⏳ Áudio em breve
Pela primeira vez, os dois primeiros marcam o mesmo número
A Quaest divulgou no feriado de 7 de setembro a rodada com o campo feito entre os dias 3 e 6. No primeiro turno, Lula tem 36% e Flávio Bolsonaro, 29%. No confronto direto, os dois aparecem com 41% cada. É também a primeira pesquisa ouvida por inteiro depois que o relatório da Polícia Federal sobre o caso Master veio a público.
Antes dos números, a ressalva que decide como ler tudo o que vem abaixo: nenhuma das variações desta rodada passa da margem de erro, que é de dois pontos. Lula caiu um ponto, Flávio caiu um ponto, e o segundo turno encostou. Estatisticamente, nada disso é movimento comprovado.
O que muda é outra coisa, e ela não depende de margem. Os dois candidatos aparecem agora com o mesmo número no confronto direto, e isso não tinha acontecido em nenhuma rodada anterior do instituto neste ano.
O primeiro turno
Lula (PT) 36%
Flávio Bolsonaro (PL) 29%
Augusto Cury (Avante) 8%
Renan Santos (Missão) 3%
Ronaldo Caiado (PSD) 3%
Romeu Zema (Novo) 2%
Pablo Marçal (PRTB) 1%
Brancos e nulos somam 8%, e os indecisos, 9%. Os outros seis candidatos não pontuaram.
Vale um detalhe que mudou em relação à semana passada. O instituto voltou a testar dois cenários, um com Marçal e outro sem, porque o registro dele segue sob julgamento. Desta vez a retirada do nome não moveu os dois primeiros: Lula continua com 36% e Flávio com 29% nos dois cenários. Na rodada anterior, tirar Marçal fazia Flávio oscilar um ponto.
O empate no segundo turno
A simulação entre os dois primeiros colocados deu 41% para cada um.
Vale acompanhar a série, porque ela conta melhor a história que qualquer rodada isolada:
| Pesquisa | Lula | Flávio | Diferença |
|---|---|---|---|
| Quaest, 2 de setembro | 42% | 41% | 1 ponto |
| Datafolha, 3 de setembro | 46% | 44% | 2 pontos |
| Quaest, 7 de setembro | 41% | 41% | zero |
Simulações de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro nas três pesquisas mais recentes. Rodadas de institutos diferentes não são comparáveis entre si, e por isso a comparação que vale aqui é entre as duas rodadas da Quaest.
São três rodadas seguidas com diferença dentro da margem. A novidade é que agora não há sequer um ponto separando os dois, e um empate numérico redondo tem peso simbólico que a estatística não mede, principalmente no noticiário e nas conversas de mesa de bar.
A pesquisa pegou a crise do Supremo
Este é o ponto que separa esta rodada das anteriores, e ele merece atenção.
O relatório da Polícia Federal sobre a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades veio a público na noite de 1º de setembro. As quatro pesquisas da semana passada já estavam em campo ou fechadas quando isso aconteceu, então nenhuma delas mediu o efeito.
Esta mediu. O campo foi de 3 a 6 de setembro, exatamente os dias do embate entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes.
🔍 E o que ela mostra é pouco movimento
Se a crise tivesse deslocado voto de forma clara, apareceria aqui. O que apareceu foi variação de um ponto para baixo nos dois primeiros colocados, dentro da margem.
Isso admite mais de uma leitura, e nenhuma delas é comprovável com uma rodada só. Pode ser que o assunto ainda não tenha chegado ao eleitor que decide voto. Pode ser que tenha chegado e reforçado a posição de cada campo, sem trocar ninguém de lado. E pode ser que o efeito apareça depois, com atraso.
O que não dá para dizer é que a crise mexeu ou deixou de mexer no voto. Uma rodada não responde isso.
E fica de fora desta medição o que aconteceu no próprio feriado. Os atos de 7 de setembro, com manifestações pelo impeachment de Moraes em pelo menos quinze cidades e o discurso de Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista, são posteriores ao fim do campo. Entram na conta da próxima rodada.
A rejeição, que é o número mais duro da pesquisa
Perguntados sobre em quem não votariam de jeito nenhum, entre os nomes que conhecem, os eleitores desenharam este quadro:
Flávio Bolsonaro 55%
Lula 53%
Pablo Marçal 45%
Ronaldo Caiado 41%
Romeu Zema 39%
Os dois líderes têm mais de metade do eleitorado dizendo que não votaria neles. Numa eleição decidida em dois turnos, esse número costuma pesar mais que a intenção de voto, porque mede o teto de cada candidatura, e não o piso.
Como está a avaliação do governo
📉 Aprovação
43% aprovam a forma como Lula governa e 50% desaprovam.
📋 Avaliação da gestão
38% consideram o governo negativo, 34% positivo e 25% regular.
💸 Economia nos últimos 12 meses
49% dizem que piorou, 29% que ficou igual e 19% que melhorou.
A percepção sobre a economia é a informação que costuma antecipar movimento de voto, mais até que a aprovação do governo. Quase metade do país dizendo que a vida piorou é um dado difícil para quem disputa a reeleição.
🧾 Nota de método
Os números vêm da divulgação da Quaest desta segunda-feira, reproduzida pela imprensa. A pesquisa foi contratada pela TV Globo e pelo jornal O Globo, com 2.004 entrevistas domiciliares com brasileiros de 16 anos ou mais, feitas entre 3 e 6 de setembro. Margem de erro de dois pontos, nível de confiança de 95%, registro no TSE sob o número BR-01720/2026.
O instituto divulgou também um cenário espontâneo, em que os nomes não são mostrados ao entrevistado. Os percentuais desse cenário não estavam disponíveis nas publicações que consultei até o fechamento, e por isso não aparecem aqui.
Onde escrevi que uma variação está dentro da margem, é porque ela é menor que os dois pontos declarados pelo instituto. Diferença dentro da margem não é queda nem alta comprovada, e tratá-la como tendência é erro comum na cobertura de pesquisa.
A comparação entre 2 e 7 de setembro é válida porque é o mesmo instituto, com o mesmo método. A rodada do Datafolha aparece na tabela apenas como referência de data, e não como termo de comparação direta.
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Fontes
Pesquisa Quaest divulgada em 7 de setembro de 2026, contratada pela TV Globo e pelo jornal O Globo. Registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01720/2026. Foram 2.004 entrevistas domiciliares com pessoas de 16 anos ou mais, realizadas de 3 a 6 de setembro de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Números conforme a cobertura publicada em 7 de setembro de 2026 a partir da divulgação do instituto.
Rodada anterior da Quaest divulgada em 2 de setembro de 2026, registro BR-07065/2026. Datafolha de 3 de setembro de 2026, registro BR-03669/2026.
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