Exército etíope Berhanu Jula acusou Eritreia, Sudão e Egito de apoiar as forças de oposição, segundo a Reuters. A Eritreia e o Sudão negaram, e o Egito disse respeitar a soberania etíope. A Etiópia fechou sua embaixada em Asmara, capital da Eritreia, e declarou 10 diplomatas eritreus indesejados. A Eritreia respondeu rompendo relações.
Em 3 de outubro, o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, recebeu líderes da Eritreia, da Somália e do Sudão. O Departamento de Estado dos Estados Unidos alertou que as tensões podem afetar toda a região, segundo a Al Jazeera.
Por que o Tigré volta a pegar fogo
A TPLF governou a Etiópia por quase três décadas, até 2018, quando Abiy Ahmed chegou ao poder. A guerra de 2020 a 2022 entre o governo e a TPLF terminou com o Acordo de Pretória, mediado pela União Africana em novembro de 2022. O acordo deixou questões sem solução, como territórios disputados, a volta de deslocados e o desarmamento dos combatentes. Em abril de 2026, a TPLF anunciou que restauraria as estruturas de governo de antes da guerra, o que aumentou a tensão com o governo federal.
🔎 Conferi o que circulou
- Imagens da “tomada de Mekele”. Cuidado com fotos antigas. O governo federal também tomou Mekele no fim de novembro de 2020, e imagens daquela época voltam a circular.
- “Milhares de mortos nos novos combates.” Nenhum balanço de mortos ou deslocados foi divulgado por fonte confiável até a noite de 6 de outubro.
- “A Eritreia entrou na guerra.” A Etiópia acusa a Eritreia de apoiar os rebeldes, e a Eritreia nega. O que está confirmado é o rompimento diplomático.
Como apurei
Tomada de Mekele, aeroporto, aliança de sete grupos, reunião no Egito e alerta dos Estados Unidos conforme a Al Jazeera de 4/10. Retirada da TPLF, falas de moradores, crise com a Eritreia e Acordo de Pretória conforme a Al Jazeera de 5/10. Alamata e acusações a Eritreia, Sudão e Egito conforme a Reuters, via The Star e Devdiscourse. Anúncio da TPLF de abril conforme a Dawan Africa. Traduções do inglês são minhas.
Apuração independente de Alexander Moraes, estudante de jornalismo.
Comentários
Nenhum comentário publicado ainda. Seja o primeiro.
